Encontro “Aqui quem fala é da Terra” recebe Ailton Krenak e discute arte e crise climática, na Academia Mineira de Letras
Evento acontece no dia 25 de março, a partir das 19h e recebe, além de Krenak, Alyne Costa, Louise Ganz e Renata Marquez. A entrada é gratuita
A crise ambiental e seus desdobramentos políticos, culturais e territoriais estão no centro do encontro “Aqui quem fala é da Terra”, promovido pela Academia Mineira de Letras, pelo Instituto Pedro Moraleida Bernardes (iPMB), pelo Viaduto das Artes e apoio do Grupo Oficcina Multimédia. Inspirado pela provocação do filósofo Bruno Latour de que “não existe mais Terra capaz de corresponder ao horizonte do Global”, o encontro coloca em pauta as implicações do Antropoceno, época geológica marcada pela ação humana, os limites do projeto moderno de desenvolvimento acelerado e sua relação com as artes.
“Aqui quem fala é da terra” acontece no dia 25 de março, às 18h30, na sede da AML [Rua da Bahia, 1466 – Centro]. Participam da conversa Ailton Krenak (cadeira 24), imortal da AML e um dos maiores intelectuais do país, Alyne Costa, doutora em Filosofia pela PUC-RJ com ênfase na questão ambiental, Louise Ganz, artista, doutora em Artes Visuais pela EBA/UFRJ e professora da Escola Guignard, e Renata Marquez, doutora em Geografia com pós-doutorado em Antropologia pela UFRJ e professora da Escola de Arquitetura da UFMG. O encontro é gratuito, aberto ao público e sujeito à lotação.
O encontro propõe uma reflexão sobre como a arte e o pensamento crítico, da filosofia às ciências humanas, dos saberes e ciências da Terra ao dos povos originários e não ocidentais, podem contribuir para a recomposição do debate político diante da catástrofe ambiental em curso. Como aponta o curador Luiz Camilo Osório, cabe à arte “pôr em cena os dilemas” e dar forma sensível ao que escapa à objetividade e à eficiência cotidianas.
O evento faz parte da programação arte, cultura, natureza: clima e crise que integrou o VAC/2026 e tem como proposta problematizar o estatuto da arte em nosso tempo ante a necessidade posta por acontecimentos que se impõem em ritmo cada vez mais alucinante ao conjunto da sociedade.
Além do encontro na AML, a programação apresenta duas mostras coletivas com obras que atravessam pinturas, fotografias, desenhos, esculturas e objetos, refletindo sobre os impactos ambientais e as subjetividades contemporâneas. Uma das exposições está até o dia 22/03 no IPMB [Rua dos Inconfidentes, 732, Loja 02 – Savassi] e conta com artistas como Celso Renato, Daniel Moreira, Davi de Jesus do Nascimento, Leandro Gabriel, Louise Ganz, Pedro Motta e Roberto Vieira. A outra exposição estará na própria Academia Mineira de Letras entre o dia 25 de março e 2 de abril, acrescida da presença de Tatiana Blass, Sávio Leite e Isael Maxacali. Neste dia, o evento contará também com uma variada mostra de livros sobre a devastação ambiental e de artistas que trabalham com este tema, organizada pela Quixote Livraria.
“Aqui quem fala é da Terra” é uma realização da AML, do Instituto Pedro Moraleida Bernardes (iPMB) e do Viaduto das Artes. O evento acontece no âmbito dos projetos “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e setecentos médicos cooperados e colaboradores.
CONVIDADOS
Renata Marquez é professora da UFMG na Escola de Arquitetura e Design e na Formação Transversal em Saberes Tradicionais. É editora fundadora da PISEAGRAMA, plataforma editorial desde 2010. Foi curadora do Museu de Arte da Pampulha (2010-2012) e da exposição Escavar o Futuro (Palácio das Artes, 2014), dentre outras. Publicou Domesticidades: guia de bolso (2010), Atlas Ambulante (2011), Escavar o Futuro (2014), Mundos Indígenas (2020), Habitar o Antropoceno (2022) e Terra: antologia afro-indígena (2023).





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