Cineastas Kaiabi | Xingu
Publicação reúne experiências de 60 cineastas de 40 povos indígenas e será lançada nesta terça-feira (27), durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O cinema realizado por mulheres indígenas no Brasil ganha um importante registro com o lançamento de Ler o vento, filmar o mundo – Pesquisa-mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil. Organizada por Francy Baniwa, Mari Corrêa e Sophia Pinheiro, a publicação reúne depoimentos e experiências de 60 cineastas pertencentes a 40 povos indígenas, falantes de 35 línguas e provenientes de todas as regiões do país.
Apresentado pela Rede Katahirine como o primeiro levantamento nacional dedicado à produção audiovisual de mulheres indígenas, o estudo revela a diversidade de suas linguagens cinematográficas e identifica os obstáculos enfrentados pelas realizadoras para financiar, distribuir e preservar suas obras.
Os números mostram uma produção expressiva, mas ainda permeada pela desigualdade. Entre as entrevistadas, 81,7% já tiveram filmes exibidos em mostras ou festivais, enquanto 71,7% afirmaram ter desistido de participar de algum edital. A burocracia, as exigências de inscrição e a linguagem pouco acessível aparecem entre as principais dificuldades. Outro dado preocupante é que 65% das cineastas já perderam materiais audiovisuais, incluindo registros que podem guardar memórias, línguas e conhecimentos de suas comunidades.
A pesquisa ainda destaca que o cinema indígena não se define apenas pelos temas abordados, mas pelas relações estabelecidas durante a realização dos filmes. A escuta, o respeito aos territórios, a participação coletiva e os conhecimentos de cada povo integram processos criativos que apresentam outras maneiras de produzir e compartilhar imagens. Na mesma ocasião, a Rede Katahirine lança Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas, publicação voltada à construção de relações profissionais mais respeitosas entre comunidades indígenas, produtoras, festivais, instituições e demais agentes do setor audiovisual. O documento aborda questões como remuneração justa, reconhecimento dos saberes indígenas e prevenção de práticas discriminatórias.
O lançamento acontece nesta terça-feira, 27 de outubro, às 17h, no Solar Fábio Prado, em São Paulo, como parte da programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A atividade contará com a participação de Mari Corrêa, Francy Baniwa e Natali Mamani, em uma conversa sobre os resultados da pesquisa e os caminhos para fortalecer a presença das mulheres indígenas no cinema brasileiro.
As duas publicações estão disponíveis para download gratuito no site da Rede Katahirine.
Lançamento: Ler o vento, filmar o mundo e Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas
Data: 27 de outubro de 2026, às 17h
Local: Solar Fábio Prado — Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, São Paulo (SP)
Participantes: Mari Corrêa, Francy Baniwa e Natali Mamani
Informações: 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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