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por Taciana Oliveira__

Um grupo de artistas cearenses se conectaram nos diversos formatos audiovisuais para recriar e apresentar o universo sonoro/visual das bodegas. Seguindo a narrativa que bodegas são muito mais do que espaços comerciais, mas também “caixas de histórias” e pontos de lazer para moradores das comunidades, o trabalho expõe não apenas a realidade dos personagens fotografados, mas representa o contexto afetivo, a identidade social de cada artista. O resultado desse encontro foi apresentado no último mês de dezembro de 2019, no Carnaúba Cultural em FortalezaA exposição BUDEGAS, mais que vendinhas, elos! traz a atmosfera física e sonora de espaços nascedouros de encontros periféricos, aglutinadores de memórias e vínculos afetivos.  Apresentamos na edição desse mês do Mirada uma série com publicações de trabalhos que compõem a exposição. Alguns dos criadores do projeto toparam participar de uma entrevista, e o nosso bate-papo virtual aprofundou questões sobre cidadania e o fazer artístico como referência de articulação social.  Para acessar fotografias e  intervenções promovidas pelos artistas na exposição, visitem as sessões Corredor Literário e Fotogramas.  Abaixo, segue a entrevista.  A budega está aberta!




por Taciana Oliveira__


BUDEGAS, mais que vendinhas, elos! é uma exposição promovida por nove artistas cearenses. Ela dialoga com a memória e geografia afetiva da periferia, revelando sons, imagens e palavras desse cotidiano periférico.
Gustavo Costa, um dos artistas, explica: A Budega cearense é espaço de “manutenção da nossa vida". Nas seções Fotogramas e Corredor de Criação iremos apresentar uma série com algumas das obras expostas no Carnaúba Cultural. A nossa quinta publicação apresenta o trabalho do fotógrafo Leo Silva.

Dona Rosa/ Fotografia: Leo Silva
por Taciana Oliveira__


BUDEGAS, mais que vendinhas, elos! é uma exposição promovida por nove artistas cearenses. Ela dialoga com a memória e geografia afetiva da periferia, revelando sons, imagens e palavras desse cotidiano periférico.
Gustavo Costa, um dos artistas, explica: A Budega cearense é espaço de “manutenção da nossa vida". Nas seções Fotogramas e Corredor de Criação iremos apresentar uma série com algumas das obras expostas no Carnaúba Cultural. A nossa quarta publicação apresenta o trabalho do fotógrafo Yuri Juatama.



Foto: Yuri Juatama
por Taciana Oliveira___

Kika Freitas revela na suas imagens em preto e branco traços geométricos, a solidão urbana e a perspectiva do vazio. Kika pondera: A exposição EuEstranho tem como finalidade a subjetivação do olhar, possibilitando o diálogo com a multiplicidade dos processos artísticos através do estranhamento. Minha intenção foi abstrair o olhar e encontrar no RECORTE a forma, levando o expectador a contemplar a plasticidade da obra.




por Taciana Oliveira__

O fotógrafo americano Ansel Adams vaticinava: Você não tira uma foto, você cria uma foto. A seção Fotograma do mês de dezembro apresenta a primeira parte, de um total de duas, de uma série fotográfica produzida pelo mineiro Ricardo Laf.
Ricardo nos presenteia com cores, ângulos e experimentações de uma Belo Horizonte  desenhada por suas imagens: poética, plural e encantadora.

Centro Afonso Pena
Fotografia: Ricardo Laf
por Taciana Oliveira__

Dando prosseguimento a série com o trabalhos do fotojornalista Eduardo Matysiak, hoje trazemos um conjunto de registros que expressam o atual contexto político do país. O fotógrafo americano Lewis Hine afirmava: Se eu pudesse contar a história em palavras, não precisaria carregar uma câmera. Estejam então convidados a "visitar" a nossa história recente pelos olhos de Eduardo.

Vice-presidente General Mourão
por Taciana Oliveira___

Na edição desse mês a seção Fotogramas inicia uma série com o trabalho do fotojornalista Eduardo Matysiak. Nos últimos anos este olhar é responsável por registrar acontecimentos históricos que culminaram em diversas manifestações no Brasil. A fotógrafa americana Dorothea Lange, que documentou o evento da Grande Depressão nos Estados Unidos, afirmava: A câmara é um instrumento que ensina a gente a ver sem câmara. A fotografia de Eduardo atesta isso. Seus registros revelam um olhar sobre a resistência.



Manifestação Contra os Cortes na Educação/Boca Maldita/Curitiba

Curadoria por Taciana Oliveira_

Ensaio fotográfico conduzido por Bruna Sombra para o lançamento do livro Zonas Abissais de Lisiane Forte, Editora Aliás.



Fotografia : Bruna Sombra


Por Leo Silva _






por  Luana Braga__

O sexo me rasgou foi no por-entre:
mordidas indecentes;
gozos emolientes;
línguas… e pequenas maldades
-- tu me quis tua enquanto eu lia pra ti:
comia a minha poesia.


