Sexto livro de poesia da autora baiana é publicado pela Editora Arpillera em edição artesanal, com exemplares costurados à mão
Sexto livro de poesia da autora baiana é publicado pela Editora Arpillera em edição artesanal, com exemplares costurados à mão
Em seu sexto livro, Tentacular: poemas de tempo, memória e amor, Renata Ettinger volta-se para aquilo que o tempo modifica, mas não apaga por completo. Publicada pela Editora Arpillera, a obra reúne poemas sobre infância, luto e amadurecimento e investiga as marcas deixadas pelo tempo no corpo e na palavra.
Dividido em três movimentos, o livro apresenta uma cartografia das permanências e mudanças que acompanham a vida. As lembranças surgem associadas à passagem do tempo e às diferentes maneiras pelas quais acontecimentos, pessoas e sentimentos continuam presentes, mesmo quando parecem pertencer ao passado. O livro nasceu de um trabalho realizado por Renata durante uma aula de pintura, experiência que posteriormente inspirou a concepção da edição.
“Essa estrutura afetiva inspirou a edição atual da Arpillera, costurada à mão num formato diferente. É um livro onde cada dobra e costura funciona como um tentáculo, uma lembrança das coisas que ainda nos alcançam quando acreditamos tê-las deixado pra trás”, explica a autora.
A imagem dos tentáculos, portanto, não está presente apenas no título. Ela orienta também a concepção física da publicação, na qual dobras e costuras estabelecem uma correspondência entre a forma do livro e as lembranças evocadas pelos poemas. Para Renata, a relação entre tempo e memória também se modifica durante a leitura. “O tempo se desdobra quando a gente lê um poema. Em Tentacular, o que aparece são rastros de memórias, da voracidade do tempo e do amor”, afirma.
A poeta também considera a participação do leitor nesse processo. “Talvez quem leia reconheça alguma coisa. Talvez estranhe. Ou até passe por lugares que eu ainda não conheço. A poesia acontece também nesse encontro.”
A publicação chama atenção ainda pelo trabalho gráfico e artesanal desenvolvido pela Editora Arpillera. Os exemplares são costurados à mão, em um formato pensado para acompanhar a metáfora que dá nome ao livro. A edição e a revisão são de Yara Fers, enquanto Thiago Gatti assina a capa e o projeto gráfico. As ilustrações são da própria Renata Ettinger. A combinação entre poemas, imagens, dobras e costuras procura fazer do volume também um objeto sensorial.
“Tentamos construir um projeto estético sensorial que dialogasse com essa metáfora tentacular, fazer um livro-objeto que se esparramasse nas mãos, marcante como os versos de Renata”, explica Yara Fers.
Sobre Renata Ettinger (@renataettinger)
Baiana de Itabuna e residente em Salvador, Renata é poeta, dizedora de versos, publicitária e arteterapeuta. Já publicou os livros ]não cabe nas mãos[ (Mormaço, 2025), Habitadores (Patuá, 2023), A mesma vida é outra (2022), GRITO: silêncios ecoando em minha voz (2020), Oito Polegadas (2018) – este em parceria com mais três poetas, e Um eu in verso (2002), estes de forma independente. É autora e voz do podcast Trago Poemas, que já conta com mais de 500 episódios nas plataformas digitais. Também é uma das realizadoras do Sarau Preamar e do clube de leitura Onde se lê poesia, que leva a poesia para além das páginas.
O livro já está disponível para venda no site: clica aqui.


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