por Danilo Heitor |
O trinco, ou dois e um
Eu conheci Amu debaixo dos lençóis.
***
O trinco no vidro da janela, no verão, alinhava perfeitamente com o horizonte, ali por volta das catorze horas. Quer dizer, não é que o horizonte se movesse, mas o jogo de luz e sombra do sol sobre a paisagem externa fazia com que a linha entre o iluminado e a escuridão ficasse exatamente no lugar do trinco para quem olhava de dentro da rede. Era engraçado, parecia até um dos desenhos feitos por Ool nas outras janelas da casa, passarinhos voando, árvores que se encaixavam na paisagem de um certo ângulo, frases espirituosas. A diferença é que o trinco era uma linha reta, uma divisão, bem diferente das tantas curvas que a companheira de Amu rabiscava por todo lado.
As tardes eram momentos de reflexão em Ganga Zumba. Depois do almoço, por toda a comuna, as pessoas reservavam algumas horas para pensar na vida. Quando os tempos coincidiam, Amu gostava de deitar na rede, de frente para a janela trincada, e brincar de dividir o mundo lá fora em dois, abaixo e acima do horizonte. Na parte de cima, apenas seres voadores, vivos ou não, pássaros, borboletas, drones, insetos — que elu imaginava, já que eram pequenos demais para ver àquela distância. Na de baixo, seres da terra, colheitadeiras mecânicas, plantas e animais de todo tipo, inclusive os seres humanos. As plantas, especialmente, tornavam-se canais de comunicação entre os dois mundos, as que eram grandes o suficiente para atravessar o trinco de baixo para cima. Por vezes, pensava em escrever sobre aquilo, contos, novelas e romances sobre o mundo partido em dois, trincado, dividido, mas acabava sempre dormindo.
Do lado de fora da janela, as coisas eram de outro jeito. Nada na comuna era dividido ou partido. Ninguém usava essas palavras em Ganga Zumba. O mais próximo disso era pensar nas coisas como compartilhadas, pertencentes a todes e, por conta disso, a ninguém — ou seja, comuns. Ool gostava dessa ideia mais do que Amu, que não entendia por que não podia ter algo só seu fora da casa. Restringir a ideia de privacidade aos objetos de uso pessoal parecia um exagero, mas elu não ousava questionar as regras da comuna: sabia de cor o sermão que iria ouvir, o passado, as guerras, o horror da propriedade privada. Preferia manter os questionamentos do lado de dentro, da casa e da mente, e deixava para desabafar com a janela. O trinco não respondia nada — nem entendia disso de território, propriedade e coletividade.
***
As coisas ficavam mais confusas para Amu quando o assunto era o amor. Ool e elu eram parceires há muitos anos, mas desde o início tinham perspectivas diferentes sobre o relacionamento. Ool não acreditava em exclusividade. Amor, para ela, era sinônimo de liberdade, de ir e vir, de encontrar e de se perder. Já Amu... Dizia que também era isso que queria, mas não era bem assim. Ool ou não via, ou fingia não se importar, porque se eu, um forasteiro há poucos meses em Liberdade, percebi logo, não tinha como a pessoa mais observadora que conheci por aqui não ter notado.
Amu não falava o que queria ou o que deixava de querer, mas as mudanças de comportamento, e até no tom de voz, eram nítidas a qualquer um que prestasse atenção. Sempre que Ool saía com outra pessoa, Amu se fechava. Notei isso antes mesmo de me relacionar com elu, e talvez por isso mesmo elu tenha decidido ter alguma coisa comigo. Nunca perguntei nada, mas o fato é que Amu não gostava da ideia de compartilhar o afeto da companheira com alguém mais. E eu acabei me tornando a válvula de escape para esse sentimento.
***
Era um dia de Lua Nova-1 quando Amu chegou em casa e encontrou Ool acompanhada de duas pessoas, que mediam o vidro trincado. Largou a bolsa sobre a poltrona e se dirigiu ao trio:
— O que está acontecendo?
