Programação no dia 1º de setembro apresenta pesquisa realizada com 976 estudantes e promove debate sobre ensino e presença das literaturas indígenas na educação
A relação de crianças e jovens com os livros, a formação de leitores e a presença das literaturas indígenas nas escolas estarão em debate na III Jornada de Literaturas Indígenas, promovida pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), no dia 1.º de setembro, em Porto Seguro. O Festival Caju de Leitores participa da programação em dois momentos, com a apresentação de uma pesquisa pela manhã e a realização da mesa-redonda Varanda Indígena à noite. Das 9h às 11h, no Centro de Cultura de Porto Seguro, serão apresentados os resultados da I Pesquisa Caju de Leitores, realizada pela JLeiva Cultura e Esporte com 976 estudantes. O levantamento investigou a relação de crianças e jovens de escolas indígenas de Porto Seguro e do distrito de Caraíva com os livros e a leitura em diferentes contextos escolares.
Os dados poderão contribuir para ações de formação de leitores e para o desenvolvimento de políticas e projetos culturais e educacionais na região. A apresentação será conduzida por Gabriela Rodella de Oliveira, professora da UFSB, mestre e doutora na área de Linguagens e Educação.
A parceria em torno da Jornada ocorre desde 2022 e começou com formações destinadas a professores indígenas, sendo posteriormente estendida a outros docentes e estudantes. Para Gabriela, a edição deste ano permite aproximar pesquisa, formação docente, universidade e território, além de preparar professores e alunos para as atividades do festival.
“Neste ano, a III Jornada terá dois momentos importantes: a apresentação da pesquisa, que permitirá conhecer melhor esses jovens leitores e discutir os dados produzidos a partir de suas próprias respostas; e a Varanda Indígena, cuja proposta é aprofundar a discussão em uma perspectiva mais acadêmica, pensando especialmente na formação dos licenciandos e licenciandas e no trabalho com as literaturas indígenas na escola”, afirma.
Literaturas indígenas e educação
Às 19h, a programação segue no Campus Sosígenes Costa, da UFSB, com a Varanda Indígena. A mesa-redonda reúne Vanessa Guarani Ratton, professora, escritora e vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura, e Paulo de Tássio Borges da Silva, pedagogo, mestre em Linguística e Línguas Indígenas e doutor em Educação.
A mediação será de Sérgio Cerqueda, professor associado da UFSB e coordenador do Colegiado da Licenciatura Interdisciplinar em Linguagens e suas Tecnologias do IHAC-CSC.
Convidada do Caju de Leitores 2026, Vanessa Guarani Ratton pretende discutir a importância de incorporar as culturas indígenas à educação ao longo de todo o ano, evitando que o tema fique restrito a períodos específicos do calendário escolar. A escritora também apresentará seu conceito de Ecoafetividade e compartilhará práticas destinadas a enriquecer o repertório de educadores em formação.
“Como diretora de escola e professora, entendo a importância de inserir as culturas indígenas durante todo o ano na formação escolar, e não apenas no mês de abril ou em agosto, quando se fala de folclore e nossos encantados são apresentados como lendas”, afirma Vanessa.
A autora também estará na programação do Caju de Leitores no dia 3 de setembro, quando participa da roda “Educação indígena inclusiva: para humanos e não humanos”, ao lado de Carina Pataxó e Lucia Tucuju.
Paulo de Tássio Borges da Silva destaca a importância da Jornada para a região e para a formação. “É um evento muito importante para a região e marca essas discussões sobre a literatura indígena. Estou muito animado para participar e contribuir com a formação”, afirma.
Caju de Leitores chega à quinta edição
Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores promove encontros entre literatura, educação e território, reunindo escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças indígenas e comunidades. Até 2025, segundo a organização, suas atividades alcançaram mais de 12 mil pessoas.
A quinta edição será realizada de 2 a 4 de setembro, com o tema “Um Manifesto de Bichos”. A proposta parte da presença dos animais nas histórias, memórias e conhecimentos transmitidos entre gerações para estabelecer relações entre bichos, ancestralidade, língua, natureza e território, destacando diferentes formas indígenas de compreender a existência.
A III Jornada de Literaturas Indígenas é gratuita e destinada especialmente a professores das redes pública e privada, educadores indígenas, estudantes universitários e demais interessados. As inscrições são realizadas por formulário on-line.
O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural, com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. A iniciativa conta ainda com parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.
III Jornada de Literaturas Indígenas – UFSBData: 1º de setembro9h às 11h: apresentação da I Pesquisa Caju de Leitores — Centro de Cultura de Porto Seguro19h: Varanda Indígena — Campus Sosígenes Costa/UFSBParticipantes: Vanessa Guarani Ratton e Paulo de Tássio Borges da SilvaMediação: Sérgio CerquedaEntrada: gratuitaInscrições: Formulário de inscrição



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