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por  Jorge Ventura de Morais e Mayara Barbosa__


A TRADIÇÃO DA LUTERIA DA RABECA PERNAMBUCANA: UMA APRECIAÇÃO DA OBRA DE ZÉ DE NININHA


       A cidade de Ferreiros, localizada na Zona da Mata Norte de Pernambuco, é conhecida pela diversidade de suas manifestações culturais que vão do colorido do Maracatu de Baque Solto ao ritmo frenético e contagiante do Cavalo Marinho. Com uma população de pouco mais de 11 mil pessoas, a cidade é conhecida como a terra da rabeca e possui entre seus habitantes grandes mestres e artesãos.

      É nessa pequena cidade do interior que pode ser encontrado José Alexandre da Silva, mais conhecido como Zé da Rabeca ou Zé de Nininha (apelido dado como referência à sua mãe Nininha). Construtor de rabecas desde muito jovem, Zé de Nininha é conhecido e respeitado no meio musical e no cavalo marinho e as rabecas construídas por ele estão espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.  

     Brincante da cultura popular em sua mocidade, Zé de Nininha interpretava o “Babau”, um dos principais personagens do teatro popular de bonecos do Nordeste. Durante esse período, teve contato também com o Cavalo Marinho onde conheceu o Mestre Mané Pitunga com quem aprendeu a arte de construir rabecas.


 por Jorge Ventura de Morais & Ícaro Costa__

A Construção de Rabecas em Pernambuco: O caso Claúdio Rabeca
     A rabeca é um tradicional instrumento brasileiro que está presente em grande parte das manifestações culturais do país. Definida por Roderick Santos como um “instrumento de cordas tangidas por um arco de crina animal ou sintética, desprovido de padrões universais de construção, afinação ou execução”, a rabeca, por mais que não se tenha uma ideia clara de sua origem, é contextualizada por Juarez Bergmann Fº como um instrumento que surge a partir dos primeiros contatos que artesões brasileiros tiveram com o violino europeu, se estabelecendo, desta forma, como instrumento musical ligado às práticas culturais de comunidades afastadas do processo de industrialização e educação formal.
    A grande variedade de formas do instrumento e das técnicas de construção podem ser observadas em várias partes do país. No Nordeste, Roderick Santos vai considerar a existência de um tipo específico de rabeca que resguarda características visuais marcantes do violino, como o uso das quatro cordas, a cravelha, a voluta e os “Fs” (Ver figura 1), além das técnicas de construção e de encaixe do tampo, do fundo e das laterais, como poderá ser observado no abaixo. Santos vai denominar este tipo de instrumento de “rabeca-violino", que são os formatos mais tradicionais da rabeca. Este tipo difere do “violino-rabeca”, que são violinos utilizados por rabequeiros a partir de modificações estruturais no instrumento.


por Taciana Oliveira__




por Divulgação | Taciana Oliveira

por Taciana Oliveira


por Taciana Oliveira__

O álbum Lobo Atemporal nasce do encontro das performances sonoras do pianista e compositor Renê Freire com o músico, improvisador, ruidista, e artista sonoro radioasta Thelmo Cristovam. Fruto da apresentação no Lesbian Bar, reduto etílico-cultural recifense, o projeto foi criado a partir de uma série de improvisações livres gravadas no dia 02 de novembro de 2019. Renê Freire comenta que “improvisação livre consiste em tocar sem ensaios. O foco é a escuta mútua”

Na plataforma Bandcamp o álbum está disponível para download gratuito. Clica e acessa!




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Renê Freire é pianista e compositor, nascido em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Com influências da música para piano do começo do século XX e XXI, o músico está em processo de gravação do primeiro disco solo, "Átrio", no estúdio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Freire mescla peças de música contemporânea para piano e mista (piano e eletrônicos). Integrou o projeto Adamante, ao lado de Vinícius de Farias e Henrique Correia, que lançou o EP "Exercícios Sobre Mundanidade", em 2016. Renê Freire ingressou o mestrado em Composição na UFPB, onde sua pesquisa é sobre a Composição e a Performance.
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Thelmo Cristovam é pesquisador independente em psicoacústica, compositor/músico/improvisador/ruidista, artista sonoro e radioasta. Atualmente desenvolvendo um projeto que envolve radioastronomia e astrosismeografia/astrosismeologia (gravação e desenvolvimento de uma obra com sons do cosmo, fora da terra, com um interesse particular pelas explosões solares que estão em seu pico dos últimos séculos). Ao lado dessa pesquisa, também rascunha uma outra sobre as relações, caso existam, entre arte sonora e musica experimental no Brasil. Em termos gerais, a sua pesquisa/poética, incluindo aí as ações/oficinas, versa sobre a inexistência do tempo e de como essa ideia abstrata seria, por hipótese, uma estratégia da consciência para moldar o mundo "real", e esse moldar seria construído a partir do som, e em particular, a dimensão temporal seria uma dimensão espacial altamente especializada e não simétrica e desse ponto seriam herdadas e/ou transmitidas as características do som, daí o uso da psicoacústica para tentar entender a escuta a partir dessas premissas.
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Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem



