por Matheus Luzi |
Artwork do Single "Injustiça Climática" — acervo próprio
"Injustiça Climática" é tema do lançamento colaborativo entre Ricardo Marques, Luiz Caldas, Jonas Sumaúma e Ailton Krenak
Em um encontro ancestral e provocativo, o single reúne o ''Pai da Axé Music'', o Imortal da ABL e o Cantautor pesquisador para alertar sobre a emergência ambiental e o futuro sustentável Pós-COP30
No despertar de 2026, quando os ecos das discussões globais da COP30 ainda reverberam, surge uma obra que se recusa a deixar o tema da sobrevivência ambiental esfriar. No dia 15 de janeiro, chegou às plataformas digitais o single “Injustiça Climática”, uma colaboração monumental liderada pelo cantautor e pesquisador Ricardo Marques e o mestre multi-instrumentista Luiz Caldas, com as participações fundamentais de Ailton Krenak e Jonas Samaúma. Mais que uma canção, a faixa é um manifesto sonoro que questiona o modelo de consumo atual e reafirma a urgência de nos entendermos como parte indissociável da natureza.
Escute "Injustiça Climática" no Spotify
A obra nasce de um encontro inusitado, mas profundamente necessário, entre diferentes brasis. De um lado, Ricardo Marques, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente e grande conhecedor das questões de sustentabilidade; de outro, Luiz Caldas, um ícone da música popular brasileira que, nos últimos anos, tem reafirmado sua maestria nos gêneros de raiz, com indicações consecutivas ao Grammy Latino. A esse diálogo somam-se as vozes de Ailton Krenak, que dispensa comentários: filósofo, escritor e o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras; e do poeta Jonas Samaúma, cujas trajetórias são dedicadas à defesa dos povos originários e à preservação da vida.
Musicalmente, “Injustiça Climática” é uma jornada sensorial que transita entre a sofisticação do instrumental clássico e a força telúrica dos elementos indígenas. A sonoridade evoca a profundidade de Elomar Figueira e Xangai, misturando o rigor do violoncelo do Maestro João Omar à percussão de Emílio Bazé, criando uma atmosfera que remete aos rezos xamânicos e à força da canção de protesto de nomes como Chico César e Geraldo Azevedo. É uma peça onde a técnica apurada serve à mensagem, e o arranjo orgânico convida à reflexão profunda.
A letra, composta por Krenak, Samaúma e Rodrigo Quintela, é um alerta contundente sobre as fissuras do sistema atual. Ao cantar que “O amanhã não está à venda” e que “Estamos na mesma canoa”, os artistas lembram que a natureza não é mercadoria, mas nossa própria essência. A faixa faz referência direta aos desastres climáticos recentes e à “confusão” do tempo, onde o ciclo natural é atropelado pela máquina do lucro. É um grito de resistência que busca transformar a angústia da emergência climática em "bombas de poesia”, como definem os próprios artistas.
Para Ricardo, este lançamento marca um posicionamento crucial em sua trajetória como cantautor. A escolha de lançar a canção logo após a COP30 sublinha o compromisso do grupo em manter o debate vivo: a sustentabilidade não pode ser um evento sazonal, mas uma prática constante e uma mudança de paradigma mental.
“Injustiça Climática” é o primeiro passo de um projeto maior: um álbum previsto para o primeiro semestre de 2026, focado em temas reflexivos e na defesa dos direitos indígenas. O encontro entre poetas, um ícone popular e pesquisadores resulta em uma obra que desafia classificações de gênero, buscando, acima de tudo, sensibilizar o ouvinte para a ideia de que “sem a natureza, vamos acabar”.
Letra
"INJUSTIÇA CLIMÁTICA" (Jonas Samaúma- Ailton Krenak – Rodrigo Quintela)
Kopenawa avisou será que
O dia não veio azul e no rio grande do sul
De repente o céu caiu
A terra é nossa mãe e não mercadoria
O tempo está confuso o galo
O amanhã não está à venda é
Pra sairmos dessa fria
Estamos na mesma canoa quem percebe ela afundar
A vida é só na terra não
A conjuntura é dramática a
Somos todos natureza sem ela
Somos todos natureza sem ela
Somos todos natureza sem ela
Somos todos natureza sem ela
Ficha Técnica
Injustiça Climática
Compositores: Ailton Krenak, Jonas Samaúma e Rodrigo Quintela
Cantam: Ricardo Marques e Luiz Caldas
Participação especial: Ailton Krenak e Jonas Samaúma
Violões - Clériston Cavalcante
Violoncelo - Maestro João Omar
Percussões - Emílio Bazé
Técnicos de áudio - Luciano PP, Pejota e Abnner Keys
Produção musical - Nagib Barroso
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Instagram: Ricardo Marques - Luiz Caldas - Ailton Krenak - Jonas Samaúma
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