Pinturas de guerra leva espionagem, arte e exílio à Paris da Guerra Fria


Graphic novel do espanhol Ángel de la Calle mistura personagens históricos e ficção em uma trama sobre artistas latino-americanos perseguidos pelas ditaduras

Um jovem escritor espanhol chega a Paris disposto a investigar a misteriosa morte da atriz norte-americana Jean Seberg. O que começa como uma busca por respostas o conduz a uma trama marcada por espionagem, política, arte e exílio. Esse é o ponto de partida de Pinturas de guerra, graphic novel do quadrinista espanhol Ángel de la Calle, publicada no Brasil pela Editora Veneta.

Ao avançar pela investigação, o personagem se vê cercado por figuras que marcaram a política, o cinema, a literatura e o pensamento do século XX. Guy Debord, Jean-Luc Godard e Philip K. Dick aparecem em uma narrativa que também envolve o serviço secreto francês, um agente da CIA e os chamados autorrealistas, grupo de pintores latino-americanos refugiados em Paris após escaparem das ditaduras de seus países.

A combinação entre personagens reais e ficcionais permite que De la Calle revisite um período marcado pela Guerra Fria, pela repressão política e pelo exílio. Nesse cenário, a arte se relaciona diretamente com as experiências daqueles que precisaram abandonar seus países, carregando consigo histórias de perseguição, resistência e sobrevivência. Publicada originalmente em 2017 e lançada no Brasil em 2021, Pinturas de guerra tem 312 páginas e desenhos em preto e branco. A edição brasileira conta com tradução de Andrea Bruno, prefácio do escritor Paco Ignacio Taibo II e notas de Arthur Dantas e Rogério de Campos.

Uma trajetória ligada aos quadrinhos

Nascido em Molinillo de la Sierra, Salamanca, em 1958, Ángel de la Calle começou a publicar profissionalmente em 1979 e participou de revistas importantes para os quadrinhos adultos e alternativos, entre elas El Víbora, Star, Comix Internacional e Heavy Metal. Entre seus trabalhos de destaque está Modotti – Uma Mulher do Século Vinte, dedicado à fotógrafa e ativista Tina Modotti e considerada uma obra pioneira da graphic novel espanhola. O autor também criou tiras de humor político e social e publicou títulos como Diários de Festival e La Caja de Pandora. Na Espanha, atua ainda na organização da Semana Negra de Gijón e das Jornadas de Cómic de Avilés.

A presença de autores espanhóis ganha destaque na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026, que tem a Espanha como País Convidado de Honra. Com curadoria da escritora Marta Sanz, a programação dedicada ao país ocupa um espaço de 500 m² e reúne debates, exposições, encontros profissionais e escritores contemporâneos, contemplando a diversidade geográfica, linguística e literária espanhola.

Realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a Bienal reforça nesta edição o intercâmbio editorial e cultural entre Brasil e Espanha. Nesse contexto, obras como Pinturas de guerra também revelam os vínculos históricos entre a produção cultural espanhola e a América Latina, transformando experiências de exílio, autoritarismo e criação artística em matéria para os quadrinhos.


Sobre Pinturas de guerra

Tradutor: Andrea Bruno

Prefácio: Paco Ignacio Taibo II

Notas: Arthur Dantas; Rogério de Campos

Formato: Brochura

Número de páginas: 312

Preto e branco

Dimensões: 24x17

ISBN: 9786586691399

Editora: Veneta

Ano de lançamento: 2021



Serviço
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo Data: 4 a 13 de setembro de 2026 Local: Distrito Anhembi – São Paulo Público estimado: mais de 700 mil visitantes Expositores: 269