por João Oliveira Melo |
A Fita Branca: uma parábola sobre a origem do mal
A Fita Branca (Das Weiße Band - Eine Deutsche Kindergeschicht) é um filme alemão de drama e suspense. O longa foi dirigido e escrito por Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro de 2009 e o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro de 2010. A narração foi feita por Ernst Jacobi e na produção há participação alemã, austríaca, francesa e italiana . A obra é em preto e branco e sem trilha sonora, a exceção da inclusão de hinos tradicionais alemães e músicas sacras em algumas sequências.
A história é uma parábola narrada por um idoso que reconta o tempo que viveu em uma vila, onde exercia a profissão de professor (Christian Friedel). Ele acredita que aquele momento seria o nascedouro das raízes do nazismo e qualquer pensamento totalitário. O lugar é fictício, mas o contexto aconteceria no norte da Alemanha entre julho de 1913 e nove de agosto de 1914. A aldeia é controlada por um médico (Rainer Bock), um pastor (Burghart Klaussner) e um barão (Ulrich Tukur). O líder religioso coloca uma fita branca em cada criança com o propósito de punição e para lembrá-las que eram puras.
Ao longo da história, ocorrem acontecimentos horríveis inexplicáveis. O médico cai do cavalo por conta de um fio esticado entre duas árvores. A esposa de um agricultor morre na serraria quando as tábuas podres do soalho cedem. O filho mais novo do barão desaparece no dia da festa da colheita e é encontrado na manhã seguinte amarrado e com ferimentos graves causados por varas. Há também um incêndio no celeiro. Esses eventos criam paranóia, apatia e desconfiança entre moradores que não conseguem achar o culpado.
A produção não é recomendado a todos por haver crueldade animal, sucídio, abuso sexual, tortura e violência dosméstica. Além disso, o ritmo é lento e existem ambiguidades que incentivam a audiência a prestar atenção e criar as suas próprias conclusões. O tema principal é de que a repressão, o purismo, a indiferença emocional, a rigidez e hostilidade no ambiente social criam pessoas obcecadas por opressão, seja de qualquer espectro político.
O diretor destaca:“O filme analisa a questão das condições que conduzem ao terrorismo. Para tal, recorre ao passado da Alemanha, que, gostaria de salientar, é apenas um exemplo. É importante para mim que o filme não seja interpretado como tratando exclusivamente do fascismo alemão, mas que aborde, de forma mais geral, as raízes de todos os tipos de terrorismo – sejam eles de direita, de esquerda ou religiosos”- Michael Haneke
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Fonte
SCHIEFER, Karin. Michael Haneke about THE WHITE RIBBON. AUSTRIAN FILMS, jun. 2009. Disponível em: Austrian Films,. Acesso em: 14 maio 2026.
João Oliveira Melo é natural de Recife. É aluno do oitavo período do Curso de Ciências Sociais (UFRPE).


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