Da produção de açúcar à arte contemporânea: livro resgata dez anos de transformação da Usina de Arte em Pernambuco

 

Foto de Bruno Albertim: Redes Sociais

Com 304 páginas e 148 fotografias, obra de Bruno Albertim celebra os dez anos da Usina de Arte, em Água Preta, e será lançada na ART.PE, nesta quinta-feira (15), no Recife.

A transformação de uma das maiores usinas de açúcar do país em um espaço dedicado à arte contemporânea, à educação e à recuperação ambiental é tema do livro Usina de Arte: a construção de uma utopia, do jornalista e escritor Bruno Albertim. A publicação, uma coedição da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e da Usina de Arte, será lançada nesta quinta-feira (15), às 17h30, durante a 5ª ART.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, no Recife Expo Center.

Localizada no município de Água Preta, na Zona da Mata Sul pernambucana, a antiga Usina Santa Therezinha encerrou suas atividades industriais em 1998. Anos depois, o espaço passou por um processo de transformação que deu origem à Usina de Arte, um museu a céu aberto instalado em uma área de 64 hectares. Atualmente, o local abriga mais de 50 obras e instalações de artistas brasileiros e internacionais, entre eles Marina Abramović, Juliana Notari, Paulo Bruscky, Regina Silveira e Carlos Garaicoa.

Ricardo Pessoa de Queiroz e Bruna Simoes | Foto: Andrea Rego Barros


A publicação recupera a trajetória do projeto, iniciado em 2015 pelos empresários Ricardo Pêssoa de Queiroz e Bruna Simões, com a participação de moradores da comunidade. A iniciativa nasceu com o Festival Arte na Usina e ganhou novos desdobramentos a partir de 2016, quando começaram as residências artísticas e a implantação de obras inspiradas na land art, linguagem que estabelece relações entre a criação artística e a paisagem natural.

Além do acervo de arte contemporânea, a Usina mantém biblioteca, escola de música, laboratório de fabricação digital, parque botânico, programas educativos, bolsas universitárias e atividades culturais. A recuperação ambiental também integra o projeto, com o trabalho do paisagista Eduardo Gonçalves, responsável pela implantação de um espaço que hoje reúne mais de mil espécies vegetais.

Com 304 páginas e 148 fotografias, o livro apresenta ainda os impactos sociais e econômicos da iniciativa em uma região historicamente dependente da produção canavieira. O desenvolvimento de pequenos negócios, como pousadas e restaurantes administrados por moradores, está entre os resultados abordados na publicação.

Para Bruno Albertim, a Usina de Arte também representa um espaço importante para a produção artística fora do eixo Rio-São Paulo. Entre as obras que alcançaram repercussão internacional está Diva, de Juliana Notari, instalação em forma de vulva esculpida em uma encosta, que provocou debates sobre arte, política e moralidade.

Marina Abramović diante de sua obra Generator. Foto: Andrea Rego Barros | Obra Diva, de Juliana Notari. Foto: Ricardo Labastier 
Fachada da estrutura da antiga Usina Santa Therezinha. Foto: Bruna P. de Queiroz
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 José Rufino e a obra Tempus Fluvium. | Foto: Ricardo Labastier


SOBRE O AUTOR


Bruno Albertim é jornalista, curador e antropólogo pernambucano. É autor, entre outros trabalhos, dos livros Tereza Costa Rêgo - Uma mulher em três tempos (Cepe, 2018) e Pernambuco Modernista (Cepe, 2022). Ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo 2013, com o especial Nordeste - Identidade Comestível, na categoria Norte-Nordeste. 


Serviço

Lançamento: Usina de Arte: a construção de uma utopia, de Bruno Albertim
Editora: Cepe e Usina de Arte
Data: quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Horário: 17h30
Local: 5ª ART.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, Recife Expo Center, Recife (PE)
Livro: 304 páginas, com 148 fotografias