— Vieram medir o vidro para trocar — respondeu Ool.
— Mas... Por quê?
— Ué, por conta do trinco.
Amu sentiu algo próximo ao sentimento de perda, mas que não era bem isso. Tentou não transparecer nada, como sempre.
— E precisa? Não é muito capricho estético?
— Não — respondeu um dos vidraceiros. — Com o abre e fecha da janela, esse vidro pode acabar se soltando e cair lá embaixo na cabeça de alguém.
Amu riu com algum descaso.
— Não é um certo exagero isso? O trinco está aí há meses, e o vidro segue firme como sempre.
Ool achou estranho.
— Amu... Não entendo. Por que tanto questionamento em relação a um vidro?
— Eu... Eu gosto dele — respondeu Amu, sem graça de dizer o motivo na presença de desconhecidos. — Estou acostumade.
— Você pode gostar, mas nenhum gosto pessoal pode estar acima do cuidado coletivo, você sabe disso. Além disso, o vidro trincado não é mais funcional — o tom de Ool era de encerramento de conversa.
— Não estou sendo descuidade, vocês é que estão exagerando. E muito me admira você, uma artista, se preocupando tanto com funcionalidade.
Ool cruzou os braços.
— Não me venha com esse estereótipo de artista de novo, Amu. Não quero brigar por tão pouco.
— Nem eu — respondeu Amu, partindo para a cozinha a passos duros. Era o jeito que conhecia de terminar as conversas que não queria ter mais.
Os vidraceiros, que tinham parado o serviço para acompanhar a discussão, perguntaram se deveriam continuar. Ool disse que sim. Pelo resto da tarde, não tocou no assunto, mas antes de deitar resolveu cutucar Amu.
— Muzinhe... Me explica o seu apego pelo vidro trincado?
— Não é apego, é que... Ele me faz pensar.
— Pensar em quê?
— Na vida, no mundo... nas possibilidades.
— Sério mesmo? Um trinco?
Amu respirou fundo. Assim como nas assembleias da comuna, sempre pensava muitas vezes antes de engajar em discussões com Ool, ainda mais antes de dormir. Considerou os rumos possíveis para aquela conversa e, como de tarde, achou melhor encerrá-la ali.
— Deixa para lá, Ool. É coisa minha, não é nada demais.
A companheira fingiu que acreditou, ou talvez também estivesse sem paciência para discutir. Do quarto ao lado, pude ouvir pelas paredes finas o casal seguir seu ritual de todas as noites, conchinha, beijinho e cafuné, e adormecer.
***
Meu relacionamento com Amu não começou logo de cara. Quando cheguei em Ganga Zumba, depois de meses atravessando todo o território de Liberdade, me relacionar com alguém não passava muito pela cabeça. Eu estava no auge da dúvida sobre o caminho a seguir. Continuar em Liberdade era tentador, e eu já tinha acumulado experiência suficiente para poder escolher onde e como viver.
Pela primeira vez desde que havia chegado, eu entendia, ou melhor, eu sentia com todas as células do meu corpo o que significava viver sem odiar o trabalho. Ainda guardava comigo muito dos sentimentos proprietários típicos de onde eu vinha, mas já conseguia identificar quando eles estavam se manifestando e como lidar com eles. Aprendi naqueles onze meses a fazer mais coisas que em toda a minha vida pregressa: cozinhar, limpar, cultivar plantas, cuidar das crianças, mediar conflitos.
Todas essas tarefas eram encaradas como trabalho em Liberdade, e todo o trabalho era considerado coletivo. Tequio, eles chamavam. A palavra trabalho não existia, ou melhor, não era usada para designar as coisas necessárias para produzir o cotidiano, a vida e tudo mais que se pudesse ou quisesse produzir em Liberdade. Tudo era tequio, e tequio era antes de tudo um prazer, mesmo quando envolvia uma tarefa incômoda, como limpar banheiros. Nesses casos, a satisfação residia no pós-trabalho — foi assim que descobri como é bom um banheiro limpo.
