por Taciana Oliveira |
Livro de Júlia Vita investiga a presença da água na poesia brasileira contemporânea
A Sophia Editora lança Rítmica marítima: água como matéria para a escrita de poemas, novo livro de Júlia Vita. Resultado de sua dissertação de mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense (UFF), a obra traz uma investigação sobre a relação entre o elemento aquático e a construção do ritmo poético, enunciando teoria literária, crítica ambiental e feminismo. O lançamento acontece no dia 15 de abril, às 19h, na Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro, com bate-papo e leitura de poemas por convidados. O estudo parte da observação dos movimentos das águas e sua influência na escrita poética, conectando com desastres ambientais recentes, a exemplo dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho e os vazamentos de petróleo no litoral brasileiro. Segundo a autora, a pesquisa nasce da experiência com seu primeiro livro de poemas, Alga viva, e se amplia para uma reflexão sobre a presença da água em um elemento basilar da linguagem literária.
A obra se organiza em três eixos. O primeiro investiga a origem do conceito de ritmo, desde sua associação ao “fluir” das águas até reformulações linguísticas propostas por pensadores como Émile Benveniste e Henri Meschonnic. O segundo aproxima as ideias de Octavio Paz e Gaston Bachelard para discutir a relação entre respiração, corpo e voz com o movimento das águas. Já a terceira parte explora a imaginação material bachelardiana, analisando a água como produtora de imagens poéticas e relacionando degradações ambientais a rupturas rítmicas na poesia.
Um dos aspectos centrais da narrativa é o recorte de gênero. Júlia Vita privilegia a análise de poemas escritos por mulheres, situando sua pesquisa em uma linhagem latino-americana que reivindica a natureza como sujeito de direitos. A autora também destaca a importância de ampliar a compreensão do sujeito poético, incorporando a matéria aquática como elemento ativo da criação literária. Além de sua dimensão teórica, Rítmica Marítima funciona tal qual uma antologia comentada da poesia brasileira contemporânea. A obra analisa textos de mais de quarenta autoras e autores, incluindo nomes como Ana Cristina Cesar, Marília Garcia, Olga Savary, Orides Fontela e Prisca Agustoni, além de poetas contemporâneos ligados à cena literária atual. O livro conta com texto de quarta capa da escritora Mar Becker, prefácio de Gabriel Morais Medeiros, posfácio de Bruno Jalles e orelha assinada por Juliana C. Alvernaz. Pré-lançada durante a Festa Literária Internacional de Niterói (Flin), a publicação marca a consolidação de um percurso que reúne pesquisa acadêmica e criação artística, propondo novas leituras sobre a presença da água na poesia contemporânea.
A poeta, pesquisadora e editora Júlia Vita conversou com a Mirada; a seguir, a entrevista.
1. Seu livro “Rítmica marítima: água como matéria para a escrita de poemas” parte da relação entre o elemento aquático e o ritmo poético. Como surgiu essa percepção de que a água poderia funcionar como fundamento da criação literária?
Pego emprestado o início da apresentação do livro pra começar essa resposta. A região em que cresci chama-se Região Oceânica. O bairro Piratininga — nomeado com herança do tupi, significando “peixe seco”, em alusão aos peixes que restam após a cheia das águas — é um braço de terra entremeado por laguna e mar. Da cidade, Niterói, significada pela mesma herança, diz-se “águas escondidas”, por seus olhos d’água misteriosos.
A comemoração do meu primeiro ano de vida saboreou coletivamente um enorme peixe levado pelas mãos dos pescadores da pequena Prainha. Outros tantos peixes escaparam dessas mãos para serem capturados por bicos de gaivotas — ou “gaviota”, na linguagem de criança, a primeira palavra escrita de minha vida.
Não é surpresa que um poeta — artistas, de modo geral — vá trabalhar as poéticas de sua região, as sensações de sua região. Assim o fiz, como tantos outros também o fizeram antes. Como Agnès Varda, se me abrissem também achariam praias.
Dos poetas de mar, dizem que escrevem motivos marinhos. Em minha prática artística, muito percorri esses motivos, até mesmo quando abordei temáticas e/ou linguagens diversas, como as práticas em performance e artes visuais em que trabalhei com questões ambientais.
Certa de que o ritmo fundava o poema, passei à questão: que ritmo era esse? Qual não foi minha surpresa ao descobrir que, na verdade, o conceito de ritmo tinha íntima ligação com as águas: ritmo, em grego ρυθμόζ, teria sido uma derivação do verbo reo (ῥέω), que significa “fluir”, e essa derivação se explicava pela movimentação que o ser humano assimilou observando as ondas do mar.
