Thaís Campolina lança enxame na Flip 2026 e investiga a animalidade como experiência poética
Thaís Campolina lança enxame na Flip 2026 e investiga a animalidade como experiência poética
A relação entre corpo, memória e natureza atravessa “enxame”, novo livro de poesia da escritora mineira Thaís Campolina, que será lançado durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Publicada pela Editora orlando, a obra reúne poemas que aproximam o universo doméstico da vida selvagem, propondo uma reflexão sobre os vínculos entre seres humanos, animais e ambiente.
Conhecida pelos livros ‘eu investigo qualquer coisa sem registro” e “estado febril”, em “enxame”, Thaís Campolina desenvolve uma escrita que compreende o corpo enquanto espaço de coexistência entre diferentes formas de vida. Distante da ideia de animalidade como contraponto ao humano, a autora a incorpora à própria experiência cotidiana. A casa, os animais, a paisagem e a linguagem deixam de ocupar esferas separadas para integrar um mesmo ecossistema, no qual memória, instinto e afeto se entrelaçam.
A estrutura do livro acompanha essa proposta. Dividido em cinco seções — A Colmeia, A Onça, O Bando, Rotas Migratórias e O Zumbido —, “enxame” percorre diferentes formas de organização presentes na natureza para refletir sobre pertencimento, deslocamento, memória e transformação.
Ao longo dos poemas, imagens ligadas ao reino animal aparecem como metáforas da experiência humana. Abelhas, pássaros, onças, peixes abissais, lagartixas e gatos convivem com referências anatômicas e biológicas que ampliam a leitura do corpo para além de sua dimensão individual. A memória deixa de ser apenas lembrança e passa a existir também como inscrição física, vestígio e herança.
A figura do enxame funciona como metáfora para pensar relações de convivência, multiplicidade e pertencimento. Em vez da individualidade isolada, os poemas sugerem que a força nasce da reunião de vozes, corpos e espécies que compartilham um mesmo território. A paisagem mineira ocupa lugar importante na construção do livro. Distante de assumir um caráter regionalista, ela aparece como referência inicial para reflexões sobre mineração, devastação ambiental e sobrevivência, aproximando a experiência local de questões universais.
No texto de apresentação, a escritora Dia Bárbara Nobre define “enxame” como um convite para atravessar a linguagem e observar o mundo a partir de outra perspectiva. Já a orelha, assinada por Bárbara Mançanares, destaca a capacidade da autora de transformar imagens da natureza em experiências poéticas marcadas pela imaginação e pela intensidade. O posfácio de Maria Emanuelle Osório Prates ressalta esse diálogo ao aproximar os poemas de discussões sobre ecologia, imunologia e relações entre corpo e ambiente.
Além do lançamento do livro, Thaís Campolina participa de diferentes atividades durante a Flip 2026. A autora realiza sessão de autógrafos no estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota!, apresenta o Sarau das Escreviventes, integra uma mesa sobre clubes de leitura no Sesc Santa Rita e participa do debate "Corpo, natureza e poesia: o humano e o mais-que-humano", promovido pela Editora Orlando na Casa Opera.
Agenda | Flip 202623 de julho (quinta-feira)
12h – Sessão de autógrafos de enxame
Local: estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota!17h – Host do Sarau das Escreviventes
Local: Casa Tyiwaras Neomarginais24 de julho (sexta-feira)
11h – Mesa "Clubes de Leitura e Práticas Coletivas"
Local: Sesc Santa Rita19h – Mesa "Corpo, natureza e poesia: o humano e o mais-que-humano"
Local: espaço da editora orlando, na Casa Opera
Thaís Campolina (Divinópolis, 1989) é autora dos livros de poesia “eu investigo qualquer coisa sem registro” (Crivo Editorial, 2021) e “estado febril” (Macabéa, 2024), além das plaquetes “noticiosas”, “línguas soltas” (Primata, 2024) e “frigideira” (Tato Literário, 2024). Publicou também o conto “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” (2020) em formato ebook. É mediadora de leitura nos clubes Cidade Solitária, Leia Mulheres Divinópolis e Casa das Poetas, e curadora da página Bafo de Poesia.


.png)
Redes Sociais