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Poemas de Stephany Freitas

 por Stephany Freitas 


Foto de Dallas Reedy na Unsplash

Entre o que pressinto



A noite se dispõe

em mantos de bruma,

como se a lua

fosse um presente

escondido

nas dobras secretas do horizonte.


Pressupor o instante que virá

é como tentar

segurar a água

que escapa pelos dedos:

metade se perde,

metade se oferece

em pura harmonia.


O sopro, em sua delicadeza,

traz pressentimentos sutis,

como pássaros imperceptíveis

voando entre o visível

e o oculto.


E então, o telefone toca:

não é chamada,

é metáfora —

um aviso do universo,

um sussurro fugaz,

lembrando que a viagem

é passagem constante,

e ninguém pode deter seu fluxo.


E eu, que caminho pelos labirintos,

vejo que cada momento deixa um rastro

antes que se dissolva,

frágil, tímido,

mas capaz de tocar o infinito.


No Topo do Muro



Ouço cantos na janela,

e quando vejo,

um pequeno pássaro repousa,

como se trouxesse

um fôlego ao concreto gasto.


Entre tijolos ásperos

e paredes corroídas,

ele finca o instante,

fazendo do áspero

um território de leveza.


O cinza se desmancha

sob o ritmo do bico,

e o tempo se suspende

na pausa das asas.


Ali, no topo do muro,

faz seu ninho,

e com seu canto,

as nuvens se curvam

e o mundo inteiro

para para ouvir.


Sou Minha Própria Força



Ergo-me inteira, sem pedir permissão,

minha essência não cabe em moldura nenhuma.

Sou caminho, força e decisão,

faço da minha voz a minha própria fortuna.


No espelho, encontro minha maior aliada:

quem eu fui, quem eu sou, quem escolho ser.

Ser dona de mim é meu passo sagrado,

é me olhar com verdade

e enfim me pertencer.


Quando tropeço, sou quem me levanta;

quando duvido, sou quem me relembra:

minha essência é ponte, não é perda,

e cada passo meu

é força que se reinventa.


Haicai 1


No céu da manhã,

pássaros cortam o céu,

banhados em ouro.




Haicai 2


Vestida de cor,

o rosto nasce na tela,

cores se espalham.




Sou Stephany Freitas, tenho 24 anos, sou escritora, poetisa e influenciadora digital de Salvador (BA). Sou uma pessoa com deficiência física em decorrência de Atrofia Muscular Espinhal Tipo 3 e iniciei minha trajetória literária ainda na infância, publicando meu primeiro livro, As Aventuras de Stephany e Luana, aos 12 anos. Minha voz e sensibilidade já alcançaram rádios nacionais e internacionais, e sigo consolidando-me como uma jovem referência de inspiração e talento na literatura contemporânea.