Literatura infantojuvenil transforma crise climática em aventura, imaginação e consciência ambiental
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a literatura infantojuvenil brasileira torna-se uma importante aliada ao aproximar crianças e adolescentes de temas urgentes como mudanças climáticas, preservação ambiental, consumo consciente e sustentabilidade. Longe de uma abordagem exclusivamente didática, autores contemporâneos apostam em histórias que unem imaginação, amizade e aventura para estimular reflexões sobre o futuro do planeta.
Entre distopias esperançosas, jornadas ecológicas e narrativas inspiradas em acontecimentos reais, novos livros apresentam personagens que enfrentam enchentes, participam de projetos de reflorestamento, exploram formas sustentáveis de convivência e descobrem novas maneiras de se relacionar com a natureza. As obras também abordam temas essenciais como ancestralidade, agroecologia, tecnologia e reconstrução comunitária, ampliando o debate ambiental para além das salas de aula.
Um dos destaques é “Fábulas Fabulosas”, da escritora e jornalista Titila Tornaghi. A publicação reúne contos, poemas e atividades manuais que convidam crianças e famílias a refletirem sobre reciclagem, alimentação saudável, consumo consciente e o uso excessivo das telas. Entre os textos está O Ladrão do Tempo, finalista do Prêmio UBE de Literatura Infantil 2024, que discute de forma lúdica a relação das crianças com os celulares.
Já em “A Pequena Keruaka”, Thaís de Almeida Prado acompanha o itinerário de uma jovem Icamiaba que deixa o Norte do Brasil rumo a São Paulo para resgatar rios e florestas ocultos sob o concreto das grandes cidades. Alternando fantasia, aventura e consciência ambiental, a obra trata de reflorestamento urbano, ancestralidade e da convivência harmoniosa entre diferentes formas de vida.
A escritora gaúcha Taís Fagundes transforma uma das maiores tragédias climáticas recentes do país em literatura com “Bergamota”. Inspirado nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o livro acompanha a menina Albinha em uma trajetória de perdas, reconstrução e fortalecimento dos laços familiares, abordando temas como pertencimento, memória e resiliência.
O futuro também é tema de “Cyber PANC e Só Zé: O resgate de um poder pifado e outras caraminholas”, de Mariana Brecht. Ambientada em uma São Paulo de 2070, profundamente impactada pela emergência climática, a narrativa apresenta duas crianças que vivem em comunidades organizadas em torno da agroecologia e de tecnologias sustentáveis. Com humor e fantasia, a obra aborda ecoansiedade, cooperação e reconstrução social.
Outra obra que conecta literatura, história e meio ambiente é “Era uma vez uma guerra na Caatinga”, de Fabiana Corrêa. Inspirado em “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, o livro revisita a Guerra de Canudos sob o olhar do calango Sertanejo, personagem que conduz jovens leitores em uma narrativa que valoriza a biodiversidade da Caatinga e a relação entre território, cultura e resistência.
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