por Valdocir Trevisan|

Foto de Greg Rakozy na Unsplash
Consciência Infinita
![]() |
| Foto de Greg Rakozy na Unsplash |
Consciência Infinita
Em sua análise histórico-filosófica sobre o Cristianismo, Ludwig Feuerbach destaca a consciência como uma das essências.
Para ele, “onde existe consciência, existe também a faculdade para a ciência”, o que diferencia os homens dos animais.
E uma consciência infinita é básica, pois se um indivíduo for finito, não terá possibilidades, pois sua limitação está esgotada.
Vejam que louco, Feuerbach acrescenta: “quem teme ser finito, teme existir”.
Resta a consciência ser infinita, até por questões de fé, alma, memória…
Crer no infinito engloba tais conceitos, acreditar no além não é simples.
A alma está na memória?
Penso que sim, aliás, a interação de ambas me esclareceu dúvidas sobre a alma. No diálogo entre Santo Agostinho e Ovídio, o santo pergunta se Ovídio já tinha ido a Roma. Ele diz que sim.
Santo Agostinho pergunta se ele lembra da cidade, o que Ovídio novamente confirma, então, através da memória, sabe que Roma existe, embora não esteja vendo com seus olhos. Assim é a alma, conclui Santo Agostinho.
E a consciência está no meio desse entrevero… E se for limitada, estamos encrencados…
Conhece-te a ti mesmo é o caminho, não tem outro.
Talvez, se limitar para seguir além possa ser um começo.
O Oráculo de Delfos já dizia: “Se ignorares as maravilhas da tua própria casa, como esperas encontrar outras maravilhas?”
Nem vou aprofundar de onde vem a consciência, como surgiu, qual sua proposta, quero “apenas” concordar que ela existe e, neste caso, deve ser infinita, aberta ao todo.
A frase de Feuerbach me deixou perplexo: “quem teme ser finito, teme existir”.
Como diz o gaúcho, “mas, bah”? Eu, hein!
Como não pretendo temer a existência e se “sou consciente, logo existo”, desculpa a intromissão, querido René Descartes, vamos Adelante.
Almejo uma consciência leve, não corro do perigoso nem do “Vale de lágrimas” que estranhos religiosos apregoam.
Caim fora doentes que usam (e abusam) da religião para submeter o inocente!
O teosófico Ferdinand Yulo, na revista Sophia (edição número 119), lembra o que diz Carl Sagan: “o Cosmo também está dentro de nós, somos feitos de matéria estelar, somos uma forma pela qual o Cosmo pode conhecer a si mesmo”.
É, sempre voltamos ao conhece-te a ti mesmo de Sócrates…
Mas a frase… aquela… “quem teme ser finito, teme existir”...
Será?
Turguêniev, com seu homem supérfluo, lembra de um menino que nunca tinha visto sua mãe em paz, repousando, pois estava sempre na ativa, e quando a viu num caixão, finalmente achou que estava descansando.
O menino, quieto, pensou: “Sim, é muito bom poder finalmente se livrar da consciência martirizante da vida e dos sentimentos obsessivos e inquietantes da existência.” Ele enxergou e percebeu que talvez exista em algum lugar, uma consciência infinita…
Valdocir Trevisan é gaúcho, gremista e jornalista. Autor do livro de crônicas Violências Culturais (Editora Memorabilia, 2022)

Redes Sociais