Auricéia Fraga leva cinco décadas de teatro ao palco em espetáculo autobiográfico

Fotografia: HORST LAMBERT

Em espetáculo autobiográfico, atriz revisita a infância, a formação artística e sua trajetória no teatro pernambucano

A atriz Auricéia Fraga comemora 80 anos de vida e cinco décadas ininterruptas de carreira com o espetáculo “Não se Conta o Tempo na Paixão”, em cartaz nos dias 24 e 25 de julho, às 19h30, no Teatro Apolo, no Recife. A montagem transforma lembranças pessoais em dramaturgia e presta homenagem à artista e à geração que participou da formação do teatro pernambucano. Com direção de Rodrigo Dourado, o trabalho se encaixa na categoria de biodrama e tem como base a autobiografia de Auricéia. A atriz revisita a infância, a adolescência e a juventude de uma menina criada em uma família numerosa no interior de Pernambuco, cercada pelo universo dos engenhos de cana-de-açúcar e pelas estruturas patriarcais presentes na sociedade brasileira entre as décadas de 1940 e 1960.

O espetáculo acompanha as mudanças vividas por essa jovem que, nos anos 1970, encontrou no teatro e na movimentação cultural do período um caminho para a liberdade. Sua passagem por grupos fundamentais da cena pernambucana, entre eles o Vivencial, em Olinda, aproxima sua história dos movimentos de contracultura e das experiências artísticas que marcaram aquela década Duas personagens conduzem a narrativa. Uma delas é a própria Auricéia, que compartilha diretamente suas memórias com o público. A outra é Maria, figura ficcional inspirada em sua trajetória, responsável por conferir uma dimensão poética aos acontecimentos narrados. A relação entre as duas aproxima documento e invenção, experiência vivida e elaboração teatral.

A presença de uma atriz octogenária em plena atividade também chama atenção para a necessidade de preservação da memória dos artistas brasileiros. Para Rodrigo Dourado, Auricéia carrega parte importante da história do teatro, da cultura e das transformações sociais do país. A montagem destaca o vigor, o humor e a presença cênica da atriz, além de sua capacidade de brincar e se reinventar. Aos 80 anos, Auricéia retorna a diferentes momentos da vida sem transformar o passado em um relato estático, mas em uma matéria viva, atravessada pela experiência do presente.

Desde o início da carreira, a atriz alimentava o desejo de ser cantora. Em “Não se Conta o Tempo na Paixão”, esse sonho chega ao palco por meio da interpretação ao vivo de canções da música popular brasileira ligadas à sua memória afetiva. Auricéia é acompanhada por três músicos, entre eles dois de seus filhos, além do diretor musical Kleber Santana, responsável pelos arranjos. Com poucos elementos em cena, a encenação privilegia a atuação, a palavra e a música. Ao percorrer diferentes períodos de sua vida, Auricéia aproxima sua história da experiência de muitas mulheres brasileiras que enfrentaram restrições sociais e conquistaram autonomia, independência e novos espaços ao longo das últimas décadas.

O espetáculo conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc — PNAB Recife e produção executiva de Clarisse Fraga, da Bureau de Cultura. As apresentações terão intérprete de Libras.


Fotografia: HORST LAMBERT

SERVIÇO:

Espetáculo “Não se Conta o Tempo na Paixão” com Auricéia Fraga

Datas: 24 e 25 de julho

Horário: 19h30

Local: Teatro Apolo – Recife. Rua do Apolo, 121.

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada).

A venda na bilheteria do Teatro a partir das 18h ou online: clica aqui



Fotografia: HORST LAMBERT

FICHA TÉCNICA:

Direção: Rodrigo Dourado

Direção musical: Kleber Santana

Produção executiva: Clarisse Fraga | Bureau de Cultura

Acessibilidade: apresentações com interpretação em Libras.