por Eduardo Ezus__



 

por Iaranda Barbosa__

 


 

por Taciana Oliveira ___

 


por Marcelo Maria Azevedo__

 

 por Argentina Castro__




 por Taciana Oliveira__




Uma entrevista com a autora de “Todas as mães são tiranossauras”, Marcela Maria Azevedo


1 – O seu primeiro livro compartilha não apenas de uma estruturação poética vigorosa, é um mergulho na ancestralidade feminina em um delicado percurso biográfico. “Todas as mães são tiranossauras”, Editora Urutau, é também uma obra entre o luto e a memória?


 Sim. E eu não saberia descrever melhor. É curioso pensar como o processo de luto, no atravessamento que ele exige, é também um trabalho de resgate e reconstrução da memória. A minha mãe faleceu quando eu tinha apenas cinco anos de idade, uma época tão antiga e desde sempre tão longínqua em minha vida, pelo traumático que ela carrega, que eu já quase não tenho mais lembranças. Acho que é desse mesmo processo que vem também o trabalho com a fotografia que aparece em meu livro, porque antes mesmo de eu colocar meu corpo na cena das imagens, pensar as fotos que o compõe, fiz um mergulho profundo nas fotografias da minha mãe, na tentativa de resgatar esse instante para sempre perdido e irrecuperável que uma fotografia representa, mas que é também um instante de vida eternizado. É como se esse trabalho com a memória me revelasse a potência do poético, em construir um retalho, juntar os fragmentos, dar lugar a essa perda e construir com esse vazio. A poesia permite coabitar a morte e a vida: eis a sua mágica.

     


 2 - O documentarista Carlos Nader afirma que o verso do poema “W.S.: CARTA ABERTA A JOHN ASHBER”Y , de  Wally Salomão, “ A memória é uma ilha de edição”,  vale não apenas para as lembranças daquilo que vivemos, mas também do que sonhamos”. Na concepção do seu “Todas as mães são tiranossauras” é possível se situar nesta afirmação? Pode explicar pra  gente?


Acho que sim. E isso tem muito do que falei anteriormente. Se a gente pensar que nossa vida é um movimento contínuo, onde várias coisas e acontecimentos – pela sua própria desimportância – perdem-se ou não se fixam, a memória se realizaria justamente por ser esse lugar onde algumas coisas se guardam – e quase sempre em detrimento de nossas próprias escolhas. Pequenos pontos, pequenos acontecimentos, passagens, afetos, que são retirados de sua sucessão cronológica e colocado em relação com um mundo outro que já está ali.

É bonito pensar o preparo e a edição de um filme, por exemplo, e sobre como a partir de um fotograma, a unidade mínima de uma película, é possível construir uma ilusão de movimento. Um fotograma é uma imagem parada, morta, uma pausa no transcurso de um acontecimento, mas quando é sucedido por outro e outro e outro, e a depender do que vem depois, tem-se a impressão de que aquilo é contínuo, como o próprio acontecer de uma vida. O genial da metáfora é situar que entre essa unidade mínima e o movimento contínuo – que é um filme, uma vida – há uma disjunção, uma descontinuidade. Imagino que é assim a memória, essa ilha onde se guardam as descontinuidades, os pontos soltos, os acontecimentos distantes, todos os retalhos miúdos de uma vida que a gente faz o esforço de conectar pra poder contar nossa história, nossa narrativa. Penso que é aí também que habita o que é próprio ao trabalho artístico, pois nesse esforço de construir uma continuidade para o descontínuo, o que fazemos é não apenas edição, mas também invenção.

 

3 – É perceptível a intertextualidade nos teus poemas, como no "O que me ensina Germaine Krull sobre o meu nu feminino".  Quem você citaria como referência para tua formação?


 Eu acho que tanta gente. Na construção de uma escrita, de um estilo, precisei me apoiar em tantas vozes pra dar lugar e sentido ao que era meu. Mas curiosamente quem me vem de imediato como referência não é nenhuma poeta ou fotógrafa, mas o Roland Barthes. Acho que recentemente ele foi meu grande companheiro nas reflexões sobre a morte, a mãe, a fotografia, o trabalho biográfico com a escrita, a escrita de uma vida e aquilo que não se escreve.

Não tenho como deixar de citar também o Max Martins, meu poeta favorito. A Marguerite Duras, que eu leio e releio incansavelmente. Entre os fotógrafos a Germaine Krull, a Francesa Woodman, o Bresson. Eu colocaria nessa lista também a cineasta Agnès Varda, com o jeito tão sutil de fazer filme e fazer memória. O Cortázar. O Drummond. A Adélia Prado, que é a única poeta que já me visitou em meus sonhos.