por Divulgação Mirada__


por Taciana Oliveira__

por Taciana Oliveira__


por Taciana Oliveira__



Texas é um clipe, em formato curta-metragem, da banda pernambucana Diablo Angel. O filme reverbera uma delicada e visceral narrativa sintonizada com os tempos sombrios que regem o nosso país. As imagens em preto e branco e os planos extremamente bem elaborados são costurados harmonicamente a uma edição precisa e pontual. A direção, fotografia, roteiro e montagem são do pernambucano Felipe Soares, que concebeu uma obra onde a linguagem documental dialoga com elementos sci-fi.
O discurso narrativo critica abertamente a lavagem cerebral perpetuada pela ideologia armamentista da extrema direita brasileira. Na abertura temos o depoimento de Joelma Andrade, mãe de Mario Andrade, um menino de 14 anos, assassinado a tiros em 2016 por um policial militar, no bairro do Ibura, periferia do Recife. Em Texas a mensagem é explícita:
Um tiro, uma farpa
De onde veio a bala?
Foto amigo? Ou inimigo?
Uma conspiração
Um copo d’água
E onde isso nos leva?
Ao que nos resta
O que nos resta?

Trecho de Texas, música de Diablo Angel

Texas,  está no Prisma Rome Independent Film Awards 2020, Itália

O cenário escolhido para a produção do videoclipe revela a paisagem urbana da capital pernambucana e o semiárido de Surubim. Em tempos de intolerância e políticas genocidas, Diablo Angel nos chama para a consciência. Afinal, a arte nos fortalece no caos. Mario, vive! Resistir ainda é a nossa melhor opção. Assistam o vídeo, escutem a música e reflitam sobre o nosso cotidiano segregador, fincado nos alicerces da banalidade do mal. Texas nos representa.





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Felipe Soares (1984) é produtor, roteirista e diretor cinematográfico. Vive e trabalha no Recife, Brasil. Em 2008, se tornou professor e especialista em educação escolar, seus estudos acadêmicos problematizam o cinema e a cultura corporal. Em 2016 dirigiu o seu primeiro curta-metragem “Autofagia”, onde conquistou 11 prêmios, dentre eles, Melhor Filme no XII Cine PE e no Circuito Penedo de Cinema 2017, posteriormente, o filme foi adquirido pelo Canal Brasil. Recentemente, Felipe está em fase de distribuição do seu segundo curta-metragem de ficção "O Menino que Morava no Som", o curta estreou na Itália (Edera Film Festival 2019) e esteve presente em festivais na Espanha, México, Áustria, Brasil e França.

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Foto: David Nat 01
Diablo Angel tem Kira Aderne, vocal e guitarra, Tárcio Luna, guitarra, e Walman Filho, bateria. Em 2020, a banda completa 6 anos de estrada com dois discos lançados e uma turnê pelo Nordeste. Em 2016, lançou o seu primeiro trabalho em estúdio, o disco Fuzzled Mind (Tratore). Já 2019, a Diablo Angel trouxe em fita k7 o disco Futuro (Tratore). Dois trabalhos bastante elogiados pela crítica local e em sites especializados pelo Brasil. Com dezenas de apresentações ao vivo pelo Nordeste, o trio já passou por alguns dos festivais mais importantes da região, entre eles o Abril Pro Rock, o Coquetel Molotov, o Festival de Inverno de Garanhuns, o Grito Rock, entre outros.  
contato@diabloangel.com          @diabloangeloficial           www.diabloangel.com
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Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.  


por Divulgação| Mirada


por Taciana Oliveira__



por Taciana Oliveira__

por Taciana Oliveira__




Na pré-adolescência a minha solidão era reflexo da total falta de empatia com o núcleo familiar que foi me imposto. Durante alguns longos anos não morei com minha verdadeira família. Consequência de um processo traumático que culminou com o desquite dos meus pais. Para preencher esse vazio passei a devorar intempestivamente os livros da estante da minha tia, ou os muitos que chegavam pela mãos dos meus irmãos. Posteriormente me apaixonei por música popular. Virei uma fiel ouvinte de programas de rádio, colecionadora de publicações musicais e consequentemente adoradora de vinis.

