
Foto: Yoshihiro Mori
Boris: ecletismo no rock japonês

Boris é uma banda japonesa de rock experimental composta por Takeshi Takeshi (baixo e guitarra rítmica), Wata (guitarra principal, ebow, acordeão e sintetizador) e Atsuo (bateria, percussão, gongo e aparelhos eletrônicos). O projeto surgiu em uma universidade de Tokyo no ano de 1992, quando eles eram estudantes. Seu fundador, um baterista, pensou em unir pessoas para formar um grupo, mas ele saiu anos depois que o mesmo foi criado. O nome Boris é uma homenagem à canção da banda Melvins, conhecida pelo impacto nos gêneros musicais grunge e sludge metal.
O trio busca evitar simples categorizações e explora várias vertentes musicais. Não há um único vocalista, essa atividade é dividida entre os integrantes. Uma composição criada por eles pode ser classificada em doom metal, música de ruído, dark ambient, j-pop, stoner rock, hardcore punk, stoner metal, etc. O extremo ecletismo pode ser percebido como uma fragilidade para alguns, enquanto outros acreditam que seja o ponto mais singular e interessante de sua discografia.
Álbuns recomendados:
Flood (2000)
O álbum é uma música de setenta minutos dividida por quatro movimentos. Cada parte serve para representar uma enchente consumindo algum lugar. A ordem segue em sons do oceano, formação do desastre, a destruição e o fim do ambiente sobre a água. O som nasce de forma calma e lenta para se tornar pesado e devastador na medida em que a água invade o solo. Gêneros: pós-rock, drone, doom metal, música minimalista, pós-metal, música ambiente e drone metal.
Boris at last feedbacker (2003)
Essa obra é similar ao uso de microfonia em guitarras do álbum Metal Machine Music, criado pelo músico estadunidense Lou Reed. A grande diferença é que Boris varia utilizando dinâmicas que vão da calmaria do ambiente para o som pesado do metal. Isso é diferente do disco de Reed, que é o uso constante de feedback sem intervalos. Gêneros: pós-metal, rock psicodélico, drone, pós-rock, música de ruído e drone metal.
Sound Track From Film "Mabuta no ura" (2005)
Sound Track From Film "Mabuta no ura” apresenta Boris na sua vertente mais abstrata. A trilha sonora não foi feita para um filme verdadeiro, mas para uma construção da mente que transporta o ouvinte a uma viagem psicodélica, fluida e melancólica. A prova mais direta disso é a tradução do título japonês ser “O Reverso das Pálpebras". O álbum consegue apresentar ao ouvinte uma série de estados de espírito e paisagens sonoras sem apresentar uma história aparente. É uma forma de restaurar as imagens da vida quotidiana e do interior. Gêneros: pós-rock, música ambiente, folk psicodélico, space rock e drone.
NO (2020)
O projeto artístico foi gravado no fechamento das fronteiras internacionais pela pandemia da COVID-19. Ele representa todas as raivas, medos, ódios, tristezas, dúvidas e ansiedades que surgiram nesse período. O objetivo é transformar essas emoções em energias positivas e validá-las. A palavra “não” no título destina-se a expressar a rejeição dos costumes e ideais sociais com os quais se cresce.
NO encoraja os ouvintes a se questionarem e lutarem contra o inconsciente e suas interpretações convenientes. O pensamento crítico é incentivado em razão das sociedades atuais sofrerem de um enorme fluxo de informações verdadeiras e falsas, causadas por vários meios de comunicação. Por isso a banda não ofereceu as letras do álbum, eles querem que o público utilize suas músicas para guiar terapeuticamente e ajudar na busca de respostas. Gêneros: crust punk, sludge metal e thrash metal.
W (2022)
É a sequência do álbum NO e possui uma imagem sonora completamente oposta à do seu antecessor. W é calmo, atmosférico e lembra trilhas sonoras de longas metragens exibidas em instalações de arte contemporânea. Juntando os dois títulos, forma-se a expressão NOW, traduzida para a palavra “agora” em português. Os dois unidos representam emoções existindo simultaneamente de formas contraditórias no presente. Gêneros: pós-rock, drone, shoegaze, música ambiente, dream pop e música psicodélica.
REFERÊNCIAS
BATH, Tristan. ‘Noise Is Japanese Blues’: An Interview With Boris. The Quietus, London, n.p., jun. 2014. Disponível em: https://thequietus.com/interviews/boris-interview/. Acesso em: 08 jun. 2026.
ENIS, Eli.Boris Announce New Album NO, Share Blistering “Loveless”: Stream. Consequence of sound, Chicago, n.p., jun. 2020. Disponível em: https://consequence.net/2020/06/boris-new-album-no-single-loveless/. Acesso em: 08 jun. 2026.
ROSENSCHEIN, Ari. Boris and the Power of NO:
In the face of a global pandemic, Tokyo's legendary trio Boris created a unique statement of purpose and hope. Roland Articles, Hamamatsu, n.p., ago. 2020. Disponível em: https://articles.roland.com/boris-and-the-power-of-no/. Acesso em: 08 jun. 2026.
WHITE, Marianne. Boris Connects Pandemic-Torn World With Subversive Metal on Latest Album 'No'. Audiofemme, New York, n.p., jul. 2020. Disponível em:
https://www.audiofemme.com/boris-connects-pandemic-torn-world-with-subversive-metal-on-latest-album-no/ Acesso em: 08 jun. 2026
MENAGH, Douglas. Interview: Boris Guitarist, Vocalist Wata on Avant-Garde, New LP, ‘W’. New Noise Magazine, Berkeley, n.p., jan. 2022. Disponível em:
https://newnoisemagazine.com/interviews/interview-boris-guitarist-vocalist-wata-on-avant-garde-new-lp-w/ Acesso em: 08 jun. 2026.
BOWES, David. (((O))) Interview: Wata from Boris. Echoes and Dust, London, n.p., jan 2022. Disponível em: https://echoesanddust.com/2022/01/wata-from-boris/ Acesso em: 08 jun. 2026.
Boris. AllMusic, Ann Arbor, [s. d.]. Disponível em: https://www.allmusic.com/artist/boris-mn0000075383 Acesso em: 08 jun. 2026
Soundtrack from the film Mabuta No Ura. Bandcamp, Oakland, [s. d.]. Disponível em:
https://essence-music.bandcamp.com/album/soundtrack-from-film-mabuta-no-ura Acesso em: 08 jun. 2026.
Boris. Rate Your music, Seattle, [s. d.]. Disponível em: https://rateyourmusic.com/artist/boris. Acesso em: 08 jun. 2026
EDWARDS, Lewis Noke. Gear Rundown: Boris. Mixdown Magazine, Brunswick, n.p., ago. 2023. Disponível em: https://mixdownmag.com.au/features/gear-rundown-boris/ Acesso em: 09 jun. 2026.
João Oliveira Melo é natural de Recife. É aluno do oitavo período do Curso de Ciências Sociais (UFRPE).





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