Dirigido por Jairo Neto e Graubi Garcia, Cavalcanti estreia mundialmente na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e recupera, por meio de arquivos inéditos, a história de um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro, ainda pouco conhecido em seu país.
Dirigido por Jairo Neto e Graubi Garcia, Cavalcanti estreia mundialmente na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e recupera, por meio de arquivos inéditos, a história de um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro, ainda pouco conhecido em seu país.
Reconhecido internacionalmente por sua contribuição à linguagem cinematográfica, Alberto Cavalcanti (1897–1982) participou de mais de 110 filmes e trabalhou em países como França, Inglaterra, Alemanha, Israel e Brasil. Apesar de sua importância para a história do cinema, sua trajetória permanece pouco conhecida entre os brasileiros. É essa contradição que o documentário Cavalcanti, dirigido por Jairo Neto e Graubi Garcia, procura investigar.
O longa teve sua estreia mundial em 18 de outubro, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece até 29 de outubro de 2026. Produzido pela Animal Filmes, o documentário reúne materiais de arquivo, registros históricos e entrevistas inéditas com o próprio cineasta para reconstruir sua trajetória artística e examinar as circunstâncias que contribuíram para seu afastamento da história oficial do cinema brasileiro.
Nascido no Rio de Janeiro, Cavalcanti iniciou sua carreira na Europa e participou das experiências de vanguarda do cinema francês durante os anos 1920. Trabalhou ao lado de Jean Renoir e, posteriormente, mudou-se para a Inglaterra, onde teve papel decisivo no desenvolvimento do documentário britânico. No GPO Film Unit, unidade cinematográfica dos Correios britânicos, participou de um período de intensa experimentação que ajudou a estabelecer novas possibilidades narrativas para o gênero documental.
Durante a Segunda Guerra Mundial, sua atuação se estendeu à produção cinematográfica ligada ao governo britânico. Também trabalhou nos Ealing Studios, onde dirigiu filmes como "Went the Day Well"? e co-dirigiu "Dead of Night", considerado por Martin Scorsese um dos filmes mais assustadores da história do cinema. A produção que se tornaria uma referência do cinema de horror. Nos anos 1950, Cavalcanti retornou ao Brasil com a intenção de contribuir para o desenvolvimento de uma indústria cinematográfica nacional. Entretanto, enfrentou disputas profissionais, preconceito e perseguição política. Sua experiência brasileira seria permeada por conflitos que contribuíram para sua saída do país e para o progressivo esquecimento de sua obra.
Para investigar essa trajetória, os diretores reuniram mais de 500 materiais de arquivo, muitos deles inéditos. A narrativa utiliza também a voz do próprio Cavalcanti, recuperada de entrevistas, permitindo que o cineasta participe da reconstrução de sua história. O documentário aborda ainda aspectos de sua vida pessoal, incluindo sua homoafetividade, e questiona os processos de reconhecimento e apagamento que atravessam a história do cinema.
A estreia do filme ocorre em um mês particularmente significativo para a trajetória do diretor. Em outubro de 1953, Cavalcanti apresentou no Museu de Arte de São Paulo a pré-estreia mundial de O Canto do Mar, uma de suas últimas realizações brasileiras antes de retornar à Europa. Com apoio da Cinemateca Brasileira e do British Film Institute (BFI), Cavalcanti recebeu menção honrosa na seção Work in Progress da Mostra de São Paulo em 2025. O projeto também participou de laboratórios e encontros internacionais dedicados ao desenvolvimento de documentários.
Primeiro longa-metragem da dupla Jairo Neto e Graubi Garcia, o filme recupera a dimensão internacional de um artista cuja contribuição ultrapassou fronteiras, mas que ainda não ocupa, no Brasil, o lugar correspondente à importância de sua obra. Sua filmografia reúne mais de 110 produções realizadas em países como França, Inglaterra, Brasil, Alemanha e Israel, além de contribuições fundamentais para o desenvolvimento da linguagem documental. Apesar desse reconhecimento internacional, o cineasta brasileiro permanece pouco conhecido em seu país.
Serviço
Direção: Jairo Neto e Graubi Garcia
Produção: Guilherme Severo e Jairo Neto
Roteiro: Jairo Neto e Graubi Garcia
Argumento: Natália Pucci Vestri
Montagem: Graubi Garcia
Trilha sonora: Pedro Vituri
Produtora: Animal Filmes | Produtora associada: The End
Apoio: Cinemateca Brasileira e BFI (British Film Institute)
Duração: 100 min | País: Brasil | Idiomas: português, inglês e francês
SESSÃO: 26 de outubro, às 17h — Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff, São Paulo.
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