 

AUTORRETRATO/Fotografia: Renato Salgado . Composição: Marcela Maria Azevedo

4 – A psicanalista Silvia Leonor Alonso, em seu artigo para revista Cult, ‘O tempo que passa e o tempo que não passa', escreve: "O tempo do inconsciente não é um tempo que passa, é um 'outro tempo', o tempo da 'mistura dos tempos', o tempo do 'só depois', o 'tempo da ressignificação'."  No seu livro você descortina na memória um percurso de sensações, uma arqueologia dos sentidos onde se fazem presente o não pertencimento e a ausência materna. De que forma essas experiências te ajudaram a construir sua percepção do tempo presente frente ao cenário caótico do nosso país?

 

 É engraçado, mas ao longo da pandemia, ao longo dos últimos e sofríveis anos para nós brasileiros, eu tenho refletido tanto sobre o tempo. Sobre a forma como ele, apesar de tentarmos fazê-lo encaixar numa cronologia mensurada pelo calendário, pelos relógios, é absolutamente avesso a isso. O tempo é justamente o que nos escapa a cada momento, pois a cada tentativa de apreendê-lo, ele já se foi. O fato desse livro, que já se escrevia há tantos anos em mim, ter nascido exatamente nesse momento tão crítico e caótico, me fala de um duplo movimento: de um lado o luto diário, demorado e arrastado que o brasil nos obriga a viver, e que me faz reexperimentar com uma urgência inédita o luto pela morte precoce da minha mãe – como se a dor da morte, essa das 537 mil famílias que o genocídio nos fez descobrir, eu conhecesse com alguma intimidade; e de outro lado, talvez pela minha própria intimidade com a morte, essa que foi cedo demais pra mim, vem esse grito, essa resistência que o livro representa, essa insistência que a poesia pede pela vida.      

Então eu diria que o processo de recuperação, construção e edição da memória, esse que converge com a produção do meu livro, não é jamais alheio ao mundo. A vida presente me faz tocar de modos distintos no meu passado, assim como o meu passado, as marcas que ele me deixou, me prepara de um jeito muito singular para um futuro – seja pra sonhar, ou pra resistir.  Assim, o que talvez seja mais valioso de pontuar é que o Todas as mães são tiranossauras, ainda que tenha como núcleo a morte primeva da minha mãe, também fala da construção de uma mulher, de uma mulher nesse tempo presente, nessa atual configuração de mundo, nesse Brasil extremamente frágil e tão apto a abrir tantas cicatrizes em nós.

 


5 – Você se define como “uma errante na vida e na poesia”. Conta um pouco da tua trajetória. Até que ponto essa errância influenciou na sua formação como poeta, psicanalista e mulher?


Essa pergunta me fez lembrar do poema de sete faces do Drummond: “vai carlos! Ser gauche na vida”. Eu acho tão simbólico pensar que ele, o Drummond, que foi também um funcionário público, tão preparado para o trabalho com as burocracias, um dia se vestiu de anjo e disse a si mesmo, “vai carlos! ser gauche na vida”, nessa vida aparentemente tão certa, tão reta. Acho que desde cedo esse verso me acompanha e me ensina o parentesco entre a poesia e a errância, porque eu acho que ela nasce mesmo nos desvios, no incerto. Não está nos caminhos óbvios, retilíneos, mas num jeito meio torto de olhar e perceber como essa disposição de mundo por outros ângulos nos mostra perspectivas bonitas do que a princípio era só mesmo.

E na minha trajetória isso se incorpora de um jeito muito particular, porque até os cinco anos de idade, ano em que a minha mãe morre, eu morei em muitos lugares: nasci em Petrolina, morei lá por dois meses que já não lembro, depois fui para a Bahia, voltei pra Pernambuco, fomos pro interior de São Paulo e logo após a morte da minha mãe mudamos pra Belém, onde fiquei por quase toda minha vida. Saí de lá adulta, pra estudar e pesquisar, fui pro Rio de Janeiro e hoje moro em São Paulo. E sigo com uma sensação insistente de não saber exatamente qual o meu lugar nesse mundo, onde fica o cantinho que eu posso chamar de lar, ou qual o território que vibra mais em meu corpo. Isso, certamente, faz eco nos meus poemas. Porque na poesia cabe tudo o que não tem lugar, os jeitos gauches de experimentar o mundo – e Drummond nos ensina que isso não tem nada a ver com o que prescreve as aparências, mas sim com a própria sensação singular de deslocamento, de diferença. A gente se inventa na poesia com as errâncias de uma vida.

 




Marcela Maria Azevedo é uma errante – na vida e na poesia. Nasceu num 29 de fevereiro – o dia mais raro do mundo – na cidade Petrolina-PE e, talvez por isso, por carregar a raridade do mundo na carne, tenha feito sua trajetória atravessando o país de leste a oeste, de norte a sul. É também pesquisadora das palavras, faz doutorado em teoria psicanalítica, onde estuda a obra do poeta Max Martins, seu favorito, o que a garante também ser uma pesquisadora do amor. Seu primeiro livro ~ todas as mães são tiranossauras ~ será lançado em 2021 pela editora urutau.

