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Max Cooper: entre ciência e arte

 por João Oliveira Melo | 


 Crédito: Ella Mitchell

Max Cooper: entre ciência e arte


Max Cooper (britânico nascido em 1980) é um DJ, produtor musical, compositor eletrônico, fundador da gravadora Mesh, artista audiovisual e ex-cientista com doutorado em biologia computacional. Os gêneros musicais que ele explora são  intelligent dance music, techno, experimental, minimal techno, micro house, tech house, progressive electronic e glitch. Em adição a isso, sua carreira foi influenciada por música clássica, ambiente e pós-rock. Cooper citou que os músicos importantes para os seus trabalhos são Autechre,The Flashbulb,Trentemøller, Future Sound of London, Ólafur Arnalds, Sigur Rós, Lusine, Vaetxh, Jon Hopkins, Stephan Bodzin, Leftfield, Extrawelt e Philip Glass. 


Cooper é especial por criar, com diversas colaborações, interseções entre as artes e as ciências com instalações, performances, experiências imersivas, meios de comunicação online, videoclipes e eventos ao vivo. Os clipes musicais dos seus projetos são caracterizados por utilizar arte abstrata, geometria, animação, matemática, experimentação, arte processual, colagem, arte de dados, minimalismo, tipografia, algoritmos, computação, cinetismo e técnica de varredura por fenda. Seus álbuns retratam conceitos biológicos, filosóficos, matemáticos, químicos e físicos. 


Quero incentivar a aceitação da música eletrônica como uma forma de arte como qualquer outra. Levar a música eletrônica e projetos audiovisuais abstratos para salas de concerto, museus e galerias é libertador. O mundo da arte abre portas para a comunicação de maneiras que não são possíveis em outros lugares.” - Max Cooper


Na biologia, representou o crescimento celular, a dobragem cromossômica, endossimbiose, imagens do cérebro por ressonância magnética, o surgimento da vida e mecanismos da evolução Darwiniana. Endossimbiose é quando organismos menores e mais simples podem viver dentro das células maiores, cada um proporcionando um benefício ao outro e, eventualmente, formando partes do mesmo organismo à medida que evoluem para serem totalmente dependentes um do outro. 


A dobragem ou organização estrutural dos cromossomos refere-se a como o DNA se condensa e organiza no núcleo, essencial para a divisão celular e expressão gênica. Os exemplos ilustrados dos mecanismos da evolução foram a modificação do desenvolvimento animal por meio de mutações aleatórias para criar uma variedade de formas sobre as quais a seleção natural filtra as heranças herdadas das suas futuras gerações.


Com a matemática, demonstrou o diagrama de Voronoi, bijeção, sequência de Fibonacci, mosaicos de Penrose, hipótese do continuum, simetria, teoremas da incompletude de Gödel. O diagrama de Voronoi é um método para dividir um espaço em polígonos convexos, de forma que cada polígono contenha exatamente um ponto gerador e cada ponto num determinado polígono esteja mais próximo do seu ponto gerador do que de qualquer outro. Os diagramas de Voronoi têm aplicações generalizadas, desde computação gráfica, arte e arquitetura até geofísica e epidemiologia. Mosaicos de Penrose é um sistema de mosaico não periódico desenvolvido por Roger Penrose na década de 1970, que pode cobrir um plano infinito sem cair em unidades repetitivas simples, como nos sistemas de mosaico normais.  


Contando os números naturais 1, 2, 3 e assim por diante. Essa lista continua para sempre, mas pode ser considerada uma única entidade: o conjunto infinito de números naturais. Em seguida, analisa o conjunto de números inteiros (incluindo números naturais e negativos) e emparelham os números naturais com os números inteiros. Esse processo é chamado de bijeção. Dois conjuntos com uma bijeção têm o mesmo tamanho ou cardinalidade. Um conjunto com uma bijeção para os naturais é considerado contável. 


Embora as cardinalidades dos naturais e dos inteiros sejam infinitas, elas são do mesmo tipo de infinito. Este primeiro e menor infinito é chamado Aleph 0. A progressão diagonal de Cantor entre racionais (possui naturais, inteiros e frações) e números naturais é demonstrada a seguir. Construímos uma tabela infinita de frações e, em seguida, aplicamos a sua função de emparelhamento, que serpenteia pela tabela, para combinar cada fração com um único natural. Portanto, a cardinalidade dos racionais é a mesma dos naturais, e vemos que os racionais são contáveis.


Os conjuntos infinitos incontáveis são aqueles com os quais não há bijeção com os naturais. O argumento diagonal de Cantor é visualizado para fazer essa prova por contradição. Primeiro, assumimos que existe bijeção entre os naturais e os reais (os números com racionais,irracionais, inteiros e naturais) e escrevemos uma lista de reais, cada um com um número natural atribuído para contá-los. Mas podemos ver que, independentemente do que a  lista contável de números reais contenha, podemos sempre alterar um dígito de cada membro da lista e trabalhar com todos eles diagonalmente para construir um novo número que não está na lista. Isto prova que a bijeção entre os números naturais e os reais não pode existir, e os reais são incontáveis infinitos, um tipo maior de infinito.


