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Quando lembrar é resistir: a memória como território de permanência na obra Se eu me negasse a esquecer

 por Cibele Laurentino | 


Quando lembrar é resistir: a memória como território de permanência na obra Se eu me negasse a esquecer


A obra Se eu me negasse a esquecer, de José Luiz Brito, se inscreve no território delicado das narrativas que não apenas contam uma história, mas investigam as fissuras da memória e os limites emocionais do esquecimento. Trata-se de um livro que atravessa o leitor com a força de quem não pede licença, chega, se instala e permanece.

Sob o olhar de uma escrita sensível e, ao mesmo tempo, firme, o autor constrói uma narrativa que dialoga com as ausências, aquelas que não se resolvem com o tempo, apenas se reorganizam dentro de quem fica. Há, na obra, uma recusa silenciosa em aceitar o apagamento como solução. Lembrar, aqui, é quase um ato de resistência.

José Luiz Brito demonstra domínio ao conduzir uma linguagem que não se perde em excessos, mas também não se esquiva da emoção. Seu texto caminha por uma linha tênue entre o lírico e o realista, permitindo que o leitor se reconheça nas dores, nos silêncios e nas tentativas de reconstrução que atravessam a narrativa. Não se trata de um drama gratuito, mas de uma elaboração cuidadosa do que significa carregar histórias que insistem em permanecer vivas.

A estrutura da obra favorece esse mergulho. Há um ritmo que respeita o tempo interno das emoções, evitando pressa onde há dor. Cada passagem parece cumprir uma função de amadurecimento, tanto do narrador quanto de quem lê. É um livro que exige presença, porque também oferece profundidade.

Outro aspecto que merece destaque é a construção psicológica das personagens. Não há caricaturas ou soluções fáceis. O que encontramos são figuras humanas, por vezes contraditórias, que lidam com suas próprias limitações diante da memória e da perda. Essa complexidade é, sem dúvida, um dos grandes méritos da obra.

Em um cenário literário frequentemente marcado por narrativas apressadas, Se eu me negasse a esquecer se diferencia por sua coragem em permanecer. Permanecer na dor, na lembrança, naquilo que não se resolve com uma simples virada de página. É, sobretudo, um convite à reflexão sobre o que nos constitui mais, aquilo que esquecemos ou aquilo que escolhemos não esquecer.

José Luiz Brito entrega uma obra que não se esgota na leitura. Ao contrário, continua reverberando, como uma memória que se recusa a partir. Uma literatura que não apenas emociona, mas que também interroga, e é justamente aí que reside sua força.


Para adquirir a obra Se eu me negasse a esquecer,  entre em contato com o autor pelo  seu perfil no Instagram @j.luizbrito ou na Amazon.

Sobre o autor

José Luiz Brito é casado com Lídia Maria, pai de Carolina e Moisés. Carioca, aposentado, vive hoje o que chama de metamorfose, de contador envolvido com números a contador de histórias, envolto por palavras em sua nova trajetória. A paixão pela fotografia agregou-se na construção dos cenários de seu primeiro romance. A mudança, há poucos anos, para Ribeirão Preto, onde contempla de sua varanda uma ampla área de vegetação, serviu como fonte de inspiração para escrever as primeiras linhas de sua obra.




Cibele Laurentino — Ativista cultural nascida em Campina Grande, Paraíba. Membro da Academia de Letras de Campina Grande e da UBE — PB. Bacharel em Letras, formada em Gestão em Turismo, divulgadora de autores contemporâneos. Idealizou o projeto Conversa com Escritores. Autora dos livros: "Cactus" (poesias); "Nobelina" (romance); "Todas em mim" (contos), traduzido e comercializado em espanhol pelo grupo editorial Caravana; “Eu, Inútil", romance premiado como melhor obra de ficção em Portugal no prêmio Ases da Literatura.