Foto: Maria Clara Miranda
Novo trabalho apresenta o conceito de Barrobeat e aproxima tradições musicais do Norte de Minas de sonoridades contemporâneas
As margens do Rio São Francisco, a memória do sertão norte-mineiro e as tradições da cultura barranqueira são o ponto de partida de Peixes dos Milagres, novo álbum da banda Surubim e os Pocomã, já disponível nas principais plataformas de streaming. Segundo trabalho do grupo mineiro, o disco apresenta de forma mais definida a proposta estética que seus integrantes batizaram de Barrobeat, linguagem musical que aproxima ritmos tradicionais da região de referências como jazz, funk, pop e Manguebeat.
Formado em 2022, o trio estreou em disco no ano seguinte com Surubim e os Pocomã – Ao Vivo. Agora, no primeiro álbum de estúdio, o grupo desenvolveu a pesquisa sobre a musicalidade do Norte de Minas sem abrir mão da espontaneidade construída nos palcos. Gravado integralmente em processo analógico no estúdio Forest Lab, em Paty do Alferes (RJ), o trabalho preserva a dinâmica da execução coletiva, com todos os músicos registrando as faixas simultaneamente.
A gravação analógica integra a proposta artística da banda. Em um cenário cada vez mais marcado pela edição digital e pelo uso de ferramentas de inteligência artificial, o grupo optou por registrar as canções em apenas dois dias, valorizando a organicidade das interpretações e a interação entre os músicos. Com cinco faixas, Peixes dos Milagres tem a fé como referência central, compreendida não apenas em seu aspecto religioso, mas também enquanto expressão de pertencimento, resistência e continuidade cultural. As composições homenageiam personagens do sertão norte-mineiro, entre elas a liderança comunitária Nádia, a benzedeira Dona Zezé e Dona Joana Alves de Mello, avó do compositor Pedro Surubim, cuja memória inspira a faixa Não Nado Só. Paisagens do Rio São Francisco, do Cerrado e do território barranqueiro atravessam as canções como elementos constitutivos da narrativa musical.
O próprio título estabelece uma conexão com Milagre dos Peixes, obra emblemática de Milton Nascimento. E se Milton cantou o rio a partir de suas margens, o Surubim e os Pocomã busca imaginar essa história pelo olhar dos próprios peixes, dando o protagonismo da narrativa para aqueles que habitam as águas do São Francisco.
A construção do Barrobeat também reflete essa postura. A banda parte de manifestações tradicionais do Norte de Minas, como o lundu, a Folia de Reis e as toadas dos Catopês, sem restringir sua sonoridade ao repertório regional. O diálogo com artistas como Marku Ribas, Tuta Bastos, Gilberto Gil, Djavan e, especialmente, Chico Science & Nação Zumbi ressoa um horizonte musical do grupo, aproximando a tradição sertaneja de experiências sonoras atuais.
A produção musical é assinada pelos próprios integrantes (Pedro Surubim, Danilo Guinu e Pedroca Neves) com engenharia de áudio de Lisciel Franco e participação especial do percussionista Jander Magalhães, integrante da Black Rio.
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| Foto: Maria Clara Miranda |
SERVIÇO
Peixes dos Milagres – Surubim e os Pocomã
Lançamento: disponível nas principais plataformas de streaming
Instagram: @surubimeospocoma

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