Primeiro teaser do filme Carolina Maria de Jesus revela imagens da escritora vivida por Maria Gal



Prévia do longa dirigido por
Jeferson De foi apresentada durante painel na Bienal do Livro de São Paulo. Adaptação de Quarto de Despejo acompanha o período entre a escrita dos diários e a publicação do livro

As primeiras imagens de Carolina Maria de Jesus foram apresentadas neste sábado, 5 de setembro, durante um painel dedicado ao longa-metragem na Bienal do Livro de São Paulo. Ainda em fase de pós-produção e com lançamento previsto para 2027, o filme tem Maria Gal no papel da escritora e adapta para o cinema Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, uma das obras mais conhecidas da literatura brasileira.

O encontro discutiu a memória, o legado e a importância de Carolina Maria de Jesus, além dos desafios envolvidos na transposição de sua história e de sua obra para as telas. Participaram da conversa Maria Gal, que também integra a produção do longa; Vera Eunice, filha de Carolina e atriz na produção; Clayton Nascimento, ator e preparador de elenco; e a escritora Conceição Evaristo, que faz uma participação no filme. A mediação ficou a cargo da jornalista e apresentadora Adriana Couto.

Dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira, o longa parte dos diários de Carolina para acompanhar o período entre a escrita de Quarto de Despejo e sua publicação. A narrativa procura apresentar também aspectos menos conhecidos da escritora, entre eles seus afetos, desejos, vaidade, maternidade e consciência política. Publicado originalmente em 1960, a obra nasceu dos registros feitos por Carolina sobre seu cotidiano e a vida na Favela do Canindé, em São Paulo. No filme, esses escritos fornecem a base para a narrativa que leva ao cinema uma personagem cuja trajetória ultrapassa a imagem associada apenas às dificuldades que enfrentou.

Além de Maria Gal, o elenco reúne Raphael Logam, Clayton Nascimento, Liza Del Dala, Carla Cristina Cardoso, Ju Colombo, Caio Manhente, Jack Berraquero, Fabio Assunção, Alan Rocha e Thawan Lucas, entre outros nomes.

As filmagens foram realizadas no Rio de Janeiro e passaram por locações como a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o bairro do Recreio dos Bandeirantes e os Estúdios Quanta Rio de Janeiro. Um dos principais desafios da produção foi recriar a Favela do Canindé dos anos 1950, onde Carolina viveu e registrou parte das experiências posteriormente reunidas no seu livro. Sob a liderança de Billy Castilho, a equipe de arte desenvolveu um cenário com mais de 400 metros quadrados. A cenografia foi combinada ao uso de dois painéis de LED, responsáveis por apresentar diferentes perspectivas do horizonte de São Paulo e da própria favela. Somados, cenário e painéis ocuparam uma área superior a 700 metros quadrados, em uma estratégia destinada a conferir profundidade e realismo aos ambientes.

Antes mesmo de chegar aos cinemas, o filme recebeu reconhecimento internacional. Em 2026, o longa participou do Goes to Cannes, iniciativa realizada no âmbito do Marché du Film, mercado oficial do Festival de Cannes. Mesmo ainda em fase de pós-produção, o longa esteve entre os três filmes de diferentes países a receber um prêmio de mercado, reconhecimento que destaca o potencial internacional da produção. 

Carolina Maria de Jesus tem produção de Clélia Bessa e Maria Gal, produção associada de Cris Arenas, Rosane Svartman e Sara Silveira e é uma realização da Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, em coprodução com a Globo Filmes. A Dezenove Som e Imagem participa como produtora associada, e a distribuição é da Elo Studios. Com estreia prevista para 2027, o longa leva às telas o período em que os escritos de Carolina deixaram os cadernos para chegar aos leitores, ao mesmo tempo em que procura apresentar outras dimensões da mulher por trás de uma das obras fundamentais da literatura brasileira.