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| Foto: Nafihx Sulaika |
Poemas de Thiago Pereira
A Podridão Pensa
A podridão e os pensamentos ruins rastejam
em minha mente.
Eles vagam em silêncio contínuo, fazendo
barulho nas frestas de cada corrente pensante,
entre os labirintos confusos da porra do meu crânio.
Eles rastejam, trazendo consigo a libertação
e a dopamina falsa de um bem-estar
passageiro, de uma ilusão caótica, outrora suave.
Um corpo em ruínas,
uma mente em decadência,
um poeta louco,
escrevendo as mais puras bizarrices que um
ser humano consegue imaginar e pensar, tipo
um humano de carne e osso
trepando com uma deusa do Olimpo.
Aos Meus Pais
Aos meus pais,
que me trouxeram ao mundo
não como quem entrega luz,
mas como quem abre os portões
de um reino em ruínas.
Deram-me o sopro da vida,
mas não o mapa dos caminhos,
e assim vagueio, errante,
entre culpas que não sei nomear.
Carrego grilhões antigos,
forjados antes de mim,
e novas algemas se fecham
a cada passo que ouso dar.
Se herdei vosso sangue,
herdei também vossos silêncios, e neles ecoa
um peso que nem o tempo ousa levar.
E assim sigo,
não como filho que floresce,
mas como alma que resiste à própria existência.
Um Poeta Por Diversão I
Um poeta por diversão —
mentira.
Levo a sério cada palavra,
porque é tudo o que me resta quando a luz falha.
Escrevo da escuridão,
não por escolha,
mas porque aprendi a respirar nela.
As águas são profundas.
Quase sempre me afogam.
Às vezes, a maré recua
e eu roubo ar.
E quando emergi, ferido,
eu Te senti —
Teu poder, Tua glória.
Eu Te busco, ó Deus,
como quem se perdeu demais.
Mas a maré sobe.
Sempre sobe.
Meus pés cedem.
E eu afundo.
A melancolia pesa.
O frio invade.
O poço é fundo.
E eu entendo:
nunca foi diversão.
Era sobrevivência.
Um poeta por diversão II
é o que digo.
Mas há dias
em que não vivo,
só permaneço.
Suicídio mental.
Silencioso.
Procuro a morte
no excesso de futuro e me prendo
ao peso do passado.
O tempo passa.
E eu fico.
Sem direção,
sem força,
sem saída clara.
Então escrevo —
não por arte,
mas pra não desaparecer.
E, mesmo assim,
algo em mim insiste: continuar.
Thiago Pereira é poeta, escritor natural de Jacundá-PA e pertencente ao povo Guarani, encontra na poesia uma forma de preservar a memória, fortalecer a identidade indígena e dar voz aos sentimentos que muitas vezes não cabem na fala. Sua escrita percorre temas como amor, saudade, luto, esperança, fé, pertencimento e resistência, unindo experiências pessoais às raízes de seu povo. Acredita que a literatura não existe apenas para emocionar, mas também para manter vivas histórias, culturas e tradições. Por meio de seus versos, busca construir pontes entre diferentes mundos, mostrando que a poesia pode acolher, provocar reflexão e eternizar aquilo que o tempo insiste em levar


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