Farofa do Processo chega à 10ª edição e ocupa o Bixiga com pesquisas das artes da cena

 

Farofa do Processo chega à 10ª edição e ocupa o Bixiga com pesquisas das artes da cena


Entre os dias 7 e 15 de março de 2026, São Paulo recebe a 10ª edição da Farofa do Processo, reconhecida como um movimento das artes cênicas contemporâneas dedicado à apresentação de pesquisas artísticas em diferentes estágios de criação. Realizada pela Corpo Rastreado, a mostra reúne mais de 70 artistas e cerca de 60 aberturas de processo, ocupando espaços culturais independentes do bairro do Bixiga e também a própria Rua Treze de Maio.


Criada em 2020 com o nome FarOFFa — Circuito Paralelo de Artes de São Paulo, a iniciativa surgiu a partir de uma provocação da MITsp — Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. Desde então, passou por diferentes formatos, presenciais, digitais e itinerantes, — incluindo experiências como FarOFFa no Sofá, durante a pandemia, e projetos como OcupAÇÃO FarOFFa, Dispositivo FarOFFa e Faroffa Zona, que chegou a circular internacionalmente em Santiago, no Platea 21. Em 2024 o projeto assumiu o nome atual e segue ampliando seu alcance.


A programação de 2026 se distribui por cinco espaços independentes do Bixiga (Casa Farofa, Teatro Manás Laboratório, Teatro do Incêndio, Teatro Estelar e Teatro da Vertigem) e se expande para bares, residências e intervenções na rua. Ao longo de nove dias, o evento privilegia o tempo da escuta, do diálogo e da pesquisa, em contraponto à lógica acelerada do mercado cultural.


Nesta edição, a Farofa também coloca em destaque o papel dos espaços culturais independentes, considerados fundamentais para a criação e a continuidade das pesquisas artísticas. “A Farofa sempre nasce das urgências da produção e, em 2026, escolhe olhar com mais atenção para os espaços independentes, que são onde o trabalho artístico ganha corpo, tempo e continuidade”, afirma Gabi Gonçalves, da Corpo Rastreado.


Artistas de diferentes regiões e do exterior


A programação reúne artistas de várias regiões do Brasil e também convidados internacionais. A argentina Soledad Perez Tranmar apresenta o trabalho Pluma. Do Rio Grande do Norte, Alexandre Américo compartilha Papangu, processo iniciado em 2016 que reflete sobre fronteiras e vulnerabilidade de corpos negros.


De Belo Horizonte, Dudu Melo e Junior Dias, da Pigmentar Companhia, apresentam Cuidado, enquanto a performer HBLynda Morais, de Recife, traz HBLYNDA EM TRÂNSito. Já artistas do Rio de Janeiro participam com processos como Números e Fera, de Thiago Catarino, Carolina Ferman e Natasha Corbelino, e Estratégias para o Presente, de Cecília Ripoll, Juliana França e Monique Vaillé.


Entre os trabalhos que investigam cruzamentos entre linguagens está Monstruosas Alianças, de Gabriel Machado, Hedra Rockenbach e Stéfani Belo, que une vídeo, figurino e corpo em movimento. Alice Ripoll e Hiltinho Fantástico apresentam Puff, processo que dialoga com danças urbanas e populares brasileiras.



Cena paulistana em destaque


A Farofa destaca seu vínculo com São Paulo ao receber artistas da cidade que escolhem o evento para abrir ou retomar pesquisas. Georgette Fadel apresenta Afinações II — Falso Solo, enquanto Marcelo Marcus Fonseca, fundador do Teatro do Incêndio, recoloca em processo Baal — O Mito da Carne.


Também integram a programação Marcos Moraes, com Ensaio Sobre a Árvore, e Luiz de Abreu, com América: Shopping de Culturas, trabalho que discute identidade, consumo e imaginários coloniais. Já Rodrigo França, ao lado de Aretha Sadick, apresenta Lady Macbeth — uma transcrição, leitura da personagem atravessada por disputas de poder a partir de um olhar negro.


Obras que retornam e novas perspectivas


Três espetáculos retornam à Farofa após terem sido apresentados anteriormente como processos criativos: 1 peça cansada, de Natasha Corbelino; Antígona Travesti, de Renata Carvalho; e Capengá!, de Estela Lapponi. Após circularem por festivais e temporadas, os trabalhos voltam ao evento, evidenciando o papel da mostra como espaço de acompanhamento e maturação artística.


O espetáculo Capengá! dialoga com uma das questões desta edição: a valorização da cultura DEF, presente ainda no processo Tarô do Aleijo, de Cláudio Rubino, que atravessa corpo, espiritualidade e imaginário social para propor novas leituras sobre autonomia e vulnerabilidade.



