Lirismo queer: Um coração azul infinito, de Rodolfo Hipólito
O poeta Rodolfo Hipólito apresenta Um coração azul infinito (Urutau,2025), seu segundo livro de poemas, no qual aposta em uma escrita confessional. Entre o prosaico e o poético, a obra reúne textos que abordam afetos, luto, família, esperança e a vivência LGBT, transformando experiências pessoais em experiência estética. Psicólogo de formação, o autor vê na escrita um espaço de elaboração e cura. Com referências que vão de Hilda Hilst e Caio Fernando Abreu a Patti Smith e Ocean Vuong, o livro traz uma poesia marcada pela honestidade emocional e pela assertividade da linguagem.
4 poemas de Rodolfo Hipólito em Um coração infinito
4.
e o que me importa
é que nesse poema
tu encontre
o que de mais bonito
posso te oferecer:
companhia
*
35.
redobrar cuidados
ao relembrar paixões
*
49.
você é bicha?
devia ter uns oito anos
quando li
no caderno de perguntas
da paula
apontado pra mim
eu nem sabia o que era bicha
assinalei o não
mais por medo
do que por sinceridade
*
54.
sabe amor
porque você tornou
meu mundo
maior e mais místico
feito uma nova
palavra
dessas raras e simples:
borboleta, libélula, cachoeira
e esse encontro foi como finalmente enxergar terra à vista
depois de tudo que nadei
descansar as pernas nesse seu colo quente
e respirar
e quero ainda por todos os anos
subir e descer essa montanha contigo,
capricórnio
que os deuses nos permitam
ficar no tamanho da paz
meu coração azul infinito
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| Foto: Fábio Audi (@fabioaudi) |
Rodolfo Hipólito nasceu em Campinas (SP), em 1987. Poeta, escritor e psicólogo. Como psicólogo trabalhou em um hospital psiquiátrico e esta experiência o moldou profundamente, atualmente trabalha na área clínica. Como escritor, publicou “Um livro quase bonito” (autopublicação) e “Um coração azul infinito” (Urutau, 2025). Gosta de pessoas, cafés, livros e girafas. Seu perfil do Instagram é @rodhipolito.


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