
Natali Tubenchlak | Necrófagos_2025_serigrafia sobre tecido de algodão
Foto Mario Grisolli
Exposição em Nova York reúne artistas brasileiras em debate sobre direitos reprodutivos
A exposição inédita “O útero também é um punho” foi inaugurada no dia 27 de março de 2026 na Apexart, instituição educativa e cultural localizada em Nova York. O projeto foi o único brasileiro selecionado entre 658 inscritos de todo o mundo em edital promovido pela instituição, que há mais de três décadas atua como espaço de incubação para curadores e artistas.
Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra apresenta cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma artista argentina radicada no Brasil, realizadas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance. O conjunto discute os direitos reprodutivos das mulheres e será acompanhado por atividades públicas, incluindo performances, visita guiada, oficina artística e roda de conversa.
Participam da exposição as artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Vindas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, elas trazem perspectivas diversas sobre o tema, evidenciando que a discussão sobre direitos reprodutivos atravessa questões de localidade, idade e raça.
Segundo as curadoras, o debate sobre direitos reprodutivos vai além da decisão sobre continuar ou não uma gestação, envolvendo também acesso à educação, saúde, transporte, métodos contraceptivos, licença-maternidade e condições que possibilitem uma parentalidade responsável. A exposição busca, assim, preencher uma lacuna nas artes visuais, onde o tema ainda aparece de forma restrita, apesar de sua urgência social.
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| Liane Roditi | Desvio2022, videoperformance |
O título da mostra faz referência ao poema “O útero é do tamanho de um punho”, da escritora Angélica Freitas, considerado pelas curadoras um marco do pensamento feminista ao abordar aborto e violência sobre o corpo feminino. A partir dessa referência, a exposição propõe refletir sobre as ambivalências da experiência da feminilidade e as limitações institucionais ainda impostas às mulheres.
As obras abordam o tema sob múltiplos pontos de vista. Entre elas está “Autonomia condicional”, de Guillermina Bustos, um jogo eletrônico que coloca o público diante de decisões sobre uma gravidez indesejada. Natali Tubenchlak apresenta trabalhos que relacionam maternidade e animalidade, enquanto Ludmilla Ramalho explora a objetificação do corpo materno em videoperformance. Outras obras discutem o gesto abortivo, a depressão pós-parto, a violência institucional e as possibilidades de maternagem em diferentes contextos.
Além da exposição, a programação pública inclui visita guiada com as curadoras, performances de Renata Freitas e Liane Roditi, oficina de gravura com Leíner Hoki e uma roda de conversa sobre direitos reprodutivos no Brasil. As atividades reforçam o caráter educativo da iniciativa e ampliam o diálogo com o público.
A Apexart, fundada em 1994, já apresentou centenas de exposições em dezenas de países e tem como princípio a promoção de processos seletivos transparentes e oportunidades para artistas e curadores. Ao integrar esse circuito internacional, “O útero também é um punho” amplia a visibilidade da produção brasileira e coloca em evidência debates urgentes sobre corpo, autonomia e justiça reprodutiva.
Ludmilla Ramalho | A Mãe | 2025 | fotoperformance
Serviço: Exposição “O útero também é um punho”
Abertura: 27 de março de 2026, das 18h às 20h
Exposição: até 23 de maio de 2026
Local: Apexart
Endereço: 291 Church St. NYC
Funcionamento: De terça a sábado, das 11h às 18h
Entrada gratuita
Programação pública
Dia 27 de março, às 18h – visita guiada com as curadoras Talita Trizoli e Renata Freitas, com transmissão ao vivo pelo Instagram.
Dia 27 de março, às 19h30 – performance “Desdobrável, eu sou”, de Renata Freitas.
Dia 28 de março, às 17h – performance da artista Liane Roditi

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