Solidariedade e cortesia eram valores inegociáveis em Liberdade. Viajantes eram bem recebidos em todas as comunas. Quem não gostava ou não estava bem para receber hóspedes podia sinalizar isso para o Conselho, desde que a interdição fosse temporária ou que houvesse alguma compensação em troca — por exemplo, cozinhar para os forasteiros. Os visitantes, por sua vez, precisavam se envolver no tequio assim que tivessem se estabelecido, mesmo em viagens curtas. Amu e Ool divergiam sobre hospedar pessoas, mas quando cheguei a Ganga Zumba Amu tinha acabado de concordar com um período aberto para receber visitas. Ool, diplomática como sempre, me ofereceu um quarto assim que me apresentei ao Conselho. Amu se limitou apenas a concordar com a cabeça. Passei duas semanas quase sem ouvir sua voz, e observando todos os detalhes da relação delu com Ool. Quando finalmente me senti à vontade com o casal, surpreendi Amu com um almoço.
Foi a primeira vez que elu sorriu para mim.
***
No dia seguinte à troca do vidro, Amu levantou cedo para o trabalho. Trabalhar era uma das coisas que lhe ajudava a esquecer dos sentimentos em relação a Ool. Passava horas me contando sobre o laboratório, as pesquisas sobre o bioplástico, as centenas de aplicações possíveis. Desde que os cientistas em Liberdade conseguiram estabilizar a fórmula, uma pequena revolução aconteceu. A dependência de matéria-prima mineral, escassa no território livre, obrigava o Conselho a organizar expedições arriscadas para conseguir alumínio, cobre e outros minérios. Foram várias as vezes em que a localização de Liberdade quase foi revelada para o mundo nesse processo. O bioplástico acabou com esse perigo.
Substituto vantajoso para quase tudo na construção civil, o material sintético, produzido a partir da seiva do baobá, passou a ser onipresente em todas as comunas. Em Ganga Zumba, havia um sentimento especial em torno dele: foi Ibá, progenitor de Amu, quem liderou a equipe que produziu a primeira versão do material. Os habitantes da comuna se orgulhavam disso, a ponto de quase ultrapassar o limite da homenagem e incorrer na idolatria em torno de Ibá. Essa relação era ainda mais forte em Amu: mesmo com a ausência de famílias nucleares na comuna, elu tinha uma ligação muito forte com o “seu” pai. Por vezes chamava-o assim, e dizia que era vício de linguagem, mas eu sabia que era uma forma de afirmar sua relação com ele, já que em Ganga Zumba todas as crianças chamavam as pessoas mais velhas da comuna de pai ou mãe.
O caminho de Amu até o laboratório era curto e quase sem encontros. Naquele dia, elu evitou ainda mais qualquer contato com outra pessoa. Pensava no trinco, na janela e em todos os mundos que nunca mais poderia criar. Passou a manhã falando pouco, ainda menos que o de costume, e ninguém ousou perguntar o que estava havendo. Era respeitade por todos, tanto pelo vínculo de sangue com Ibá, quanto pela dedicação no aprimoramento do bioplástico, e quando queria distância, ninguém no laboratório questionava. Ainda mais agora, prestes a conseguir fortalecer a fórmula do bioplástico de forma a torná-lo capaz de resistir a altas temperaturas, o que permitiria utilizar o material nas usinas geradoras de energia solar. Para seu conforto, a coincidência de fatores fazia com que todes ao seu redor confundissem o mau humor e a frustração com concentração.
Da janela da sala de zeladoria do laboratório, observei Amu durante os minutos finais do meu turno na limpeza. A essa altura, nós já trocávamos palavras aqui e ali durante as refeições, mas ainda não nos conhecíamos. Eu era um hóspede e elu uma pessoa em constante estado de dúvida, sobre o mundo, o relacionamento, as regras de Liberdade. Nossa relação só mudou de patamar algumas noites depois disso.
