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Poemas de Thamires Ravelly

 
Foto de Lucas K na Unsplash

Seis poemas de Thamires Ravelly



I


Estou me afogando

Sei que só eu

Posso me resgatar

Mas eu sou o próprio mar


                        Como me salvar de mim?



II


Entre idas e vindas

Entre o antes e o depois

Eu só queria me encontrar

Plena 

No agora



III


Era uma tarde de sexta-feira

Arrumei meu quarto

Juntei minhas cartas de baralho...

Nenhum amigo estava disponível

Todos estavam vivendo

Trabalhando 

Estudando...

E eu aqui

Querendo jogar baralho

Em uma tarde de sexta-feira

Ao invés de estar vivendo

Trabalhando

Ou estudando


Pena que não dá para jogar baralho sozinha





IV


Olho pela janela...

Nada 

Apenas sombras, silêncio

Silêncio que sopra em meus ouvidos

E faz meu coração arder

Talvez a lua esteja no céu

Estrelas brilham

Mas nada disso chega aos meus olhos

Ou à minha alma

E a noite segue

Escura

Vazia

Enquanto meu coração busca...

Incansavelmente

Apenas uma fresta de luz

Para que eu possa sentir algo outra vez

E todo o resto faça sentido



V


Eu conheço muito pouco

Sobre muito pouco 

Quase nada

Ainda assim meu cérebro arrogante

Insiste em achar que sou algo

Parecido com "inteligente"

Não 

Saber isso ou aquilo

Um fato aleatório

Não me torna inteligente

Muito menos mais inteligente do que qualquer outra pessoa

Eu não sei quase nada

De muito pouco

Me falta uma vida inteira 

Pra eu saber muito

Sobre pouca coisa

Me falta uma vida inteira

Pra eu chegar perto 

De ser algo parecido 

Com "inteligente"




VI


Cristal


Como um cristal puro

Puro e frágil

Incrível a sensação te o ter visto 

Tão de perto

Tocado, sentido e apreciado

Algo tão singelo e delicado


O cristal, tal qual qualquer pedra preciosa

Precisa de cuidado

Delicadeza

A cada toque

A cada manuseio

Eu, tola, achei que podia tê-lo


Como uma criança boba

Ou melhor, como uma dissimulada tonta

Dancei, pulei, joguei essa preciosidade 

Que foi deixada em minhas mãos

E, por várias vezes, o cristal tão puro

Tão frágil, veio ao chão


Não foi acaso

Não foi tolice

Não foi como se ele escapulisse 

Meu corpo, mãos, olhos, dedos

Sambaram e dançaram com a coisa mais preciosa

Que tive o prazer de sentir


E o puro cristal continua a se despedaçar 







Thamires Ravelly, nascida em janeiro de 2002 é autora de poesia contemporânea. Ingressou em quatro cursos superiores, o que reflete sua determinação e capacidade. Seu maior feito, até então, é a escrita deste livro. Fascinada por astrofísica, animes e poesia, Thamires se inspira tanto em suas próprias experiências quanto na literatura e, com isso, expressa sua arte na escrita.