Assim, compreendi que essa pesquisa se justificava pela necessidade de percorrer algo além de uma investigação autobiográfica, devendo se propor a construir um desdobramento analítico sobre as reflexões que estabeleci no campo poético, considerando finalmente que a relação poema / ritmo / água não dizia respeito à minha subjetividade apenas, mas à experiência criativa de muitas autorias e ao surgimento do próprio conceito de ritmo e suas discussões ao longo da história.
No campo de estudos literários, é frequente a abordagem do ritmo ressurgir a partir do questionamento sobre qual teria sido sua gênese, sendo contínuo o embate de ideias entre defensores de suas tendências naturais ou sociais. Aprofundando na etimologia da palavra “ritmo”, que me fez encontrar e reencontrar a água diversas vezes, não demorei a descobrir que havia uma refutação linguística que colocava em xeque a explicação do termo ter derivado do “fluir” das ondas. Por isso, a abordagem é iniciada com uma revisão do tema, partindo da reforma linguística iniciada por Émile Benveniste e levada adiante pelas formulações de Henri Meschonnic, estas que buscam uma origem mais humana e social para conceituar o que abarca a palavra, fugindo de qualquer origem natural.
Mesmo que os autores tenham realocado para o campo da mítica a antiga definição etimológica, o debate sobre a origem do termo não se encerrou, e ganham atualmente outras abordagens. Demonstro, no entanto, que a discussão sobre o tema continua sendo permeada pelo embate entre sua origem ter raízes naturais ou sociais. Por isso, busquei fundamentar a hipótese de ser possível analisar o ritmo não buscando uma origem ou outra, mas pensando a experiência poética como a própria indissociabilidade do humano e da natureza por si só. O livro demonstra que a mítica, sendo tão forte, se mescla com o real, do mesmo modo como o poeta elabora sua criação em uma amálgama com os ritmos reais do universo. Forte o bastante para que seja possível notar a relação entre água e ritmo poético em diversas autorias tanto no âmbito teórico quanto literário.
2. A obra dialoga com teoria literária, crítica ambiental e feminismo. De que forma esses três campos se articulam na sua pesquisa e contribuem para repensar a poesia brasileira contemporânea?
Essa articulação com movimentos sociais latino-americanos protagonizados por mulheres que reivindicam que a natureza é, por si só, um sujeito portador de direitos, baliza o drible à proposição de Meschonnic de que só se pode compreender o ritmo poético vinculado ao sujeito. Ou seja, amplio a compreensão do que se entende por sujeito, para abarcar vozes de históricos não-sujeitos, incluindo nisso tanto as mulheres quanto o próprio discurso poético da matéria aquática, frequentemente vitimada em termos ambientais.
A importância do debate, aqui, reside na abordagem similar da relação entre o domínio de um gênero sobre outro e do ser humano sobre a natureza que, em ambos os casos, justifica uma série de desvalorizações daqueles considerados “outros”.
Não é por mera coincidência, nem por destino biológico, que mulheres acabem sendo o sujeito que mais se relaciona com as pautas ambientais. Essa consciência ecológica teria nascido da divisão sexual do trabalho, que, ao estabelecer a divisão de tarefas domésticas, delegou às mulheres a busca de lenha, água, cuidado de hortas etc. Tal divisão teria sido benéfica à dinâmica de desenvolvimento econômico que explora, de formas semelhantes, mulheres e natureza.
Essa consciência é fundamental para compreensões no âmbito literário porque embasa a importância de não cairmos no equívoco de considerar a existência de uma escrita essencialmente feminina, de um ritmo feminino. Assim como é um erro acreditar na existência de um ritmo universal, que organiza o mundo de forma homogênea.
Assim, me debruço sobre a especificidade das águas com as quais estou lidando, para delimitar de que ritmo falo: estabeleço o recorte das águas enquanto uma poeta que reside no Brasil, com suas particularidades, que também anunciam degradação, e exercito formas de ritmar poemas por meio dessa matéria aquática e de como suas imagens são lançadas à imaginação criativa.
Ao lidar também com possibilidades de quebras rítmicas, relacionando-as poeticamente a alguns dos grandes desastres ambientais que afetaram as águas de algumas regiões brasileiras nos últimos anos — como os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho, e os vazamentos de óleo cru no litoral do Norte, Nordeste e parte do Sudeste — também encontro a voz feminina. No cerne da similaridade de exploração, na mobilização política em prol desses ambientes e na própria maneira como organizam seus discursos vocais e textuais: a capacidade feminina de produzir quebra rítmica para que se torne possível a escuta de suas enunciações.
3. Você menciona que desastres ambientais, como Mariana e Brumadinho, influenciaram a reflexão sobre as águas e o ritmo. De que maneira esses acontecimentos impactaram sua escrita e o desenvolvimento do livro?
