Misoginia digital: Sábados Feministas discute como o ódio nas redes alimenta a violência contra as mulheres


Misoginia digital: Sábados Feministas discute como o ódio nas redes alimenta a violência contra as mulheres

Encontro recebe a socióloga e pesquisadora, Bruna Camilo, no dia 11 de abril, a partir das 10h. O evento é gratuito e aberto ao público

O aumento da violência contra as mulheres, longe de ser um fenômeno recente, ganha novas dimensões na era digital e exige uma leitura que leve em conta o papel do discurso de ódio nas redes sociais. Sob essa perspectiva, o Sábados Feministas recebe Bruna Camilo, socióloga e cientista política, pesquisadora nas áreas de gênero e misoginia, para a palestra ”Violência contra as mulheres: misoginia e ódio nas redes sociais”, no dia 11 de abril, a partir das 10h, na Academia Mineira de Letras [Rua da Bahia, 1466 – Centro]. O evento é gratuito e aberto ao público.

A partir de sua pesquisa, que incluiu a observação direta de grupos em plataformas como o Telegram, a pesquisadora Bruna Camilo aponta para a existência de espaços digitais que operam como verdadeiros ecossistemas de reprodução de violência simbólica. “Precisamos compreender a influência das redes sociais e das big techs em nossas vidas e, principalmente, na vida dos meninos, que estão cada vez mais radicalizados e identificados com a misoginia”, afirma a pesquisadora.

Para Bruna Camilo, o enfrentamento à violência de gênero passa, hoje, por uma atuação estratégica que articule educação, políticas públicas e letramento digital. Nesse sentido, ela defende a necessidade de ampliar o debate sobre masculinidades, especialmente no ambiente escolar e nas dinâmicas de socialização mediadas pela internet. “É importante abordarmos a relação da masculinidade e da educação, tanto no campo geral quanto no digital — ou seja, compreender como a formação dos jovens impacta diretamente a reprodução da violência contra meninas e mulheres”, destaca. Ao evidenciar os vínculos entre cultura digital, formação subjetiva e práticas de violência, a pesquisadora chama atenção para a urgência de políticas que não apenas respondam às consequências, mas atuem nas raízes do problema, onde o ódio é cultivado, compartilhado e normalizado. 

O projeto Sábados Feministas é uma iniciativa da AML em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata e acontece no âmbito do “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e novecentos médicos cooperados e colaboradores. O evento tem apoio da Minasmáquinas e do Esquina Santê.





Bruna Camilo é socióloga e cientista política, pesquisadora nas áreas de gênero e misoginia, com atuação em políticas públicas e gestão pública. Atualmente, integra a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), tendo passado por órgãos como CONAB, UFMG, PUC Minas e Fiocruz. É doutora em Ciências Sociais pela PUC Minas, mestre em Ciência Política pela UFMG e bacharel em Ciências do Estado pela mesma instituição, com intercâmbio na Universidade de Lisboa, desenvolve pesquisas sobre gênero, radicalização e políticas públicas. É fundadora do Núcleo Jurídico de Diversidade Sexual e de Gênero da UFMG e integra organizações como a Associação Visibilidade Feminina e a ABRADEP.



SERVIÇO 

Sábados Feministas

Violência contra as mulheres: misoginia e ódio nas redes sociais

com Bruna Camilo

Data: 11/04, sábado, às 10h – Portões abertos às 09h30

Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes) 

Entrada gratuita.