Poema
Ante o turbilhão de afoitas palavras
Ruivos ruídos
Avessos afetos um hiato de silêncio
é respiro
Dorso
Um silêncio no dorso das coisas
No fundo da embalagem fosca
No lusco-fusco
No cinza triste
Que persiste
Na bolha que estoura
No último verso do poema
No amor que finda
Em dor
Só
Invernos
Quisera eu dormir dormir
hibernar invernos
aplacar solidão
que consome além do peito
os fatos as fotos e os fosfatos
vã tentativa de entender
o inexplicável
o universo inverso do outro
Gabriela Gonçalves é mineira de Belo Horizonte onde se formou em odontologia e pós-graduada em acupuntura. É poeta, escritora e em suas mãos as palavras parecem acariciar o papel, num encontro sutil entre o singelo e o visceral. Escreve com a força dos apaixonados pela Flor do Lácio e os enamorados pela verve poética que flui de sua alma encantadora. Já em seu segundo livro de poemas lançado este ano – o primeiro foi publicado pela Editora Literíssima, Palavras Prenhas subiu às prateleiras em 2025 – O silêncio Contido nos Abismos, Inmensa Editorial, reforça seu estilo telúrico e sua expressividade discreta e ao mesmo tempo vigorosa.


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