Essa pesquisa partiu do processo empenhado na publicação do meu primeiro livro de poemas, “Alga viva”. No meio do processo de escrita desse livro, ocorreram alguns desastres ambientais que me fizeram conectar diretamente com os rumos das águas envolvidas nos casos. Barragens de mineração se romperam, petróleos vazaram. À época, fiquei atenta ao modo como tais desastres poderiam amplificar seus danos: através da água dos rios que corriam, ou das correntes marinhas que carregavam rejeitos por direções de dimensão trágica.
Esses episódios me colocaram em um estado de monitoramento dos ritmos e tempos dessas águas, o que me permitiu desenvolver uma série de trabalhos com a presença aquática submergindo em minha intenção, não só como imagem, mas como movimento. Na minha experiência escrita, já havia consciência de que o principal elemento fundante dos poemas era o ritmo. E, de alguma forma, os episódios que eu estava acompanhando através das águas me mobilizaram a inserir esses movimentos na minha produção artística, para conseguir falar sobre seu alcance de forma mais profunda.
Se antes minha escrita frente ao mar era muito composta por sensações suaves provocadas por ritmos de leitura fluida, nesse novo cenário passei a escrever poemas com um ritmo “agravado”: rápidos, com exigência de grande fôlego, e geralmente com declamações em tom mais elevado. Quer dizer, notei que a escrita dos meus poemas partia da observação das águas e variava conforme suas condições.
Finalmente desenvolvida a teoria, um ponto que gosto de destacar é a compreensão de que todo poema é uma interação com a natureza. Nós vivemos em um mundo que contém seus próprios ritmos, e vivemos em interação com eles. O poeta cria em alusão aos ritmos que já existem no mundo, e essa criação maneja esses ritmos presentes no mundo de acordo com os desejos expressivos do momento criativo. Nesse sentido, a busca, no poema, de fazer a natureza ser ouvida também pelos leitores é, em certa medida, um gesto que carrega algo de força ecológica.
4. Um dos recortes da obra privilegia a produção poética feminina. Por que foi importante destacar esse conjunto de autoras e como essa escolha dialoga com a ideia de natureza como sujeito de direitos?
A terceira parte do livro é uma das marcadas pelo diálogo com Gaston Bachelard e a noção de imaginação material, explorando as águas como produtoras de imagens poéticas. A água opera no mundo com uma função reflexiva distinta dos espelhos estáticos: as águas refletem o mundo devolvendo as imagens banhadas por elas. Assim, cabe aos poetas a capacidade de observar como essas imagens do mundo assumem o novo destino das águas que correm – observando, também, suas degradações.
Esse recorte também abarca os contextos brasileiros e latino-americanos, trazendo a perspectiva de autorias femininas e de movimentos que reivindicam a natureza como sujeito de direitos. Nessa dimensão, a escrita poética é mobilizada como gesto crítico frente a desastres ambientais como Mariana, Brumadinho e vazamentos de petróleo; e quebras rítmicas são observadas como maneira de captar a interrupção no fluxo normal das naturezas. Como mencionei anteriormente, esse ponto é relacionado também à capacidade feminina de produzir quebra rítmica para que se torne possível a escuta de suas enunciações.
O conjunto de autoras conduz de forma muito especial todo o pensamento elaborado no livro. De modo geral, confirma a relação entre ritmo e água, mas aparece como possibilidade potente de uma série de adendos e recortes opostos à ideia de uma unificação rítmica, de unificação de sujeitos etc.
5. O livro também propõe aproximar criação artística e pesquisa acadêmica. Na sua visão, quais são os desafios e as potências dessa dissolução de fronteiras entre teoria e prática poética?
O livro é uma adaptação e atualização da dissertação defendida no Mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes (PPGCA-UFF). Na ocasião da defesa, estavam presentes os orientadores (Giuliano Obici e Tatiana Pequeno, coorientadora), Luiz Guilherme Vergara e Prisca Agustoni. A Prisca e a Tatiana comentaram sobre como foi importante haver uma certa liberdade no sentido de que eu, enquanto escritora, pude desenvolver um pensamento sobre minha própria prática, unindo a escrita poética à escrita e elaboração acadêmica, no âmbito científico. Antes de me formar em Artes, cursei alguns períodos na Letras. O que percebi, e que também costumo ouvir dos colegas dessa área anterior, é que não há tanto espaço acadêmico para escritores desenvolverem um aporte teórico que embase suas próprias produções. Corroborando isso, elas destacaram a importância do programa ter possibilitado esse espaço, sendo possível o resultado ser, também, poético e artístico. Me interessa enfatizar esse ponto, circulando o resultado atualizado após a defesa, para que também seja um ponto de contribuição para a dissolução de certos limites rígidos que até hoje geram barreiras de diálogo entre as áreas. Na área dos estudos literários, há pouco espaço para escritores desenvolverem aportes às suas próprias criações. Porém, na área das Artes, em que a organização acadêmica costuma valorizar as criações em si, também não há tanto espaço para reflexões sobre a escrita que não busquem caminhos já bem específicos, a exemplo dos caminhos dos livros de artista que, na verdade, se debruçam mais sobre o processo e sobre o objeto do que sobre a elaboração cujas conexões geram resultados textuais.
