
Fernanda Leme | Na Praia | 2026
Com curadoria de Denise Araripe, “Quando aparecer um rio atravesse-o” reúne cerca de 70 obras no Centro Cultural Candido Mendes, incluindo trabalhos inéditos e instalações que convidam à participação do público.
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| Fernanda Leme | Na Praia | 2026 |
Com curadoria de Denise Araripe, “Quando aparecer um rio atravesse-o” reúne cerca de 70 obras no Centro Cultural Candido Mendes, incluindo trabalhos inéditos e instalações que convidam à participação do público.
A artista visual carioca Fernanda Leme inaugura, nesta quinta-feira, 5 de novembro, a exposição Quando aparecer um rio atravesse-o, na Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, do Centro Cultural Candido Mendes, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Com curadoria de Denise Araripe, a mostra reúne cerca de 70 obras que investigam a passagem do tempo, a fragilidade das imagens, a memória e as transformações que atravessam a experiência humana.
Entre os destaques está uma série inédita, desenvolvida especialmente para a exposição, na qual a artista recorta suas próprias pinturas em tiras horizontais de diferentes espessuras e as reorganiza em novas composições. O procedimento transforma imagens figurativas em trabalhos predominantemente abstratos, nos quais fragmentos da representação original permanecem visíveis.
“Uso a própria obra pictórica e a transformo em outra obra. Uso então o que já existe para construir um outro, que reconstruo com outras técnicas e materiais”, explica Fernanda. A pesquisa dialoga com reflexões sobre pós-produção e apropriação de imagens, especialmente com os estudos de Nicolas Bourriaud, Rosalind Krauss e Yve-Alain Bois.
A exposição também apresenta trabalhos da série Estilhaços, iniciada em 2025, na qual retratos são atravessados por tramas geométricas que lembram superfícies de espelhos fragmentados. As imagens preservam elementos reconhecíveis, mas perdem a unidade, estabelecendo relações com a velocidade da circulação visual e a instabilidade das representações no cotidiano.

Fernanda Leme | Cabeça Cyborg
Outro conjunto importante é Cabeças, série iniciada em 2014, formada por 60 autorretratos que registram diferentes momentos da vida da artista. Inspiradas no formato das fotografias de identificação, as pinturas serão acompanhadas, nesta exposição, por quatro espelhos que permitirão aos visitantes observar o próprio reflexo. A proposta estabelece um diálogo com a cultura das selfies e com a natureza passageira das imagens digitais.

“A pessoa se olha e imediatamente sua imagem já sumiu”, observa Fernanda, ao relacionar a instalação à rapidez com que produzimos e descartamos registros de nós mesmos.
Em tratamento contra um câncer de mama, após perder familiares para a mesma doença, Fernanda Leme agrega à produção artística reflexões sobre a finitude e a possibilidade de transformação diante das adversidades.
Durante uma etapa do tratamento, quando perdeu os cabelos, criou a série Morfemas, utilizando os próprios fios para produzir desenhos geométricos semelhantes a pequenos signos. Os trabalhos integram a mostra e ajudam a compreender o desenvolvimento de sua pesquisa com tramas, fragmentações e reconstruções de imagens.
Para a curadora Denise Araripe, a exposição aborda a consciência da impermanência como uma possibilidade de reconsiderar a própria existência.
“A exposição propõe uma reflexão sobre a finitude e sobre como a consciência de nossa impermanência pode nos levar a repensar a própria vida”, afirma.
O título Quando aparecer um rio atravesse-o sintetiza essa perspectiva. A imagem do rio surge como metáfora dos obstáculos e das mudanças inevitáveis, sugerindo que atravessar uma experiência também significa aceitar as transformações que ela provoca.
Arquiteta e artista visual, Fernanda Leme iniciou sua formação artística na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 2009, e participou de exposições em diferentes instituições culturais brasileiras. Entre suas individuais estão Em que espelho ficou perdida a minha face, realizada em 2019, e Monstros, apresentada em 2024, na Z42 Arte, com curadoria de Alexandre Sá.
A curadoria é assinada por Denise Araripe, artista visual e curadora com trajetória iniciada na década de 1990. Atualmente, ela responde pela programação das galerias Maria de Lourdes Mendes de Almeida e Pequena Galeria, vinculadas à Universidade Candido Mendes.
Fernanda Leme | Foto Cristina Granato
SERVIÇOExposição: Quando aparecer um rio atravesse-o, de Fernanda Leme
Abertura: quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Curadoria: Denise Araripe
Local: Centro Cultural Candido Mendes — Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, Ipanema, Rio de Janeiro
Informações sobre visitação: O release não informa horário de abertura, período de permanência da exposição ou condições de entrada.
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