Ainda hoje vou-me embora pra Candeias
Ainda hoje meu amor eu vou voltar
Da terra nova nem saudade vou levando
Pelo contrário, pouca história pra contar

Candeias, Edu Lobo




No comecinho da década de 1980, meu pai adquiriu um apartamento no bairro de Candeias, próximo às praias de Piedade e Barra de Jangada. Esse imóvel virou quase que uma “casa de veraneio” frequentada por parentes e amigos. Depois de um longo hiato nossos encontros tornaram-se quase que regulares nos finais de semana. Mas ainda assim sempre persistia um silêncio, uma distância incômoda, consequência infeliz da nossa separaçãoFoi em Candeias que perdi as contas de quantas vezes ouvi a voz de Gal Costa nos corredores do Edifício Ramalho Ortigão. Seu Euclides adorava ouvir a cantora baiana entoar os versos do compositor Lupicínio Rodrigue: Volta!/ Vem viver outra vez ao meu lado...
O álbum em questão era uma coletânea de grandes sucessos, e vinha com as gravações originais de Baby, London London, Não identificado e Divino Maravilhoso. Escutar aquele vinil, naquele instante, era um sopro de esperança, um presságio do que estava ainda por vir.

Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte

Divino Maravilhoso, Caetano Veloso



Li mais livros e escutei bem mais canções do que falei com meu próprio pai. Nossa esparsa convivência nesse mundo foi permeada por desencontros. Euclides era uma figura folclórica, mas era respeitado por seus clientes, amigos e funcionários. Um torcedor fanático do Sport, um folião incansável, boêmio e frequentador do histórico Bar Savoy. Meus dois irmãos herdaram comportamentos e hábitos semelhantes ao dele. É através deles que me reconecto a algumas lembranças e ao principal legado do Seu Euclides: a honestidade. Não há um final de conto de fadas nessa narrativa. Há erros e acertos. Algumas atitudes poderiam ter sido evitadas, outras careciam de uma maior atenção. Quando recordo do homem que foi meu pai, desenho sequências de um filme por vezes melancólico, mas extremamente coerente para o que aconteceu dentro das suas limitações. De vez em quando ainda sinto o cheiro doce e perfumado do fumo irlandês que ele guardava no bolso da camisa  de linho. São fragmentos da infância, polaroides da adolescência, registros de discussões inúteis de pessoas que se amavam tanto e não sabiam verbalizar o óbvio. Enquanto me preparava para escrever esse texto coloquei na radiola o álbum lançado por Gal Costa, em 1969. Comprei essa raridade de um rapaz, que comercializava vinis antigos na calçada onde antes funcionava o Savoy. Coincidência? Não sei. Deixemos a baiana cantar!

Você precisa saber da piscina
Da margarina, da Carolina, da gasolina
Você precisa saber de mim

Baby, baby, eu sei que é assim
Baby, baby, eu sei que é assim

Você precisa tomar um sorvete
Na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto
Ouvir aquela canção do Roberto

Baby, baby, há quanto tempo
Baby, baby, há quanto tempo

Você precisa aprender inglês
Precisa aprender o que eu sei
E o que eu não sei mais
E o que eu não sei mais

Não sei comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz
Vivemos na melhor cidade
Da América do Sul, da América do Sul
Você precisa, você precisa, você precisa
Não sei, leia na minha camisa

Baby, baby, I love you
Baby, baby, I love you

Baby, Caetano Veloso



*Para Euclides de Oliveira Melo, meu pai.


Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.





por João Gomes__



Divulgação__


Fotografia: Kamila Ataíde

por Taciana Oliveira__



Sou bem desorganizada. Posso está errada, mas meus amigos aceitam isso numa boa. Eles são parte dessa desorganização. Na verdade, eles me organizam. Sou uma caixa de memórias. Livros, filmes e vinis me acompanham como uma bússola, uma referência para não perder a lucidez. Minha casa não é uma construção física, um imóvel herdado da família, uma escritura registrada em cartório. Já morei em tanta casa que nem me lembro mais. Não moro com meus pais. Minha casa sou eu.

Há alguns meses a radiola, que ganhei de presente do meu irmão, parou de funcionar. Uma hora dessas resolvo esse problema e compro um daqueles modelos vintage, anunciados nas redes sociais. Voltarei a rotina de ouvir Ella Fitzgerald pela manhã, enquanto faço café e penso no que posso deixar de fazer. Conheço e sou usuária dos serviços de streaming. As playlists seguem meus roteiros de caminhadas pelas ruas de Hellcife. Mas escutar um vinil proporciona um monte de sensações que poucas pessoas irão compreender. Muitos não viveram o ritual de visitar lojas de LPS, de garimpar descobertas e dividir essa alegria. Não conheceram seus melhores amigos emprestando um vinil. E aqui começa a história que quero  contar para vocês.

