A inventora: À procura de Sangue no Vale do Silício | HBO GO

por Taciana Oliveira __



Em tempos de Cloroquina e das receitas medicinais ministradas pelas correntes de WhatsApp, nada mais educativo que assistir o documentário dirigido por Alex Gibney, sobre o apogeu e a queda de Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos, uma star-up bilionária da área de saúde, localizada no Vale do Silício. O documentário revela ainda, com uma narrativa objetiva e extremamente detalhada, o envolvimento de Elizabeth, comparada muitas vezes com fundador da Apple, Steve Jobs, com diversas figuras da política americana e celebridades de Hollywood. O filme proporciona uma leitura crítica sobre a contribuição da imprensa na construção e desconstrução do perfil de uma jovem empreendedora. É revelador observar a trajetória de uma mulher que investiu todas as suas energias na criação de uma farsa: uma máquina no formato de uma impressora a laser que faria diagnósticos a partir de uma gota de sangue. 

É igualmente constrangedor como Elizabeth conseguiu manipular instituições e personalidades públicas, como seu marketing pessoal promoveu a criação de uma lei no Estado do Arizona e credenciou a Theranos a continuar a receber investimentos no aporte de US$ 1 bilhão. O diretor Alex Gibney, em entrevista na época da estreia do documentário na HBO, falou para o jornal O Globo: Eu estava interessado na credulidade dos jornalistas que a colocaram nas capas de revistas, mas, também, dos investidores Eu acho que este caso diz muito sobre o capitalismo. É tudo baseado no “confie em mim”. Murdoch (Rupert Murdoch dono da Fox News) investiu US$ 125 milhões na Theranos sem olhar um relatório financeiro.

Elizabeth Holmes

O documentário A inventora: À procura de Sangue no Vale do Silício, 2019, é um importante instrumento para observarmos um conjunto de técnicas de comunicação que fomentam a pós-verdade e menosprezam a ciência. Não deixa de ser desesperador o relato dos funcionários e cientistas da Theranos amarrados a contratos de confidencialidade, e a triste realidade de como algumas empresas do Vale do Silício investem massivamente na mentira. 






____________________________________________

Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.