“Territórios do Sujeito” transforma a cidade em cartografia poética da memória e da experiência humana
Entre ruas, construções, morros e águas, Eduardo Chacon transforma a paisagem urbana em território de reflexão poética. Em seu novo livro, a cidade surge como extensão do corpo, da memória e dos afetos, revelando os múltiplos modos de habitar o mundo. Publicado pela Editora Arpillera, “Territórios do Sujeito” reúne poemas que percorrem tanto os espaços físicos da cidade quanto os territórios íntimos da subjetividade.
Tendo o Rio de Janeiro como principal referência, a obra explora as relações entre arquitetura, linguagem e sensorialidade. Ao observar a geografia urbana, Eduardo Chacon desenha uma espécie de cartografia afetiva, em que a cidade deixa de ser apenas cenário para se transformar em extensão da experiência humana, lugar onde se inscrevem desejos, deslocamentos e formas de percepção do mundo.
Os poemas navegam entre o concreto e o simbólico, revelando múltiplas camadas de significado. Ao mesmo tempo em que retratam paisagens urbanas reconhecíveis, investigam questões ligadas ao corpo, à memória e à própria construção da identidade. Nesse percurso, a poesia nasce como instrumento capaz de mapear sentimentos e ressignificar os espaços cotidianos.
Para Yara Fers, fundadora da Editora Arpillera, a obra estabelece um diálogo singular entre cidade e linguagem. “Eduardo Chacon constrói uma poesia que caminha pelas cidades e, ao mesmo tempo, pelos espaços mais íntimos da experiência humana. É um livro em que a arquitetura urbana e a arquitetura da linguagem se encontram”, afirma.
Na apresentação da publicação, a professora Beatriz de Moraes Vieira destaca que a leitura conduz o público por diferentes territórios que se entrelaçam ao longo da obra. Segundo ela, o livro revela como as dimensões subjetivas e objetivas da existência convivem e se atravessam, transformando a cidade em uma experiência simultaneamente concreta, afetiva e existencial.
“Territórios do Sujeito” apresenta uma capa tripla em camadas, com recortes manuais feitos com bisturi. As sobreposições revelam gradualmente elementos da paisagem urbana — prédios, construções, morros e o mar carioca. No interior da obra, um delicado pop-up faz emergir casinhas da periferia, criando uma experiência tridimensional que amplia o diálogo entre poesia e espaço.
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