Laudelinas XXIII
A 23° edição da Revista Laudelinas chega no momento em que encontramos, mais uma vez, o país dividido. E, para minha surpresa, talvez ainda maior do que em outros momentos da história recente, percebemos um Brasil no qual o extremismo, o negacionismo e o retrocesso continuam a ter o respaldo de uma parcela significativa da sociedade brasileira.
De um lado, a defesa de um projeto progressista, que reconhece a necessidade de transformações sociais e entende que conquistas precisam ser preservadas e ampliadas. Do outro, a proliferação de discursos que ameaçam os direitos das mulheres, relativizam a proteção do meio ambiente e colocam em questão princípios fundamentais de soberania e justiça social.
É nesse cenário que chegamos a mais uma edição da nossa revista. E talvez seja justamente em tempos assim que uma publicação dedicada às mulheres, à cultura, à memória, à diversidade e aos direitos humanos precise deixar ainda mais claro o por que da sua existência.
Estamos aqui não somente para observar o que acontece ao nosso redor, mas para registrar as contradições do nosso tempo, provocar debates, conquistar novos espaços e continuar lutando por uma sociedade mais justa, plural e democrática.
Somos mulheres que encontram em suas manifestações artísticas uma forma de denunciar, enfrentar a insensatez e as injustiças que recaem, sobretudo, sobre as minorias.
Infelizmente, chegamos a um tempo em que assistimos, pelas telas dos nossos celulares, à morte de milhares de pessoas, enquanto o mundo parece incapaz de assumir uma posição verdadeiramente humanitária diante da barbárie.
O mundo retrocedeu. E o Brasil também. Denúncias graves de corrupção deixam de provocar indignação, o ódio passa a orientar escolhas individuais e não coletivas, ou aquilo que deveria ser inaceitável é incorporado à normalidade. Retrocedemos quando a soberania e as riquezas de um país são colocadas à disposição dos interesses de grandes potências econômicas.
Até quando o desprezo pelo outro e a intolerância religiosa serão naturalizados como parte de uma disputa eleitoral?
Há um limite entre divergência política e ameaça à democracia e à própria ideia de humanidade. É desse lugar que a Laudelinas escolhe existir.
Taciana Oliveira | Editora
Download da revista: clica aqui
Participam dessa edição: Adriane Garcia, Ana Márcia Diógenes, Angella Saturnino, Argentina Castro, Assionara Souza, Conceição Rodrigues, Cyda Olímpio, Fernanda Araruna, Isabella Albuquerque, Laura Redfern Navarro, Maria do Carmo Ferreira, Maria Carolina Machado, Mariela Mei, Mila Nascimento, Mô Ribeiro, Silvana Guimarães, Taciana Oliveira, Tânia Castro e Virginia Maria Neves Baptista.
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