Teatro, cidade e experimentação


A programação inclui ainda Agropeça, criação do Teatro da Vertigem, com direção de Antonio Araújo e texto final de Marcelino Freire, que lança um olhar crítico sobre o agronegócio e suas implicações na sociedade brasileira contemporânea.


Outro destaque é AnonimATO, da Cia. Mungunzá de Teatro, espetáculo concebido para o espaço urbano que investiga o anonimato nas grandes metrópoles ao acompanhar trajetórias de personagens aparentemente comuns que atravessam a cidade.


Acessibilidade e novas experiências


A acessibilidade é parte central do evento e atravessa toda a programação. A coordenação é de Vanessa Bruna, do Incluir pela Arte, com equipe dedicada ao acompanhamento do público DEF. O evento conta com intérpretes de Libras surdo e com um audio tour acessível, também em Libras, que apresenta a história e a arquitetura dos espaços da Rua Treze de Maio.


Entre as novidades está a Sessão Maldita, faixa noturna dedicada a experiências radicais e híbridas. A programação inclui trabalhos como Favor Divino, de Marcelo Evelin e Andreia Pires, e A Morta, do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.



Programação também para crianças


A Farofa 2026 também abre espaço para o público infantil. Entre os destaques estão A Chave do Labirinto, adaptação do livro de Regina França, inspirada no mito de Teseu e o Minotauro em um cenário rural brasileiro, e O Bocejo da Serpente, adaptação de Marina Esteves para obra da jovem poeta Antônia Gomes Minchoni, de 11 anos.


Completa esse eixo Iní Berê — Somos Todos Estrangeiros, da Cia Aya, com dramaturgia de Jessica Mendezz.


Ao longo de sua trajetória, a Farofa consolidou-se como um espaço onde obras nascem, amadurecem e seguem novos caminhos. Trabalhos que passaram pelo evento já circularam por instituições como Sesc, Itaú Cultural, Casa do Povo, CCSP e Bienal Sesc de Dança, além de festivais e circuitos nacionais e internacionais — reafirmando a mostra como um importante território de experimentação nas artes da cena contemporânea.



Artistas e coletivos participantes em 2026:

Aílton Barros e Guira, Alexandre Américo, Alice Ripoll e Hiltinho Fantástico, Antônia Gomes Minchoni e Marina Esteves, Aretha Sadick e Rodrigo França, Ayo Klunga e Kyra Reis, Bárbara Arakaki, Camila Rocha, Carolina Ferman, Cecília Ripoll, Juliana França e Monique Vaillé, Cia Aya, Claudio Rubino, Coletivo 302, Corpo de Macumba, Cristiano Karnas e Valerie Curro Khayat, Esquadrilha Marginália, Éssa Companhia de Teatro, Estela Lapponi, Estelar de Teatro, Fábia Mirassos, Gabriel Machado, Hedra Rockenbach e Stéfani Belo, Georgette Fadel, HBLynda Morais, Hélio Toste, Jesuz Pereira, Kuadrilha Teatral, Lagartixa na Janela, Lena Giuliano, Lucas Brandão, Lucas Rocha, Luiz de Abreu, Manás Laboratório de Dramaturgia, Marcos Moraes, Maria Rute, Mateus Jesus e CASTILHO, Natasha Corbelino, Os Crias e Tarina Quelho, Pavilhão da Magnólia, Preto Vidal, Rainha Kong, Regina França, Reinaldo Ribeiro, Ricardo Januário, Soledad Perez-Tranmar, Sonia Sobral, Tay O’Hanna, Teatro da Fumaça e Sobrilá Cia de Teatro, Teatro do Incêndio, Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, Thiago Catarino, Vinicius Bernardo, Walmick de Holanda. 

Trajetórias

O compromisso com o processo se reflete de forma concreta nos percursos de obras que passaram pela Farofa e, ao longo dos últimos anos, estrearam como espetáculos em importantes espaços culturais do país e fora dele. No Sesc Avenida Paulista, foram apresentados 1 peça cansada, com Natasha Corbelino, 28 Patas Furiosas, com Barulhos e Um Extraordinário Canto Experimental, de Bia Sano. No Sesc Ipiranga, esteve Chechênia, de Ronaldo Serruya, e no Sesc Vila Mariana, Como Surgiu a Noite, de Silvana Marcondes; a Bienal Sesc de Dança recebeu Cordeiros, de Alan Ferreira e Tony Hewerton, e Brinquedo, de Tiyê Macau. A Casa do Povo acolheu Black Machine, de Eugênio Lima e Fernando Lufer e o Miacena recebeu Escrevendo na Cova de Alguém, de Lena Giuliano, além de Descaminhos, do Em Trânsito, e do Um Clássico: Matou a Família e Foi ao Cinema, de Luiz Fernando Marques Lubi. O Teatro Ágora e o CCSP receberam Elisa em Fuga, da Sociedade Arminda. Também integraram esse percurso a Casa Farofa, com Diamba, de Luiz Navarro; o Festival Acessa BH, com Capengá!, de Estela Lapponi; o Itaú Cultural, com Taquesutaque, de Yasmin Gomes; e a circulação nacional de Antígona Travesti, de Renata Carvalho, que passou por diversos espaços. Esses trajetos reiteram o papel da Farofa como instância de experimentação, amadurecimento e projeção das obras.

