Viviane de Freitas lança livro de contos sobre memória e conflitos psicológicos femininos em São Paulo
A escritora independente Viviane de Freitas lança em São Paulo seu quarto livro, “Trajetória de um mergulho”, publicado pela Editora Mondru. A obra reúne contos que exploram memórias, conflitos psicológicos e reflexões sobre a experiência feminina. O lançamento acontece no dia 7 de março, das 16h às 20h, na Fábrica de Cânones, localizada na Rua Professor Miguel Milano, 80, na Vila Mariana, próximo à estação Ana Rosa do metrô.
Com 138 páginas, o livro apresenta uma coletânea de histórias narradas sob a ótica de personagens femininas que enfrentam questões como isolamento, doenças, limitações do corpo, perda da liberdade e questionamentos sobre a fé. As narrativas partem de experiências que dialogam com situações recorrentes da vida humana, conduzindo o leitor por um percurso introspectivo marcado por sentimentos e reflexões profundas.
A temática da memória, central na obra, dialoga com uma tradição presente na literatura brasileira que atravessa autores como Machado de Assis e Clarice Lispector, chegando à produção contemporânea de escritores como Itamar Vieira Júnior, Marcelo Rubens Paiva, Eliane Alves Cruz e Rafael Gallo. Nesse contexto, Viviane de Freitas propõe novas perspectivas sobre as subjetividades femininas, investigando como lembranças e experiências pessoais moldam identidades e percepções do mundo.
Segundo a autora, os contos foram escritos entre 2015 e 2019 e surgiram a partir da oficina de Escrita Curativa, ministrada pela professora e escritora Geruza Zelnys, na PUC-SP, onde a escrita é trabalhada como ferramenta de reelaboração do trauma. “Os contos foram escritos entre 2015 e 2019 e o ponto de partida foi a oficina de Escrita Curativa da autora/professora Geruza Zelnys. Geruza foi minha orientadora na PUC-SP e trabalha a escrita como forma de reelaboração do trauma. Todos os textos nascem desse lugar, como reelaboração de pequenos e grandes traumas”, explica.
Com forte presença de elementos poéticos, o livro combina lirismo e introspecção, aproximando-se do conto como forma literária capaz de condensar experiências. As narrativas se concentram nas histórias de mulheres que revisitam acontecimentos marcantes de suas vidas e transformam a reflexão sobre essas experiências em uma espécie de catarse literária.
Ao reunir diferentes histórias atravessadas por memória, introspecção e ressignificação, “Trajetória de um mergulho” convida o leitor a acompanhar um percurso pelas camadas emocionais e existenciais que compõem a travessia humana.
Confira um trecho do livro:
“
Sua vida palpitava no ritmo do sobrenatural. Subia e descia. E não era alucinação, seguia bem acordada. Feliz, envolvida em presente e presença. Só se, talvez, fosse ela a morta. Ou, seu próprio corpo respirava tão profundamente que o embalava, movia tudo ao redor pela força de sua vida premente. Subia e descia. Ficou olhando, sem pressa. Esqueceu-se da pressa, não precisava mais afligir-se porque descobria que a vida é eterna”.


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