Em 1989, voltei a morar com meu pai. Eu era vizinha do cinema São Luiz e enlouquecia meu irmão, escutando repetidas vezes um compacto de quatro faixas de Janis Joplin, brinde da saudosa Revista BIZZ, publicação da Editora Abril Cultural. Juntei uns trocados, atravessei a cidade e comprei o álbum póstumo Farewell Song, que vinha com umas das interpretações que mais amo de Janis: One Night Stand. Era uma overdose sonora sem fim.



Meses depois comecei as aulas de natação na UFPE, como prática obrigatória da disciplina de Educação Física para os alunos do primeiro período de todos os cursos da Universidade Federal. Naquelas aulas conheci uma grande amiga que me levou ao encontro de outra grande amiga. Vica, estudante de Psicologia, tocava guitarra e desde sempre tinha uma delicadeza que humanizava uma rocha.
Nos encontramos pela primeira vez nos corredores do CFCH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas). Ela me emprestou Enterrada Viva - A Biografia de Janis Joplin, de Myra Friedman e o álbum Kosmic Blues. Com o tempo chegaram em minhas mãos On the road, de Kerouac e Escuta, Zé Ninguém!, de Wilhelm Reich.

Tenho certeza que nossos amigos jamais irão esquecer os acordes e a voz inconfundível de Vica: She said: Hey, honey, take a walk on the wild side. Ela adorava Rita Lee, The Doors, Legião Urbana, Lou Reed, David Bowie... Confundia arrumadinho com dobradinha, jogava vôlei pessimamente, mas seu time sempre ganhava. Não entendia nada de futebol, assistia todas as partidas da seleção brasileira pra gritar: “Gol de Raí!” O irmão do jogador Sócrates era o único que ela lembrava o nome. Quando decidiu fazer mestrado e morar em Campinas, foi me contar a novidade, já sabendo que iríamos nos despedir. Naquela tarde ouvimos 10.000 Maniacs. Falamos do futuro, ficamos emocionadas. Minha vida havia tomado um rumo estranho e esquisito. Mas juramos não perder contato. Vica, fiel a sua condição de delicadeza, sempre me guiou de volta pra casa: Não vou deixar você se afastar. Não aceito isso.



Em 2020, estamos tão distantes. A geografia é ingrata. Ela em Sorocaba. Eu em Recife. Mas sempre nos comunicamos, cobramos de nós, coragem. Aquela coragem que ousamos buscar para defender a nossa identidade. Nunca aceitamos a intolerância, o preconceito. Nossa bandeira é plural. Nossa religião, o afeto.
Outro dia, trocando mensagens, Vica me conta que tinha ouvido uma canção no rádio. Tentava lembrar o nome, ia procurar e retornar. Era Janis, era Kosmic Blues. Hoje, aniversário de Vica, tomei café da manhã e vim escrever esse texto. Ouvi Kosmic Blues nas alturas. Acho que, em Sorocaba, ela também ouviu.  


* para Viviane Mendonça
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*playlist do álbum Kosmic Blues
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Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.


por Recife-Lo Fi e Taciana Oliveira__



Artista cultuado entre bandas de rock alternativo a partir da segunda metade dos anos 1980, e em circuitos de música independente amantes da produção DIY (do-it-yourself, ou faça-você-mesmo), Daniel Johnston morreu em 10 de setembro deste ano, vítima de um fulminante ataque cardíaco. Deixou um grande legado. Johnston foi um prolífico músico praticante da bricolagem sonora e pioneiro das gravações artesanais, ou lo-fi, gravando principalmente em cassetes e utilizando recursos caseiros de produção. Suas músicas e obras de arte – como seus vários desenhos e pinturas – influenciaram diversos artistas como Mike Watt, Sonic Youth, Tom Waits e muitos outros. Um dos seus fãs mais notórios era Kurt Cobain, falecido líder do Nirvana, que ajudou a divulgar seu trabalho ao usar uma camiseta com a capa do disco Hi, how are you, de 1983.
O cantor e compositor folk deixou para trás um conjunto incomparável de produções, começando com Songs Of Pain de 1981 e terminando com Beam Me Up!. Lee Ranaldo e Steve Shelley, do Sonic Youth, também contribuíram para um dos álbuns de Johnston, intitulado 1990, lançado em 1988. Johnston lutou com problemas de saúde física e mental durante a maior parte de sua vida e foi diagnosticado com esquizofrenia e transtorno bipolar. Problemas abordados no aclamado documentário de 2005, The Devil and Daniel Johnston. O herói do folk é mais lembrado por músicas como Life in Vain, True Love Will Find You the End e Walking the Cow.


