por Carlos Monteiro |
| Fotografias de Carlos Monteiro |
Detalhes
Hoje, novamente, vi uma borboleta
amarela, talvez um ‘recado’ de Oiyá, um lembrete de Rubem Braga e a lembrança
de pequenos detalhes que Roberto engrandeceu falando de amor, saudade, vida e
retratos, uma longa e sinuosa estrada de pormenores, minuciosamente arrumados de
forma que cada minuciosidade se torne uma circunstância.
Nesse corre alucinado da vida
detalhes passara a meros e insignificantes momentos quase íntimos, talvez mais
ninguém perceba as borboletas ou os pássaros que nos rodeiam, o detalhe da
fechadura enferrujada pelo tempo que lhe expôs a todas as intempéries, gotas de
orvalho, sol escaldante, ventos mareantes e pingos sutis da chuva branda
outonal.
Sou desses, ‘percebedor’ de detalhes
pelo caminho, não acompanhado do voo da borboleta de Rubem, mas registrado
pelas retinas que insistem em buscá-los; quanto mais ínfimos, mais
significativos, quanto mais sutis, melhor expressarão minha arte.
Ando pelas ruas observando coisas,
pelas esquinas prestando atenção em minúcias, em breves imagens, às vezes
espelhadas em um pequeno caco de vidro, restos mortais de uma garrafa atirada
ao léo resquícios de uma noitada boa.
Meus caminhos são de olhares
certeiros, tal qual o gavião ou quem sabe o carcará, nas calhas da roda, passo
a passo, olhos atentos, câmera em punho… ah, mais uma minúcia naquela grade,
mais um grão naquele espelho, mais uma dobra naquela folha vincada.
É o bater das asas da borboleta
causando um furacão em minha mente, é o jogo de luz e sombra, brilhos e
reflexos que me levam a refletir que a capacidade de viver bem está intimamente
atrelada ao mais mínimo detalhe, na partícula subatômica, uma eletrosfera que
circunda e rodeia meu olhar, a anti-rosa atômica.
Quem sabe a borboleta amarela é o
ponto de partida para observações mais acuradas do nosso entorno, quem sabe é
um grito da natureza mostrando o caminho presente interruptamente… quem sabe
a especificidade é a rua de pedrinhas brilhantes que embalam nossos sonhos,
prazeres e atmosferas, particularidades impressas em nossos olhares?
Serão sempre muitos detalhes em
nossas existências de viver.
Carlos Monteiro é fotógrafo, cronista e publicitário desde 1975, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos nacionais. Atualmente escreve ‘Fotocrônicas’, misto de ensaio fotográfico e crônicas do cotidiano e vem realizando resenhas fotográficas do efêmero das cidades. Atua como freelancer para diversos veículos nacionais. Tem três fotolivros retratando a Cidade Maravilhosa.






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