***
Era Lua Nova-6 quando Ool saiu de casa para um jantar com outra pessoa. Amu desejou um bom encontro para a companheira com um sorriso no rosto, mas logo em seguida se fechou no quarto. Escutei seu choro baixinho por mais de 30 minutos, até não aguentar mais. Tive vontade de chorar junto.
Ao invés disso, bati na porta. Ouvi enquanto enxugava as lágrimas antes de me atender. Assim que abriu a porta, eu não disse nada: abracei Amu com todo o cuidado que pude. Seus olhos encheram de lágrimas outra vez, e elu retribuiu o abraço. Foi a primeira noite que passamos juntos — Ool, como era esperado, não voltou para casa.
De certa forma, acho que Amu e eu nos encontramos porque éramos duas pessoas solitárias. Por mais habituado que eu estivesse ficando com a vida em Liberdade, eu era um estrangeiro, um alienígena, uma pessoa que encontrou um lugar, mas sabia que estava longe de casa. Amu estava em casa, mas se sentia cada vez mais fora de lugar, e ainda que a culpa não fosse um sentimento muito presente nas relações em Liberdade, elu tinha cada dia mais certeza de que estava errade, de que era uma pessoa ruim por pensar e desejar e querer ter coisas que ninguém mais em Liberdade consideraria ter. No nosso desencontro com o mundo, nos encontramos. E do nosso encontro nasceram sentimentos que eu nunca soube expressar com palavras.
Amu e Ool estavam juntes há mais de uma década quando eu os conheci. Em todo esse tempo, Amu se bastou com Ool, ainda que Ool repetisse que isso não era se bastar, mas se limitar. Amu rebatia que não era limite porque sairia com outras pessoas quando sentisse vontade. Aquela noite, eu me tornei a primeira pessoa fora do relacionamento com quem Amu transou em todo esse tempo. A primeira com quem elu trocou beijos, abraços, carícias e confidências.
Agora, conhecendo Amu, arrisco dizer que talvez tenha sido a última — não sei se alguém mais em Liberdade se colocaria na mesma posição.
***
Dois dias depois da nossa primeira vez, Amu e sua equipe conseguiram chegar a uma versão melhorada do bioplástico. Ainda não era a definitiva, entrariam agora em uma fase de testes, mas o sucesso era suficiente para uma celebração no refeitório central. Depois do almoço, Amu considerou não voltar para casa como de costume. Sabia que eu não estaria lá e que encontraria o vidro trocado, sem trinco, símbolo da impossibilidade do mundo partido que habitava sua mente, com todas as histórias e os contos que nunca escreveu. Cogitou descansar no redário coletivo ao lado do refeitório, mas ali havia conversa alheia demais para sua necessidade de quietude pós-almoço. Sem uma terceira opção, resolveu seguir a rotina.
Voltou para casa e não encontrou Ool que, como sempre, cumpria seu turno no centro de trabalho coletivo pela tarde — odiava acordar cedo. Pousou a bolsa sobre a poltrona e caminhou sem muita empolgação até o quarto de descanso. No curto caminho até lá, pensou no vidro trincado, e sentiu saudades. Logo em seguida, se irritou por ter que lidar com um sentimento tão grande para algo tão pequeno, e baixou a cabeça em autorreprovação ao entrar no quarto.
Quando levantou os olhos, deu de cara com o vidro novo, transparente e sem nenhum trinco, tão limpo que parecia até não estar ali. O sol atravessava-o e iluminava a mesa de Ool ao lado da janela, incidindo exatamente sobre o pote de canetas da companheira. Amu se aproximou e estranhou ver uma delas sem tampa, sendo a companheira tão cuidadosa com seus materiais. Se aproximou para tampá-la e, só então, percebeu um risco fino de lado a lado no vidro, no exato lugar do trinco — bem ali, onde, dali a pouco mais de uma hora, a divisão entre luz e sombra promovida pelo sol no horizonte se alinharia perfeitamente com o traço, dividindo outra vez o mundo em dois, claridade e escuridão, ar e terra, concreto e imaginário.