A dimensão do conjunto dos reais, a chamada cardinalidade do continuum, é igual ao tamanho do conjunto potência dos naturais. Mas não sabemos se existem outros tamanhos de infinito entre os naturais contáveis e o continuum incontável dos reais. Esta questão é resolvida através da Hipótese do Continuum, onde: “não existe nenhum conjunto cuja cardinalidade esteja estritamente entre a dos números naturais e a dos números reais”. Se for verdadeira, então a cardinalidade do continuum é Aleph 1, que é o próximo infinito menor depois de Aleph 0. Mas como não sabemos se a Hipótese do Continuum é verdadeira, tudo o que podemos dizer é que a cardinalidade do continuum é igual ou maior que Aleph 1. Na verdade, a Hipótese do Continuum é aparentemente indecidível formalmente e a nossa matemática pode funcionar independentemente de ela ser verdadeira ou falsa.


A sucessão de Fibonacci  é uma sequência de números inteiros, começando normalmente por 0 e 1, na qual cada termo subsequente corresponde à soma dos dois anteriores. Os teoremas da incompletude de Gödel são dois teoremas da lógica matemática que estabelecem limitações inerentes a quase todos os sistemas axiomáticos, menos aos mais triviais. O primeiro teorema da incompletude afirma que nenhum sistema consistente de axiomas consegue provar todas as verdades sobre as relações dos números naturais. Para qualquer um desses sistemas, sempre haverá afirmações sobre os números naturais que são verdadeiras, mas que não podem ser provadas no sistema. O segundo teorema da incompletude, uma extensão do primeiro, mostra que tal sistema não pode demonstrar sua própria consistência.


No que diz respeito à filosofia, ele destaca o Mundo das Ideias de Platão, trechos do livro Tractatus Logico-Philosophicus escrito por Ludwig Wittgenstein, os limites do conhecimento e as dificuldades de expressar a subjetividade de forma lógica. O Mundo das Ideias é uma realidade eterna e imutável, onde residem as formas e essências perfeitas de todas as coisas. Esse espaço só pode ser acessado pelo uso da razão e é o oposto do mundo sensível que utiliza os sentidos. Ele utilizou os textos de Wittgenstein que abordam os problemas das palavras e  suas incapacidades de captar todos os aspectos da vida.


Crédito: Ella Mitchell

Para física e química, mostrou ondas, buraco negro,cristais líquidos, formação do universo e dos planetas. As ondas são perturbações que se propagam pelo espaço sem transporte de matéria, apenas de energia. Formadas pela morte de estrelas massivas, buracos negros são regiões onde a massa e força gravitacional são tão imensas que nenhum objeto consegue escapar. Cristal líquido é um estado da matéria intermediário entre sólido cristalino e líquido convencional, apresentando ambas as propriedades físicas dos líquidos e sólidos. Na teoria do Big Bang, o universo começou com todos os elementos presentes unidos em um único ponto de altíssima temperatura e densidade infinita, chamado então de átomo primordial. Há aproximadamente 13,8 bilhões de anos, esse ponto  se expandiu em uma pequena fração de tempo e continua a crescer até hoje.  


Abaixo está uma playlist de videoclipes de Max Cooper. Ela não é recomendada para epiléticos e pessoas sensíveis a luzes fortes piscantes.





Referências

COOPER, Max. Emergence. [S.l.: s.n., s.d.].Disponível em: https://emergence.maxcooper.net/. Acesso em: 19 fev. 2026.


COOPER, Max. One Hundred Billion Sparks. [S.l.: s.n., s.d.]. Disponível em: https://ohbs.maxcooper.net/. Acesso em: 19 fev. 2026.


COOPER, Max. Yearning for the Infinite. [S.l.: s.n., s.d.]. Disponível em: https://www.yearningfortheinfinite.net/. Acesso em: 19 fev. 2026.


COOPER, Max. Biography. [S.l.: s.n], 22 jun. 2016. Disponível em: https://maxcooper.net/biography. Acesso em: 19 fev. 2026.


DJ MAG. Take 10: Max Cooper shares 10 tracks that inspire him. London, 31 ago. 2018. Disponível em: https://djmag.com/content/take-10-max-cooper-shares-10-tracks-inspire-him. Acesso em: 19 fev. 2026.


FORSYTH, Laura. Max Cooper: Genetically Enhanced. The Skinny, Edinburgh,  28 Nov. 2011 Disponível em: https://www.theskinny.co.uk/clubs/interviews/max-cooper-genetically-enhanced. Acesso em: 19 fev.



João Oliveira Melo é natural de Recife. É aluno do oitavo período do Curso de Ciências Sociais (UFRPE).