MacacuCine celebra 20 anos com 184 filmes de 16 estados e nove países

 

Esses dias me viram na rua | Kesya Ribeiro-UESC-BA

Festival Internacional de Cinema Escolar acontece de 14 a 23 de agosto, em Cachoeiras de Macacu, com programação gratuita presencial e online e produções que discutem educação, diversidade e questões de gênero

O cinema realizado dentro e a partir do ambiente escolar ocupa as telas de Cachoeiras de Macacu, na região serrana do Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 23 de agosto. Em sua 18ª edição, o MacacuCine – Festival Internacional de Cinema Escolar celebra 20 anos de trajetória com a exibição de 184 filmes de 16 estados brasileiros e nove países, entre curtas, médias e longas-metragens.

Considerado o maior festival de cinema escolar do Brasil, o evento terá sessões gratuitas em diferentes espaços da cidade e parte da programação disponível online, pelo YouTube e pelo site do festival. A expectativa da organização é receber cerca de seis mil espectadores, em sua maioria estudantes da rede pública de ensino. A edição comemorativa também registra um recorde de inscrições. Foram 402 filmes enviados por realizadores de 21 estados brasileiros e dez países, número que evidencia a expansão alcançada pelo festival desde sua criação, em 2007, pela Associação Cultural Vale do Macacu.

Voltado à utilização do audiovisual como ferramenta de educação, formação e expressão, o MacacuCine reúne trabalhos produzidos por estudantes e educadores, além de obras relacionadas ao universo escolar. A seleção deste ano apresenta diferentes temas observados a partir da perspectiva de jovens realizadores, entre eles identidade, gênero, diversidade e relações homoafetivas.

Diversidade e questões LGBTQIAPN+ nas telas

Entre as produções selecionadas está Faça uma Pose, dirigido por Alek Lean, de São João de Meriti (RJ). O filme investiga uma coletânea de fotografias dedicadas ao registro do afeto entre pessoas negras do mesmo sexo, especialmente homens, entre as décadas de 1940 e 1970, período marcado pela repressão aos direitos LGBTQ+. 

Esses Dias me Viram na Rua, de Drika Alves e Kesya Ribeiro, de Itabuna (BA), volta seu olhar para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de rua em Ilhéus, acompanhando duas histórias para abordar uma realidade frequentemente invisibilizada.

Still | Azul, filme de Luísa Pinheiro de Andrade

A perda e o amor estão no centro de Azul, de Luísa Pinheiro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. O filme acompanha Celine, uma jovem cantora abalada pela morte inesperada da namorada. Uma reviravolta oferece à personagem a possibilidade de se despedir e encontrar algum consolo.

A produção argentina Quién Quiero Ser | Quem quero ser, realizada por Rocío Müller, Martina Correa, Nicoles Carbajal, Julieta Almaraz e Celeste Quiroz, utiliza a técnica de stop-motion para tratar da diversidade de identidades e das possibilidades envolvidas na construção de quem se deseja ser.

Também integram a seleção Epílogo, de Wane Travasso, sobre uma jovem que encontra uma maneira peculiar de manter próxima a memória da namorada que morreu, e Menino do Guarda-Chuva Vermelho, de André Miranda, da Universidade de Brasília (UnB). Neste último, o encontro entre Gael, um jovem trans de 19 anos, e outro rapaz conduz uma narrativa voltada aos vínculos e às possibilidades de felicidade construídas no presente.

Competição e participação popular

Os 184 filmes estão distribuídos em cinco mostras, sendo três competitivas e duas não competitivas. Disputam o Troféu Paschoal Guida e prêmios em dinheiro as produções da Mostra Escolar, nas categorias Nacional e Internacional; da Mostra Universitária, também dividida entre Nacional e Internacional; e da Mostra de Micro Curtas.

Esta última reúne 21 produções com duração máxima de 30 segundos. Enquanto os filmes das mostras Escolar e Universitária poderão ser assistidos e votados pelo público a partir das 18h do dia 14 de agosto, no canal do MacacuCine no YouTube e no site oficial, os microcurtas serão exibidos nos Stories do Instagram, onde também acontecerá a votação.

Completam a programação as mostras não competitivas Livre e MICE Cuba (Muestra Internacional Cine Educativo). A seleção cubana reúne produções realizadas por crianças e acrescenta à programação diferentes perspectivas sobre infância, educação e produção audiovisual.

Criado em 2007 pela Associação Cultural Vale do Macacu, o MacacuCine desenvolveu ao longo de duas décadas uma atuação voltada à aproximação entre cinema e educação. Segundo dados da organização, foram realizadas 18 edições no Brasil, quatro na Argentina e quatro no Uruguai, com mais de 1.800 filmes exibidos. As ações envolveram diretamente mais de 50 escolas e alcançaram mais de dez mil estudantes, a maioria pertencente à rede pública.

Nos últimos anos, o festival também expandiu sua presença internacional, incorporando à seleção produções da América Latina e da Europa.

“Nos últimos cinco anos, o festival ampliou seu alcance e passou a incluir produções não apenas de todo o Brasil, mas também da América Latina e da Europa. Nossa missão é fortalecer o audiovisual como ferramenta de ensino e aprendizagem, promovendo a troca de experiências, o pensamento crítico e a formação de novos olhares”, afirma Filipe Gonçalves, coordenador de produção do festival.

Essa proposta não se restringe aos dez dias de programação. Ao longo do ano, o MacacuCine realiza atividades formativas nas escolas, com oficinas de roteiro, produção e edição audiovisual. O festival mantém ainda projetos permanentes, entre eles o MacacuCine nas Escolas, dedicado à realização de oficinas na rede pública; o Circula MacacuCine, que promove sessões itinerantes em áreas rurais; e o Macacu Cineclube, com exibições comentadas.

Também fazem parte das iniciativas o Portal CinEduca, plataforma gratuita de streaming de filmes escolares e materiais pedagógicos; o MacacuCine Lab, destinado ao desenvolvimento de projetos e à experimentação audiovisual; e o Conecta MacacuCine, mercado-seminário voltado à formação e ao encontro de jovens realizadores.

Dez dias de cinema em Cachoeiras de Macacu

As sessões presenciais estarão distribuídas por três espaços no Centro de Cachoeiras de Macacu. O principal será uma tenda instalada no pátio do Centro Cultural do Antigo Quintino, com capacidade para 150 pessoas e funcionamento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. A organização estima que aproximadamente cinco mil visitantes passem pelo espaço, entre eles três mil estudantes. O Ponto de Cultura Vale do Macacu, única sala de cinema do município, também receberá exibições, com capacidade para 30 espectadores e funcionamento nos mesmos dias e horários. A programação presencial será complementada por três sessões gratuitas de longas-metragens em um telão instalado na praça central da cidade.

O 18º MacacuCine – Festival Internacional de Cinema Escolar é realizado pela Associação Cultural Vale do Macacu, com produção da Rapsódia Empreendimentos Culturais e apoio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, SECEC RJ, AMO, Rota 116 e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).


 Faça uma Pose | Alek Lean, de São João de Meriti (RJ)

SERVIÇO

18º MacacuCine – Festival Internacional de Cinema Escolar
Período: 14 a 23 de agosto
Local: Cachoeiras de Macacu (RJ) e programação online
Entrada: gratuita
Programação online: canal do MacacuCine no YouTube e site oficial do festival
Instagram: @macacucine

Programação completa de 2026 no site do Festival Macacu Cine, a partir das 18h do dia 14/08: macacucine.com.br