Fictício, uma aposta que verbaliza ousadia.


por Taciana Oliveira


Com a proposta de “reunir, publicar e disseminar músicas não facilmente definíveis”, o selo Fictício aporta na cena  experimental nordestina, um território de intensa produção musical. Para os que estão na linha de frente do selo, CH Malves, Luã Brito, Matteo Ciacchi, Rafa Diniz, Renê Freire e Vitor Çó, "a música nordestina é muito facilmente contada de forma nordestinizada, que parece eternamente ressaltar a novidade e singularidade de estereótipos cansados. Mas intuímos que essa impressão é causada pela história contada pela metade. O excedente criativo costuma ser posto de lado quando não ajuda a contar essa história, vira figurante ou, na melhor das hipóteses, um coadjuvante inusitado com poucas falas memoráveis."
O selo tem seu núcleo de atividades operacional funcionando na capital paraibana, João Pessoa, mas parte da equipe atua no Ceará, Sergipe e Pernambuco. Concebido por alunos e ex-alunos da UFPB, a Universidade Federal da Paraíba é o ponto de partida para o nascimento do projeto. Foi a partir da experiência do grupo Artesanato Furioso, comandado por Valério Fiel, que os integrantes do selo vislumbraram possibilidades de um potencial mercado criativo: “A imensa variedade de espetáculos, parcerias e viagens produzidas pelo grupo nos deu a nítida impressão de estar espiando pela primeira vez através de uma fresta no esconderijo do excedente criativo do nosso entorno. Pessoas das quais não supúnhamos a existência apareciam com projetos impensáveis, obsessivamente arquitetados ou visceralmente vomitados, mas quase sempre efêmeros ou sub-documentados. Assumindo que há quem veja algum charme nessa sub-documentação, pensamos que algumas histórias são boas demais para não serem contadas.”
Fictício reverbera a multiplicidade de texturas sonoras e impõe uma nova realidade para o cenário. Uma aposta que verbaliza ousadia.
Abaixo, vocês podem conhecer alguns dos projetos já produzidos pelo selo.






Redes Sociais do Selo Fictício
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Taciana Oliveira é mãe de JP, comunicóloga, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.