E afinal, a escrita literária movimenta um pensamento que é fundamentalmente artístico, com diálogo com diversas linguagens do campo das artes — os poemas trabalham intensamente com imagens, por exemplo, e são, em grande medida, imagens dispostas em texto, organizadas em versos. O que mobilizou a pesquisa também veio, no meu caso (e no caso de muitos escritores), de outras linguagens. Na ocasião dos desastres ambientais que cito no livro eu também produzi obras visuais e performances. Um desses projetos é a série Souvenir, que propôs uma mobilização coletiva para coletar amostras das naturezas antes dos desastres avançarem até elas (resgatamos conchas do litoral do Estado da Bahia antes da chegada do óleo cru, pedras de rios afetados posteriormente pelos rompimentos das barragens de mineração etc). Outro é o Floral de Baque, apresentado junto ao Souvenir, que traz fenômenos marcantes como chuvas pretas que levaram o Pantanal em cinzas até a cidade de São Paulo. Então todo esse movimento que culminou no livro é uma pesquisa não só na área textual. O cerne dela é, sobretudo, a água, as naturezas.
A motivação dessa publicação é também uma ênfase dessa produção múltipla, de sua validade. Me sinto satisfeita com o resultado justamente por ele ser múltiplo, e o pensamento de quem trabalha com arte/escrita costuma seguir por meio de muitas conexões entre assuntos e aéreas. Vejo uma contribuição nesse sentido, de que é possível. Além disso, o desejo de publicar esse material também advém do fato de que, após os comentários da banca, pude verdadeiramente atualizar o texto e inserir complementos. Nessas inserções, tive a oportunidade também de aumentar, de forma considerável, o escopo de autorias presentes nas abordagens teóricas. Há um levantamento interessante ali.
Meu fluxo de pensamento e de criação é muito de criar conexões. Isso fica nítido nesse livro, que põe diversas questões em diálogo tendo como pano de fundo a escrita de poemas. Mesmo sendo um livro teórico, digamos assim, ele mantém um fio condutor embebido também pelo teor poético. Além disso, tanto a inserção de meus poemas quanto a inserção de poemas de outras autorias foram pensadas e dispostas ali como forma alternativa e complementar de desenvolvimento das ideias teóricas, não só como poemas a serem analisados pela teoria elaborada. Vejo isso como um ponto muito importante nesse trabalho.
Júlia Vita (Niterói, 1995) é mestre em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Escritora, artista, professora e editora, é responsável pela Laboriosa Produções Poéticas. Publicou o livro de poemas "Alga viva" (Córrego, 2019), premiado no edital Cultura nas Redes (SECEC-RJ) em 2020, ano em que também recebeu o Prêmio Erika Ferreira (SMC-Niterói). Como profissional do texto, atuou na preparação de obras para o Grupo Editorial Record e para editoras como Ofícios Terrestres, Patuá e Sophia. Sua pesquisa articula escrita poética, questões ambientais e patrimônio imaterial, com ênfase na relação entre ritmo, água e criação literária.
AGENDA | LANÇAMENTOLançamento de Rítmica marítima: água como matéria para a escrita de poemas
Local: Livraria da Travessa - Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo), no Rio de Janeiro
Data: 15 de abril de 2026
Horário: 19h
Entrada gratuitaA autora conversa com o público e participa de sessão de autógrafos.
FICHA TÉCNICA
Livro: "Rítmica marítima: água como matéria para a escrita de poemas"
Autora: Júlia Vita
Número de páginas: 166
ISBN: 978-65-88609-55-2
Gênero: Não-ficção
Editora: Sophia Editora
Ano: 2025
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Taciana Oliveira — Natural de Recife–PE, Bacharel em Comunicação Social (Rádio e TV) com Pós-Graduação em Cinema e Linguagem Audiovisual. Roteirista, atua em direção e produção cinematográfica, criadora das revistas digitais Laudelinas e Mirada, e do Selo Editorial Mirada. Dirigiu o documentário “Clarice Lispector — A Descoberta do Mundo”. Publicou Coisa Perdida (Mirada, 2023) livro de poemas.



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