Abaixo do extremo esquerdo do risco, bem pequeno, era possível ler, na caligrafia da companheira, uma pequena declaração: “te amo”.
Amu deitou na rede e, sorrindo, começou a desenhar na mente mais uma história que jamais seria escrita. Não era preciso: gostassem ou não do lado de fora da janela, aquele mundo era seu, e só.
***
Na única vez em que Amu e eu nos deitamos juntes na rede, depois do vidro já trocado, elu me contou toda a história do trinco. Ainda não havia o risco de Ool com a pequena declaração de amor. Ali, eu terminei de entender nossa relação: eu era o limite, o proibido, a linha fina que possibilitava uma intersecção secreta entre o claro e o escuro, a iluminação e a escuridão, Liberdade e propriedade. Amu me tinha como antes não tivera nada nem ninguém, e encontrava nos nossos momentos de intimidade, dois corpos onde antes só cabia um, a realização daquilo que sempre soube que precisava, mas nunca se permitiu assumir.
Depois da primeira noite, Amu e eu nos encontramos pouco mais que uma dezena de vezes, e nossa relação foi tão carnal quanto espiritual: falávamos com nossos corpos, e sonhávamos com as palavras. Em nenhuma dessas vezes tentei dissuadir Amu de seus sentimentos de posse. Não porque concordasse com eles, mas porque eu nunca havia sido possuído por ninguém, e gostava da sensação. Ser posse para mim não era problema; estar com Amu só quando elu queria também não. Me peguei pensando sobre isso muitas vezes entre as nossas noites, e não cheguei a nenhuma conclusão. Um dia, concluí que não havia uma, e nessa ausência encontrei uma resposta: a vida em Liberdade me ensinou a aceitar o contraditório. Somos conflitos ambulantes, em qualquer parte do mundo, e só por isso conseguimos movê-lo. Tivéssemos certeza e nada mais, e nunca existiria nada parecido com Liberdade.
Quando parti de Ganga Zumba, não levei comigo nenhum ressentimento, tristeza ou lamento. Ool me deu um abraço longo e apertado, como nunca havia feito antes. Não parecia só uma despedida: talvez alívio, por reconhecer na minha relação com Amu uma concorrência que seu apego aos princípios jamais permitiria reconhecer; ou gratidão, por me entender como válvula de escape para desejos de Amu que ela não sabia como satisfazer; quem sabe, apreensão, por projetar uma expectativa de mudança na sua relação com Amu, depois de mim, que ela não sabia ao certo se seria para melhor ou para pior — mas que, suspeitava, seria inevitável?
Nada disso me foi dito, mas tudo isso me atravessou naquele abraço.
De certo, só sei que deixei Ganga Zumba carregando Amu comigo dentro do peito, seu cheiro no fundo do cérebro, seu gosto em cada papila gustativa. Na mochila, fui descobrir depois, elu escondeu uma mensagem, escrita em um pedaço de bioplástico. Não era uma mera lembrança, nem uma declaração de amor, era uma declaração de futuro: um lembrete de que, onde quer que estejamos, o claro e o escuro continuarão a se encontrar no horizonte.
Danilo Heitor é professor de Geografia, escritor e editor. Nascido e criado em São Paulo, formou-se em Geografia pela USP em 2009 e atua há mais de 15 anos em educação, com passagem por redes públicas e privadas, editoras e projetos comunitários. É autor de três livros de ficção científica e foi finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2024 e 2025. Também coorganizou o festival literário Relampeio e tem a sua própria editora, a País Nenhum, focada em ficção especulativa do Sul global. Lançado em 2024, "Quase Agora” é o sexto livro publicado pelo autor, que em dezembro de 2025 também lançou o romance "Projeto Futuro", seu projeto mais recente.


Redes Sociais