Supervão, Zeca Viana e Gentrificators
 Créditos: Ana Bassasi e Kamila Ataíde

E justamente no sentido de homenagear e relembrar as músicas e o legado do artista, foi organizada por Marcelo Conter (Gentrificators) e Mario Arruda (Supervão), a coletânea nacional “Canções ao Inconsciente de Daniel Johnston” reunindo 17 faixas, entre versões, covers e músicas inspiradas. "Daniel Johnston faleceu em setembro de 2019, vítima de ataque cardíaco. Mas seu coração segue pulsando dentro de nós. É por isso que organizamos uma singela homenagem: uma coletânea de gravações instantâneas em tributo ao grande compositor, sem fins lucrativos", comenta Marcelo Conter.



A coletânea conta com Supervão, Zeca Viana, Gentrificators, Frankestein Love, Estêvão Vieira, Walter Willy, Medialunas, Cine Baltimore, Moldragon, Solomon Death, Juliano Rodrigues, Gue Martini, Gabriel Islaz, Agreste e conta com uma arte assinada por Eric Pedott. “Da minha parte, coube incentivar o Marcelo, conversar um pouco sobre o conceito e o nome da coletânea... E pude também participar musicalmente com duas músicas: uma com a Supervão, na qual sampliei “Hi, how are you” e inserimos em uma estética lo-fi hip hop; e outra sozinho em uma gravação espontânea que fiz em 2 horas livres em um dia de coração apertado...”, explica Mario Arruda.




O Mirada conversou pelo WhatsApp com Zeca Viana sobre a participação na coletânea:
1 - Por que Life in Vain?
Life in Vain foi a segunda música que ouvi do Daniel Johnston (a primeira foi Love Wheel). Isso em 1998, através de um CD-R pirata do álbum FUN (1994). Aliás, FUN é o primeiro disco lançado por uma gravadora; então meu primeiro contato com a obra dele não foi diretamente com as gravações caseiras que só consegui acesso um ano depois. Depois vi pela primeira vez o videoclipe de Life in Vain no programa Lado B da MTV apresentado por Fábio Massari. No final dos anos 90 ainda era muito difícil baixar músicas pela internet, então esse CD-R me salvou. Sempre adorei a melodia: pop, mas ainda bastante folk e muito simples. Escolhi essa faixa por conta da letra que fala sobre não passar a vida em vão, sobre manter a esperança. É uma letra bastante crítica também sobre costumes, a relação com a dependência da TV (hoje ironicamente existe essa mesma dependência das redes sociais) e como muitas vezes parecemos mortos-vivos no automático fazendo coisas sem refletir".

2 - Quem participa da produção da faixa ?
Gravei a faixa sozinho em casa. Quando Marcelo Conter, organizador da coletânea, entrou em contato, essa música foi a primeiro que me veio à cabeça. Então, gravei a música aqui no meu homestudio. Primeiro gravei a bateria e o baixo como base, e aproveitei para testar um amplificador de guitarra handmade que comprei recentemente e tentei deixar ela bastante direta e simples, sem mudar muito os arranjos originais, mas dando uma roupagem mais garage rock. Passei uns dois dias mixando para dar essa cara de ao vivo, com alguma sujeira e características de garagem mesmo, com uma sala pequena e como se todos os instrumentos tivessem tocando juntos. Depois fiz a master e enviei para Marcelo. Gostei muito de fazer essa versão e fiquei com vontade de fazer outras de outras bandas e artistas que me influenciaram de alguma forma.


Daniel Johnston
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Taciana Oliveira é mãe de JP, cineasta, torcedora do Sport Club do Recife, apaixonada por fotografia, café, cinema, música e literatura. Coleciona memórias e afetos. Acredita no poder do abraço. Canta pra quem quiser ouvir: Ter bondade é ter coragem.



por Taciana Oliveira__
Uma entrevista, um bate-papo virtual com Marcelo Rêgo, um dos criadores do duo Sargaço Nightclub.

A música sempre nos acompanhou
O projeto Sargaço Nightclub é um duo de música autoral formado por nós, Sofia França e Marcelo Rêgo. Nós tocamos, respectivamente, violão e guitarra e dividimos os vocais de praticamente todas as músicas: sempre que um faz a voz principal, o outro faz backing vocal, e assim dividimos o repertório meio a meio.
Sargaço  Nightclub : Marcelo Rêgo e Sofia França
Fotografia: Kamila Ataíde