Medo.
Pedi pra deixar a porta aberta:
caso precisasse sair dali.
Duro.
Tentou me segurar no banheiro.
Cárcere.
Empunhei minha bandeira. Não me toque.
Tenho em mim o número da lei: de cabeça.
Exaspero.
Bateu a porta, bateu no peito. E gritou.
E me perguntou o que fui fazer ali.


Teve ânsia:
por ser agora, por ser dessa vez;
teve sofreguidão:
pra ser já, pra ser logo, mas devagar.
Mas amor:
não teve.
Teve o amor:
que nunca foi nosso.
Teve o nosso:
que nunca foi amor.


Todos Negros: Prêmio Esso 1993

por Cristina Huggins___


De tanto olhar as grades, seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na Terra:
grades, apenas grades para olhar.
Rilke, A pantera



Os versos do poeta expõem o triste fim de uma pantera, cerceada de seu ambiente natural. Para o felino, a liberdade é pretérita; seu presente, a jaula de um zoológico. Contrastes entre uma cidade do passado, mais generosa e hospitaleira, refúgio e conforto de seus habitantes, e outra, atual, inóspita e tirana com os cidadãos, permeiam a memória dos mortais que residem na urbe registrada por Taciana Oliveira.
Quantos gritos cabem no silêncio dessa cidade? O média-metragem da diretora é também uma pergunta que rouba o sossego. No filme, a cidade é melancólica, assombrada pelo descaso e pela incerteza. Suas personagens, “panteras-bípedes”, aprisionadas nessa urbe nada gentil, deambulam pelas ruas, atormentadas em meio à nostalgia e à angústia. Uma delas vagueia até esbarrar na mesma porta. Confere a residência, velha conhecida, e tomba o corpo fatigado na mesma cama. É noite. É dia. É noite. É dia. É noite. É dia... Desperta, sufocada por um cotidiano linear.
Uma cidade é um corpo de pedra com um rosto”, escreveu Machado de Assis. Taciana mostra o rosto de sua cidade. Ousada, evita obviedades. Escolhe uma vereda tortuosa para dialogar com o espectador. Dispensa a narrativa esperada, conduzida pela palavra, e constrói uma crônica imagética que flerta com a música. Na tela, passeiam tipos insones, alucinados, atordoados, perdidos; mas igualmente solidários, generosos, puros e, às vezes, confiantes. Ela incorpora cada um deles como alter egos e convoca a sociedade à reflexão.
O destemor e a singularidade da cineasta chamam a atenção. É preciso valentia para fazer perguntas lancinantes e cortar o próprio músculo. Ela tem essa coragem. Não receia sangrar. Como Saramago, brada aos sete ventos: “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”. Seu trabalho é faca amolada. Fere, mas também emancipa. As cores incidentais, a generosidade de pessoas de uma comunidade humilde e a inocência de uma criança-anjo — punctum de uma cena hostil —, entremeadas no cenário sombrio do filme, acenam para respostas e uma esperança de cidade harmônica possível.

Neste e-book, estão reunidos frames e fotografias da diretora, textos de convidados, e de escritores selecionados por ela para integrar a edição. Apreciar esse material é empreender uma jornada pela visão de Taciana sobre viver e conviver nas metrópoles de hoje. O e-book e o média-metragem fazem parte dos trabalhos levados ao público pela Galeria do Meio-dia, projeto da Garagem 94, em 2018. 

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Cristina Huggins é especialista em Linguística aplicada(UFPE). Tem formação em Estudos Hispânicos (Salamanca, Espanha). Sua experiência inclui ensino, pesquisa, produção de textos e tradução.
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Abaixo você pode assistir o trailer do filme e  visualizar o catálogo da exposição.










por Taciana Oliveira_____


por Taciana Oliveira__




O que a gente mais precisa é aprender a se levantar desse lamaçal que invadiu casas, ruas, escolas e instituições. Ele tomou conta de templos, batizou o judiciário, abençoou o legislativo, executivo, excluiu o juramento de ética da grande imprensa. Essa lama toda faz pouco caso dos direitos humanos, aplaude políticas excludentes, favorece uma hipocrisia cínica que elege imbecis. E são essas mesmas pessoas que querem definir a sua vida, o seu direito de ser. Desmerecem a história, sua condição sanitária, a garantia de segurança, sua identidade sexual. Eles vandalizam ecossistemas, apoiados em uma moral cristã que Cristo rejeitaria. É urgente tirar essa sujeira de cada cômodo, avenida, hospital e aldeias... A nossa apatia também responde por esses corpos enterrados na lama.

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Taciana Oliveira é cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.

 Fotografias de Bárbara Ellen

Fotografia: Bárbara Ellen
Fotografia: Bárbara Ellen
Fotografia: Bárbara Ellen
Fotografia: Bárbara Ellen





por Taciana Oliveira__


                                              
  No fundo a Fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba 

ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa. 

-                                                                       A Câmara Clara, Roland Barthes.







                                

Fotografia de DamirSagolj/Reuters /PrêmioPulitzer de Destaque em Fotografia