Só me canso depois que não vejo mais sentido fazer certas coisas

por Taciana Oliveira__



Miguel Rude é natural de Natal, Rio Grande do Norte. Formado em Artes Plásticas pela UFRN, é professor, ilustrador, caricaturista, ativista e pai. Em nossa conversa pontua: Não existe autodidata. A não ser que você more numa ilha"
1 - Há quanto tempo você atua no mercado?
Desde 1998 produzia fanzines, e aqui e acolá fazia esboços para pessoas que pediam projetos. Não me sentia seguro de desenhar. Mas fazia o esboço das ideias e repassava para os desenhistas que produziam comigo os zines da época. Abri uma loja em 2008 e terceirizava algumas coisas. No final das contas tive que fazer eu mesmo muita coisa, porque as pessoas começaram a se ocupar com seus projetos pessoais.
2 - Quais suas principais influências?
Em termos de traço, acho difícil citar um nome. Não tenho realmente alguém que me influenciou. Mas em relação a arte-final, vou citar o estilo mangá. Na produção de mangás é raro creditar assistentes. Acho que na arte-final ocidental posso citar apenas um cara chamado Dale Keown. Nacionalmente me inspiro mais na carreira e filosofia de vida do Maurício de Sousa, Ziraldo, Laerte, Angeli, Max Andrade e Thiago Spyked.

by Miguel Rude

 3- Fala um pouco da tua formação como caricaturista/ilustrador.
Muitos "floreiam" suas história de vida e sofrimento até a chegada ao topo. Eu nunca cheguei no topo de nada . A verdade é que sempre fui muito inseguro em arrumar um emprego formal, de carteira assinada e fazer alguma besteira e ser sempre demitido. Meu último emprego formal foi assim. No período de experiência fui despedido por falar o que penso. Então na verdade, sempre procurei fazer algo que não me obrigasse a procurar um emprego padrão. E como já falei, a demanda para alguns profissionais era grande. Tive que arcar com os pedidos que surgiam. Assumir um filho também me obrigou a procurar por mais e mais serviços .

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4 - Quais nomes você acha importante no cenário?
Nos quadrinhos, cito o Load , o Hugo Canuto , o Max Andrade e o Thiago Spyked,. Cada um na sua. Cada um com um motivo. Mas acho que sempre fazer uma releitura do Mauricio, acompanhar suas tentativas de renovar o mercado, é válido. O Ziraldo, Laerte e Angeli também. Na caricatura, acho que só posso citar mestre Baptistão, mesmo!
5 - Você já me falou do seus trabalhos ilustrando livros para uma editora de Natal. Comenta um pouco sobre esse e outros trabalhos
Como falei, sou muito preguiçoso. Não desses que não quer fazer as coisas. Eu passo o dia 
desenhando, se possível Só me canso depois que não vejo mais sentido fazer certas coisas. Então já fiz quadrinhos, tive loja de caricatura, ilustrei estampa de camisa. E agora atuo na ilustração de livros. É um formato novo para expressar o meu trabalho. Não que eu tenha parado de atuar em outros formatos, mas costumo deixar claro, inclusive virtualmente, o que estou me dedicando. Então já escrevi quadrinhos pessoais e infantis para empresas. Colori também. Já atuei como arte-finalista de mangás no Brasil e no exterior. Fiz muita caricatura, antes, durante e depois do espaço que abri dedicado ao gênero. Atualmente ando esquentando os neurônios para produzir capas que expressem o conteúdo de livros para uma editora. Já realizei alguns desses trabalhos para Editora CJA e Jovens Escribas. Nesse momento estou produzindo um livro livro de RPG que envolve os mitos de Cthulhu e um romance sobre vampiros e seus clãs. Espero finalizar os dois e procurar novos desafios. Não sei o que será desse Brasil nos próximos quatro anos, com tanto disse me disse, Fake News e discurso de ódio. Mas ao menos espero que me deixem trabalhar em paz, e eu possa sustentar minha família,. Pra mim é o que vale.





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Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, cinema, café, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.