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Deu pano para as mangas | Carlos Monteiro

 por Carlos Monteiro | 




Fotografias de Carlos Monteiro

Deu pano para as mangas

 

Semana passada comentei sobre expressões que usualmente utilizamos, sem mesmo sabermos o seu significado original e de onde vieram, assim como o título desta fotocrônica. Pois bem; a expressão ‘pano para mangas’ tem origem em Portugal do século 16 quando, na alfaiataria se usava demasiadamente tecido para confeccionar as mangas bufantes e pomposas dos nobres, daí, quando algo rende muito usa-se esse aforismo.

Ando ‘queimado as pestanas’ para descobrir a origem e o significado de todas as expressões. Mas, o que isso quer dizer? De onde vem essa possibilidade de, ao estudarmos, sairmos com os cílios chamuscados?  Antes de Benjamin Franklin e Thomas Alva Edison trazerem seus inventos maravilhosos ao planeta, eram necessárias velas ou lamparinas para se estudar à noite. Ambas emitem luminosidade baixa o que obrigava aos estudantes aproximá-las tanto do cartapácio quanto das pestanas. Num momento de descuido as ditas cujas saiam chamuscadas. Bons estudantes à época “queimavam as pestanas”, hoje queimam incensos...

            De uma discussão acalorada entre um oftalmologista e um odontólogo terá saído esta expressão: “olho por olho, dente por dente”? Nesse caso é óbvio que não. Se trata do ‘Código de Hamurabi’, conjunto de leis criadas pelo rei com o mesmo nome, no século XVIII a.C., na Mesopotâmia, fundamentado na Lei de Talião. A lei prevê penas, ao réu, com mesmo teor que o crime por ele praticado. Se baseia no “olho por olho, dente por dente” ou seja; tudo igual para ambas as partes. Uma delas determinava: “se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então aquele que enganou deverá ser condenado à morte”. Hoje em dia ia faltar verdugo. Por outro lado, tinha cunho justo, já que não havia seguros para as safras...: “se alguém tiver um débito de empréstimo e uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim, ou os grãos não crescerem por falta d’água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro algum. Ele deve lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel naquele ano”.

            Hamurabi ‘não deixava barato’, mas ai rende outra fotocrônica...



Carlos Monteiro é fotógrafo, cronista e publicitário desde 1975, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos nacionais. Atualmente escreve ‘Fotocrônicas’, misto de ensaio fotográfico e crônicas do cotidiano e vem realizando resenhas fotográficas do efêmero das cidades. Atua como freelancer para diversos veículos nacionais. Tem três fotolivros retratando a Cidade Maravilhosa.