Ricardo Siri
"PRO-POLIS" reúne cerca de 20 trabalhos que aproximam arte, natureza, tecnologia e reflexão sobre formas de convivência coletiva
O Museu Histórico da Cidade, na
Gávea, inaugura no dia 27 de junho a exposição PRO-POLIS, do artista
transdisciplinar Ricardo Siri. Com curadoria de Fernanda Lopes, a
mostra reúne cerca de 20 obras inéditas entre pinturas, esculturas e
instalações produzidas com mel, cera de abelha, própolis e geoprópolis,
materiais que conduzem uma reflexão sobre ecologia, cooperação, território e
processos de construção coletiva.
Resultado de uma pesquisa
desenvolvida ao longo dos últimos oito anos, a exposição nasce da experiência
de Siri com a criação de abelhas nativas brasileiras. O envolvimento com
a meliponicultura — atividade que lhe rendeu, inclusive, o reconhecimento pelo
terceiro melhor mel do país — passou a integrar também sua prática artística,
transformando substâncias produzidas pelas abelhas em matéria para
investigações estéticas e conceituais.
Em PRO-POLIS, a própolis
deixa de cumprir apenas sua função natural de proteger a colmeia para assumir o
papel de matéria pictórica. Utilizada em pinturas abstratas, ela revela
tonalidades naturais de marrom, verde e vermelho e preserva vestígios das
paisagens percorridas pelas abelhas, aproximando arte, biologia e memória
ambiental. Algumas obras incorporam ainda a geoprópolis, mistura de terra e
própolis produzida por espécies nativas, ampliando a relação entre
materialidade, território e natureza.
A exposição também apresenta a
série Estudos para Movimento Mel Concreto, na qual o artista estabelece
um diálogo com o Neoconcretismo brasileiro. Utilizando folhas de cera moldadas
em estruturas hexagonais por meio de uma extrusora, Siri constrói composições
marcadas pela repetição, pela geometria e pela serialidade, características que
também dialogam com sua formação em Engenharia Civil.

Ricardo Siri_Estudos para Movimento Mel Concreto | 19/2023 | cera de abelha Alveolada
Outro núcleo da mostra presta
homenagem ao pintor holandês Piet Mondrian. Batizadas de Meldrian,
as obras recriam a linguagem geométrica do artista utilizando exclusivamente
mel e ceras produzidas por diferentes espécies de abelhas, revelando as
variações cromáticas naturais desses materiais, sem a utilização de pigmentos
artificiais.
A tecnologia também ocupa espaço
na exposição. Em algumas peças, Ricardo Siri cria QR Codes utilizando
folhas de cera de abelha. Quando escaneados pelo celular, eles conduzem o
visitante para o interior das colmeias, oferecendo informações sobre as
espécies responsáveis pela produção daquele material. Outras pinturas revelam
novas imagens apenas quando fotografadas, propondo uma experiência que estimula
um olhar mais atento sobre a obra e sua relação com o ambiente. A pesquisa do
artista ainda aborda os processos migratórios das abelhas. Em um conjunto de
trabalhos, mapas-múndi confeccionados com ceras produzidas por espécies
estrangeiras presentes no Brasil estabelecem um paralelo entre os deslocamentos
desses insetos e os fluxos migratórios humanos, em uma homenagem às diferentes
comunidades que contribuíram para a formação do país.
Para a curadora Fernanda Lopes,
a produção de Ricardo Siri utiliza materiais oriundos da natureza não enquanto representação, mas elementos capazes
de provocar reflexões sobre coexistência, cuidado e interdependência.
SOBRE O ARTISTA
Siri é artista transdisciplinar. Músico, compositor, além de meliponicultor. Formado no ano de 2000 pela Los Angeles Music School. Com sete álbuns autorais lançados, recebeu em 2010 o prêmio da Música Brasileira pelo álbum “Ultrasom”. Suas performances emergiram do palco, e seus instrumentos viraram poesias sonoras. A partir daí, sua carreira expande definitivamente para as artes visuais, sendo convidado a realizar exposições e performances no Brasil e exterior, como Victoria and Albert Museum – Londres , NBK Gallery – Berlim e Portikus – Frankfurt. Com uma trajetória que une natureza e tecnologia, Siri desenvolve esculturas e instalações, que criam pontes sensoriais entre o orgânico e o urbano. Sua prática artística nasce do cuidado com os organismos vivos e propõe uma escuta profunda do mundo.
SOBRE A CURADORA
Crítica de arte, curadora e pesquisadora, Fernanda Lopes é doutora em história e crítica de arte pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ. Atuou como diretora artística da galeria Athena (RJ, 2022-2024), curadora adjunta do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro [MAM Rio (2016-2020)] e curadora associada em artes visuais do Centro Cultural São Paulo [CCSP (2010-1012)]. Publicou os livros A experiência Rex – “Éramos o time do Rei” (2006), Área experimental: lugar, espaço e dimensão do experimental na arte brasileira dos anos 1970 (2012) e Francisco Bittencourt: arte-dinamite (2016, organizado com Aristóteles A. Predebon), além de ensaios e artigos, especialmente sobre arte brasileira e crítica de arte. Entre as curadorias que realizou desde 2008 está a Sala Especial do Grupo Rex na 29a Bienal de São Paulo (2010) e a curadoria adjunta da exposição Maria Martins: desejo imaginante, no Museu de Arte de São Paulo [Masp (2021)].
SOBRE O MUSEU HISTÓRICO DA CIDADE
O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro (MHC) foi inaugurado em 1934, instalado originalmente no Palacete da Gávea, com o objetivo de preservar e conservar o patrimônio histórico e cultural da cidade, que foi capital da colônia, do império e da república. Desde sua criação, o MHC atuou como um espaço de referência para o estudo e a documentação da história urbana, social e cultural do Rio de Janeiro, reunindo acervo diverso composto por aproximadamente 25 mil itens, incluindo gravuras, pinturas, fotografias, mobiliário, porcelanas, mapas, maquetes, documentos e objetos diversos. Ao longo das décadas, o MHC passou por diferentes fases de expansão e atualização, consolidando-se como um espaço de preservação, pesquisa e difusão cultural. Seu acervo é resultado de doações de órgãos da administração municipal e de aquisições realizadas pela Prefeitura, refletindo não apenas a história local, mas também a inserção da cidade em contextos nacionais e internacionais. O MHC não se limita à guarda de objetos: desenvolve exposições permanentes e temporárias que promovem diálogo entre passado e presente, combinando história, memória urbana e expressões culturais contemporâneas. Por meio de ações educativas, oficinas, atividades culturais e programas de formação, o Museu busca engajar públicos diversos, incluindo crianças, jovens, adultos e profissionais das áreas de história, museologia e artes, estimulando reflexão crítica, senso de pertencimento e cidadania. Nos últimos anos, a instituição também tem promovido projetos que valorizam a participação comunitária, experiências sensoriais e itinerâncias educativas, consolidando-se como um espaço de mediação cultural que articula memória, educação e cultura, e contribui para a criação de uma rede integrada de museus municipais.
Serviço: Exposição “PRO-POLIS”, de Ricardo Siri
Abertura: 27 de junho de 2026, às 9h
Exposição: até 22 de agosto de 2026
Museu Histórico da Cida (MHC) [3º andar]
Estrada Santa Marinha, s/n – Gávea – Rio de Janeiro – RJ
De terça a domingo, das 9h às 16h.
Entrada gratuita
Curadoria: Fernanda Lopes


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