Exposição na Galeria Candido Portinari, na UERJ, aproxima nomes históricos, entre eles Fayga Ostrower, Anna Bella Geiger e Edith Behring, da produção de artistas contemporâneas. Mostra abre em 3 de setembro e tem entrada gratuita
Exposição na Galeria Candido Portinari, na UERJ, aproxima nomes históricos, entre eles Fayga Ostrower, Anna Bella Geiger e Edith Behring, da produção de artistas contemporâneas. Mostra abre em 3 de setembro e tem entrada gratuita
Três gerações de artistas brasileiras e mais de seis décadas de experimentação com a gravura encontram-se na exposição Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata, que abre nesta quinta-feira, 3 de setembro, na Galeria Candido Portinari, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Com curadoria de Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno, a mostra reúne 17 mulheres e lança um olhar sobre a participação feminina na história da abstração gráfica brasileira, das experiências desenvolvidas a partir dos anos 1950 e 1960 às pesquisas do século XXI.
Entre as artistas estão nomes fundamentais da gravura no país, como Fayga Ostrower, Anna Bella Geiger, Edith Behring, Anna Letycia, Renina Katz, Isabel Pons e Helena Lopes. Ao lado delas, trabalhos de Eneida Sanches, Inês de Araújo, Siwaju Lima, Elaine Arruda, Ana Takenaka, Kika Levy, Aline Besouro, Renata Basile, Laila Terra, Elisa Arruda e Adriana Moreno apresentam diferentes caminhos da produção contemporânea.
O título da exposição parte da astronomia. Uma nebulosa de reflexão é formada por gás e poeira interestelares que se tornam visíveis ao refletir a luz de estrelas próximas. A curadoria transporta essa ideia para o campo da gravura, propondo relações entre obras, artistas e períodos históricos, e procura identificar aproximações e diferenças surgidas no encontro entre gerações.
Um dos pontos de partida históricos da mostra é o Ateliê Livre de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), coordenado por Edith Behring a partir de 1959. O espaço teve importância na formação e na experimentação de artistas, entre elas Anna Letycia e Anna Bella Geiger.
Fayga Ostrower aparece nesse núcleo também pela relevância de sua produção teórica, enquanto os trabalhos de Renina Katz, Isabel Pons e Helena Lopes ajudam a estender o recorte para além do Rio de Janeiro, alcançando experiências desenvolvidas em São Paulo e Brasília.
Nebulosa gráfica evita, assim, apresentar a história da gravura abstrata a partir de um único território ou geração. O interesse está justamente nas conexões estabelecidas entre artistas que trabalharam em momentos e contextos distintos.
Essa perspectiva ganha continuidade nas obras contemporâneas. Xilogravura, litografia, gravura em metal, monotipia e serigrafia aparecem entre as técnicas presentes na exposição. Formas, manchas, gestos e matrizes são retomados e reelaborados pelas artistas, mostrando a permanência da experimentação gráfica e, ao mesmo tempo, suas transformações.
Com trabalhos produzidos desde a década de 1960 até a segunda década do século XXI, a exposição reúne obras provenientes de acervos institucionais, coleções particulares e dos próprios ateliês das artistas. O recorte também permite observar aproximações entre diferentes tradições da abstração. A histórica divisão entre abstração geométrica e abstração informal aparece colocada em perspectiva diante de produções posteriores, que retomam e transformam questões presentes nesses movimentos sem necessariamente permanecer presas às antigas classificações.
A exposição é resultado de uma pesquisa iniciada a partir dos estudos sobre Edith Behring e o Ateliê Livre de Gravura do MAM/RJ. Esse trabalho já havia dado origem às mostras Gravadas no Corpo, em 2024, e Órbitas Abstratas, realizada entre 2025 e 2026, ambas com curadoria de Ana Carla Soler.
Em Nebulosa gráfica, a investigação ganha a contribuição de Fernanda Pequeno, professora da UERJ e orientadora de Soler, cujas pesquisas acadêmicas se dedicam, entre outros temas, às artistas mulheres e à arte brasileira. O novo projeto aprofunda o encontro entre a produção histórica e as experiências atuais, colocando em diálogo artistas que ajudaram a estabelecer caminhos para a gravura abstrata e aquelas que hoje retomam a matriz, a mancha e o gesto a partir de outras perspectivas..
Serviço | Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata
Abertura: 3 de setembro de 2026
Visitação: até 30 de outubro de 2026
Local: Galeria Candido Portinari – UERJ
Curadoria: Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno
Entrada franca

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