Sobre a Farofa

A Farofa nasceu em 2020 como “FarOFFa — Circuito Paralelo de Artes de São Paulo”,  a partir de uma provocação da MITsp — Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, com um olhar voltado aos processos de trabalho e internacionalização. No mesmo ano e já em plena pandemia, o coletivo realizou a 2ª edição, denominada “FarOFFa no Sofá”, e se debruçou a pensar sobre a memória da cena. O ano de 2021 é marcado por duas edições: a “OcupAÇÃO FarOFFa”, 3ª edição, que reuniu durante quatro dias cerca de 100 produtores, e 4ª edição, a FarOFFa a mil atravessa fronteiras e chega em Santiago, para participar do Platea 21, encontro internacional de programadores e profissionais das artes cênicas, parte da programação do Festival Santiago a Mil.


Em 2022 foi realizado o “Dispositivo FarOFFa”, a 5ª edição. No formato de um pra um, no quintal, na rua, no jardim ou na praça, um artista e um público se encontraram, para contar e ouvir histórias. Neste ano aconteceu também a “FarOFFa do Processo 2022”, 6ª edição,  que reuniu pesquisas que em estágios diferentes e suas múltiplas perspectivas. Após experimentar múltiplos formatos, em sua 7ª edição (2023), foi realizada a “Faroffa Zona”, uma edição na qual a dinâmica consistia em abrir a porta da Kombi “Joyce Sunshine” e partir pela cidade de São Paulo, em diálogo com diversos contextos e construção coletiva. Em 2024 a Farofa ganhou novos contornos, por isso o nome não inclui mais os dois “Fs”. Em 2025, a Farofa realizou uma edição especial ocupando o prédio da Funarte, com mais de 100 horas de atividades, em sua 9ª edição.


Ficha Técnica

EQUIPE: Alba Roque, Alírio Assunção, Ana Emília, Anderson Nepomuceno, Anderson Vieira, Babi Sabino, Bento Carolina, Bianca Lorena, Bruno Fanin, Caetano Lars, Camiss Delfino, Casa Farofa, Cristiane Esteves, Danusa Carvalho, Dara Duarte, David Costa, denise alves, Edu Godoy, Ewe Pixain, Felipe Medeiros, Fernando Pivotto, Gabi Gonçalves, Gabriel Assis, Gabs Ambròzia, Gisely Alves, Graci Fiori, Jack dos Santos, Jess Makandal, Jimmy Wong, Juliana Augusta, Keila Maschio Pires, Khazar Masoumi, Leo Devitto, Letícia Alves, Lucas Cardoso (Luquete), Maria Fernanda Coelho, Mariana Ruiz, Marô Zamaro, Math França, Matheus Espessoto, Natasha Corbelino, Nathália Christine, Paloma Freitas, Phillip Marinho, Rodrigo Fidelis, Rubim Arte e Cultura, Solaria Steven, Tamara Andrade, Teatro da Vertigem, Teatro do incêndio, Teatro Estelar, Teatro Manás Laboratório, Thaís Venitt, Valmir Paulino, Vanessa Bruna e Yara Ktaish

FOTOS: Cacá Bernardes - Bruta Flor Filmes

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e  Marina Franco


Serviço

10ª Farofa do Processo

De 7 a 15 de março de 2026, das 11h às 22h 

OBS.: Os ingressos seguem o modelo “pague quanto puder”, com possibilidade de pagamento via cartão de débito, crédito ou pix no local, com exceção de Agropeça, com valores populares de ingresso (R$ 40/ R$ 20 (meia), via Sympla). Demais programações,  os ingressos serão disponibilizados uma hora antes das apresentações. 


Informações e programação completa em:

https://www.farofasp.com.br

https://www.instagram.com/farofasp/


Locais: 

Casa Farofa: Rua Treze de Maio, 240, Bixiga, São Paulo-SP

Teatro da Vertigem: Rua Treze de Maio, 240, 1° andar, Bixiga, São Paulo-SP

Teatro Estelar: Rua Treze de Maio, 120, Bixiga, São Paulo-SP

Teatro do Incêndio: Rua Treze de Maio, 48, Bixiga, São Paulo-SP

Teatro Manás Laboratório: Rua Treze de Maio, 222, Bixiga, São Paulo-SP

Bar da Angela — R. Treze de Maio, 233 — Bela Vista, São Paulo-SP

Casa da vizinha — Maria de Lourdes Inácio — R. Treze de Maio, 242 — Bela Vista, São Paulo-SP.