 








Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem

 por João Gomes___

 

Luis Graterol

 

por Divulgação__




 por Adriane Garcia___

 



 por Allysson Casais__

 


 

por João Gomes__

 

Foto: Sérgio Lima/ no portal Poder 360

 por Áurea Silva de Holanda__

 

Foto: Annie Spratt

 Hoje acordei mais cedo e resolvi ler um pouco antes de começar a trabalhar. Estou curiosa com o capítulo final do livro que venho lendo ao longo da última semana. Concentrada na leitura, percebi com dificuldades que uma voz delicada se dirigia a mim.

- Bom dia! Podemos conversar um pouco?

- Quem está aí? – Estava sozinha em casa e o medo me fez tremer por inteiro. A voz vinha do banheiro e, mesmo apavorada, fui até lá.

- Sou eu. Fui escolhida pelas minhas amigas para falar com a senhora. Afinal de contas, sou a mais antiga da casa.

Era minha toalha de rosto cinza. Era linda, com croché na ponta e um belo bordado em flor feitos pela minha mãe. A idade tirou um pouco de sua maciez, mas continuava sendo utilizada. Aqui em casa, os idosos têm o seu trabalho valorizado, não sendo trocados facilmente por jovens sem experiência. Ainda assustada, respondi com suavidade.

- Olá, que honra poder lhe ouvir. Há anos você me faz companhia e nunca trocamos ideias, não é mesmo? Vocês, Toalhinhas, têm demandas? Não estão sendo bem tratadas?

- Não é sobre isso. Somos muito bem tratadas aqui na sua casa.

Respirei aliviada, pois prezo pelo respeito a todos os seres, inclusive os teoricamente inanimados.

- A gente tem percebido que, ultimamente, a senhora tem nos utilizado em situações e lugares incomuns.

- Como assim?

- Sempre fomos usadas no seu banheiro para o trabalho padrão de uma toalhinha: enxugar mãos e rostos depois de lavados. 

- Continuo sem entender.

- Nos últimos tempos, temos sido deslocadas de função e de lugar. Passamos a lhe acompanhar por toda a casa e a enxugar suas lágrimas. E elas são muitas, viu? A senhora não tem medo de se afogar?

E, antes que eu pudesse respondê-la, continuou:

- Chora por tudo, seja notícia boa ou ruim, se emociona até com o vento, quando ele entra pela janela de um jeito diferente. Falei para as minhas amigas, mais jovens na casa, que a senhora não era assim quando cheguei por aqui.

- Você tem razão. Até o pessoal da família comenta que não sou mais a mesma. A verdade é que passei muito tempo guardando minhas emoções dentro de mim e até adoeci por causa disso.

- Sério? Não sabia que isso podia acontecer. É que não entendo muito desses assuntos de humanos... Acho que nós, seres toalhas, somos mais descomplicados.

- Pois é... É possível sim.

- E, sem querer ser intrometida, como foi que conseguiu mudar?

- Ah, isso foi um longo processo que exigiu persistência e força de vontade. Tive ajuda de pessoas especiais também, sem as quais não teria conseguido. Tenho um profundo sentimento de gratidão por elas.

Ela me escutava com atenção e senti-me à vontade para continuar.

- Quando eu não conseguia externar minhas dores, sentia um aperto no peito e na garganta. Faltava até o ar... De vez em quando, isso ainda acontece, mas sigo em frente. Sempre em frente.

- E as alegrias?

- Acredita que até as manifestações de alegria eram contidas? Faltava vibração, emoção mesmo! Hoje, sinto a alegria percorrendo todo o corpo, é uma delícia! Obviamente, as lágrimas de alegria também não podem faltar, né? – falei sentindo meu rosto ficar vermelho.

E continuei:

- Tenho percebido que sentir é viver! Assim, alegre ou triste, deixo a emoção chegar e se manifestar livremente. Sou mais feliz assim!

A conversa fluiu e não percebi o passar do tempo. Era hora de me despedir, mesmo que o coração pedisse para ficar.

- Adorei estar com você, mas preciso trabalhar. Antes de ir, gostaria de saber seu nome. Estamos conversando há tanto tempo e eu nem perguntei.

-  Chamo-me Cinza em Flor.

- Muito prazer, Cinza em Flor! Saiba que já lhe admirava como profissional e agora ainda mais enquanto “ser toalha”.

- Obrigada! O prazer foi todo meu!

- Ah, uma última perguntinha. Gostaria de saber se este desvio de função tem lhes causado problemas. Não gostaria de causar incômodos a nenhuma das minhas toalhinhas.

