Navegações | Valdocir Trevisan

por Valdocir Trevisan | 



Navegações

 

“Lá vai uma vela aberta se afastando pelo mar…”, quem se lembra de Walter Franco?

Navios que Augusto Cury gostaria de inserir em nossas disciplinas com otimismo, firmeza, compreensão.

Naves da esperança tal qual “Winnipeg” na retirada de 1939 do fascismo franquista e  da fuga que Pablo Neruda organizou.

Bob Dylan cantou “They Killed Him” quando mataram Gandhi, e para fugir do caos espanhol que assassinou Federico Garcia Lorca, uma longa pétala de mar era a esperança de um futuro melhor.

Depois de milhares de mortos na carnificina de Franco defendendo a Pátria e família (onde ouvimos isso?), diante do golpe final na Batalha do Rio Elbro, uma nave marítima salva quase duas mil pessoas.

Enquanto o último inquisidor matava em nome de “Cristo e do Império”, milhares de humanos sentiram a dor no quadro Guernica de Pablo Picasso.

E lá a exemplo de hoje vemos adoradores do genocídio (é, eles vão e…voltam) e seus “golpes” são saudados por seguidores…da Pátria…não interessa quem vence nas urnas.

Para eles isso é democracia.

Seus seguidores não sabem que Franco permitiu que seus soldados estuprassem e decapitassem pessoas no Marrocos? Sim, Marrocos…Imperialismo europeu?

Os seguidores cristãos, aqueles das famílias…Deus…

Assistindo um documentário no canal  “Curta!”, tenho que ouvir uma representante espanhol da Faria Lima dizer que na revolução “querem roubar tudo”.

Ah sim, Marrocos invadiu a Espanha, né?

Porém, a navegação fascista sofreu abalos na Segunda Guerra Mundial com navegações que lembram os barcos de Caronte.

Ou dos recentes jet-skis que idolatram Ustra.

Tá loko? Falamos e escrevemos cada coisa…E ouvimos, cada uma.

Há navegantes de todas as esferas e acho que escuto tantas versões que às vezes lembro do “bobók” de Dostoiévski.

“Começo a ver e ouvir umas coisas estranhas. Não são propriamente vozes, mas é como se estivesse alguém ao lado: “Bobók, bobók, bobók”, (em russo significa, diríamos, “mandar às favas”).

Que navegações esquisitas.

Talvez queiram fugir com a nave da esperança, não sei, bom…navegar é preciso, isso eu sei…

Num navio onde o Yin e o Yang chinês navegam em equilíbrio, rezamos para que “tendo yang atingido seu clímax, retira-se em favor do Yin, tendo o Yin atingido seu clímax, retira-se em favor do Yang”, lembra Fritjof Capra em suas mutações.

Em navegações seguras, em navegações equilibradas.

Onde, segue Capra, o que é bom não é Yin (Terra, lua) ou Yang (Céu, Sol), mas o equilíbrio dinâmico entre noite e dia.

O que é mau ou nocivo é o desequilíbrio entre eles.

O grande entrave são alguns capitães enquanto timoneiros desviados, a exemplo de Hitler, Mussolini, Trump, Malafaia…

Não há navegação nem “Tao” que suporte tais aberrações desumanas…

  


Valdocir Trevisan é gaúcho, gremista e jornalista. Autor do livro de crônicas Violências Culturais (Editora Memorabilia, 2022)