FICINE lança Oferendas narrativas, podcast sobre imagens e cinematografias negras



“Oferendas narrativas: polifonias negras no cinema” estreia em 25 de agosto com cinco episódios sobre cinematografias negras, afrofuturismo, fotografia e produção de conhecimento

O Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE) amplifica sua atuação no ambiente digital com o lançamento do podcast Oferendas narrativas: polifonias negras no cinema. A produção estreia em 25 de agosto de 2026, mesma data em que o fórum apresenta seu novo site, reformulado para reunir e ampliar o acesso às pesquisas, referências e conteúdos produzidos ao longo de mais de uma década de atividades.

Com uma primeira temporada de cinco episódios, lançados semanalmente, o podcast transforma pesquisas, práticas de ensino e experiências curatoriais das integrantes do FICINE em narrativas sonoras. A proposta é unir diferentes públicos das discussões sobre cinemas e fotografias realizados a partir de perspectivas negras, observando suas dimensões estéticas, históricas e políticas. Criado e desenvolvido por pesquisadoras, professoras e curadoras negras, o FICINE atua na formação, pesquisa, crítica e qualificação de público. Ao longo de sua trajetória, o fórum tem se dedicado a pensar as cinematografias e imagens negras para além de abordagens que as reduzam à representação das experiências africanas e diaspóricas, reconhecendo-as também como espaços de criação estética e produção de conhecimento.

República (dir. Grace Passô, 2020)

Da imagem à experiência sonora

O episódio de estreia, Caminhos abertos dos cinemas negros, é apresentado pela pesquisadora e curadora Janaína Oliveira e recupera marcos e personagens fundamentais para a constituição das cinematografias negras. É também nesse primeiro programa que surge a ideia de “oferenda narrativa”, conceito que dá nome à série e orienta sua proposta.

A temporada segue com O curto-circuito temporal afrofuturista, no qual Kênia Freitas aborda as relações entre cinema, afrofuturismo, fabulação e a possibilidade de imaginar outras formas de vida.

No terceiro episódio, Pelo direito a olhar, Janaína Damasceno aproxima os trabalhos dos fotógrafos Walter Firmo e Gordon Parks, investigando suas relações com o cinema e a construção de afrovisualidades.

Tatiana Carvalho Costa conduz o quarto programa, Cinemas e epistemologias negras brasileiras, apresentando as noções de QuilomboCinema e corpos-ficção como ferramentas para pensar esteticamente o cinema negro contemporâneo brasileiro.

A temporada termina com Um Black-ground para os cinemas negros no Brasil, novamente com Janaína Oliveira, que percorre momentos da presença e das perspectivas negras no cinema brasileiro e destaca a importância de Zózimo Bulbul na abertura desses caminhos.

Embora o cinema e a fotografia tenham a imagem como elemento fundamental, Oferendas narrativas propõe outro modo de aproximação com essas produções. Voz, memória, descrição e reflexão conduzem o ouvinte por filmes, fotografias e conceitos, transformando a escuta em uma possibilidade de pensar o campo visual.

“O Oferendas Narrativas reúne grande parte das nossas pesquisas dos últimos anos e busca levar essas reflexões para uma conversa mais aberta com o público”, explica Kênia Freitas.

Para Tatiana Carvalho Costa, presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e integrante do FICINE, a dimensão coletiva está entre os princípios da produção. “Os episódios foram organizados como monólogos que se abrem ao diálogo. A ideia é que essas vozes conversem entre si e ampliem o contato com novos públicos”, afirma.

Outros lugares para pensar as imagens

Entre os conceitos presentes na série está também o de “Black-ground”, relacionado às reflexões da teórica feminista negra Tina Campt. No podcast, a ideia funciona como possibilidade de pensar o terreno a partir do qual as imagens são produzidas, quem está por trás delas, quais experiências carregam e quais conhecimentos podem surgir desses diferentes lugares de criação. Esse conjunto de questões atravessa uma temporada que não pretende apresentar respostas definitivas. O podcast se estrutura, sobretudo, a partir de perguntas capazes de estimular outras formas de observar e compreender as imagens e as experiências negras no cinema e na fotografia.

Frame de Zózimo Bulbul em “Alma no Olho” (1974)

Novo site reúne produção do FICINE

A estreia de Oferendas narrativas será acompanhada pelo lançamento do novo site do FICINE, reformulado para facilitar o acesso ao acervo produzido pelo fórum. O espaço reunirá pesquisas, textos e referências, além dos episódios do podcast e dos materiais — filmes, fotografias, textos e músicas — mencionados em cada programa.

A reformulação organiza parte da memória de mais de dez anos de atuação do FICINE e busca ampliar a circulação desse conhecimento para além dos ambientes acadêmicos e curatoriais. O conteúdo se dirige a pesquisadores e estudantes, mas também a cineastas, fotógrafos, professores, curadores, profissionais das artes visuais, cinéfilos e demais interessados nas relações entre imagem, memória, representação e poder.

FIRMO, Walter. Clementina de Jesus. [c. 1970-1980]. 1 fotografia, colorida.
Coleção Walter Firmo. Acervo do Instituto Moreira Salles (IMS), São Paulo.

Serviço

Oferendas narrativas: polifonias negras no cinema
Realização: FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro
Estreia: 25 de agosto de 2026
Temporada: cinco episódios
Periodicidade: semanal
Episódio de estreia: Caminhos abertos dos cinemas negros, com Janaína Oliveira
Onde ouvir: no novo site do FICINE e nas principais plataformas de streaming.