- Na verdade, estávamos preocupadas com a senhora. Mas, depois da nossa conversa, fiquei tranquila. Falarei com minhas amigas e tenho certeza de que elas receberão as notícias com alegria. A senhora sabe, né? Quando a gente mora na casa das pessoas, a gente sente afeto por elas.

- Que bom saber disso! – falei com a voz embargada de emoção. As lágrimas não tardaram a escorrer pelo rosto e, olhando para Cinza em Flor, perguntei:

- Posso?

- É claro que sim!

Passei Cinza em Flor delicadamente em meu rosto para enxugar as lágrimas e agradeci a dedicação ao longo dos anos. Amanhã é dia de troca de roupa de banho, é hora de Cinza em Flor se perfumar e repousar. Merecido descanso!

 

 




Áurea Silva de Holanda
: professora do curso de Engenharia Civil da UFC, navega entre a lógica e a poesia, escreve fórmulas matemáticas e contos, desenha geometria e mandalas. Faz da literatura o amor que se expressa na palavra sensível. Integra o Coletivo Insopitáveis de cientistas-poetas, com participação no livro Leveza e Escrita Experimental.

por Lisiane Forte__


Imagem de Stefan Keller, por Pixbay


 

por Valdocir Trevisan__


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 por Thais Guimarães__

16/07/2021      11:06      Atualizado 


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Equipe médica descartou cirurgia de emergência. Presidente se queixava há dias de dores abdominais e soluços contínuos. Após exames clínicos, laboratoriais e de imagem, os médicos optaram por um tratamento conservador e convocaram os neurolinguistas. Foi identificado que o excesso de declarações escatológicas gerou “um acúmulo de merda” (SIC) no corpo do paciente e que ele precisará se submeter a um tratamento severo de reeducação, envolvendo todos os aspectos neurais, de linguagem e cognitivos, incluindo o difícil aprendizado da empatia para com o povo brasileiro. Segundo especialistas, “a língua é um reflexo do que ocorre no corpo e, por sua vez, o corpo fala”. As manifestações do corpo são regidas por princípios subterrâneos e podem ser afetadas por fatores genéticos. Nesse sentido, identificou-se que, no cérebro do Presidente, há um tipo de microbiota habitada por famílias de vírus letais e desconhecidos que passam pela língua e se manifestam na linguagem. Por isso, esse tratamento está sendo considerado um verdadeiro desafio para a equipe da chamada PNL (Programação Neurolinguística).


 Por outro lado, a junta de psiquiatras, que está avaliando o caso, foi categórica no diagnóstico: há dois transtornos de personalidade evidenciados – antissocial e narcisista – formando um quadro de sociopatia grave e que precisa ser tratado em manicômio após o controle da “merda residual” aderida ao cérebro do paciente, entupindo seus pensamentos.  Isso contraria os peritos criminais, que defendem o julgamento e a prisão imediata, após avaliação e limpeza da “merda”, também, espalhada no âmbito externo.


 Há, ainda, a análise da equipe especializada nas Sagradas Escrituras (nas quais o paciente se ancora), endossando a necessidade de um tratamento conservador inicial, afirmando que o Presidente violou de forma grave o Verbo, chamando para si o julgamento de um Deus vingativo. Pois, segundo os especialistas, o uso indevido do Verbo somado com atos perversos pode provocar reações físicas inesperadas, identificadas pelos crédulos como “castigo divino”. 

 

De todo modo, está evidente que a situação do Presidente é bastante complexa, já que “merda” acumulada é elemento de grande potência obstrutiva, tanto sob o aspecto físico, quanto no plano espiritual.


 Apesar da consistência do tratamento conservador indicado, os céticos defendem que não há remédio e nem cura para o paciente, e que o povo brasileiro precisa tomar diariamente um banho de descarrego para se livrar do encosto.

 









Thais Guimarães, mineira, nascida no Ceará, é poeta e escritora.  Publicou - Jogo de Cintura; - Dez Pretextos para uma noite de solidão; - Jogo de Facas;  - Seis Poemas;  - Notas de Viagem;  - A Poetisa (que ganhou 1º LUGAR NA OFF-FLIP/2019) e  Uma praça chamada Liberdade (escrito em parceria com o poeta Carlos Ávila).  Ganhou um Prêmio Jabuti, em 1988, com o infantojuvenil - Bom Dia, Ana Maria. E publicou, em abril deste ano, o infantil “Senhor Relógio”, com ilustrações de Silvana de Menezes. Desde os anos 1980, coordena, pontualmente, oficinas de escrita para jovens e para professores.  Paralelamente, trabalha no setor do audiovisual, tendo sido coautora do roteiro do documentário “Obra Falada”, que mostra como as pessoas com deficiência visual constroem suas relações com as obras de arte contemporânea.