Recife recebe lançamento de pesquisa que dará origem a documentário sobre Naná Vasconcelos



Levantamento inicia a organização e sistematização do acervo do percussionista e servirá de base para o longa-metragem Naná – um Griô pelo mundo

A trajetória de Naná Vasconcelos, marcada pela invenção musical, pela relação com a cultura popular pernambucana e por uma carreira de projeção internacional, será objeto de um amplo trabalho de levantamento e organização documental. Nesta terça-feira, 11 de agosto, às 15h, a Sala Aloísio Magalhães, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby, recebe o lançamento da etapa de pesquisa e desenvolvimento do documentário Naná – um Griô pelo mundo.

Aberto ao público, o encontro apresentará os objetivos e as diferentes etapas do trabalho que antecederá a realização do longa-metragem. A investigação será desenvolvida em Pernambuco e reunirá documentos, registros sonoros, fotografias, imagens e outros materiais relacionados à vida e à produção artística do percussionista. O levantamento resultará em um documento analítico que servirá de referência para a elaboração do roteiro e contribuirá para a organização de um acervo de relevância para a memória cultural brasileira. Participam do evento Patrícia Vasconcelos, produtora associada do projeto e curadora da obra do artista; a jornalista Patrícia Palumbo, corroteirista e codiretora do documentário; Moisés de Melo Santana, coordenador da Cátedra Naná Vasconcelos e pesquisador da obra audiovisual do músico; e os jornalistas Michelle de Assumpção e José Teles. O grupo participa de uma conversa sobre as dimensões artística, cultural e internacional da trajetória de Naná.

Desde a morte do músico, Patrícia Vasconcelos, sua viúva, atua na curadoria de seu acervo e tem colaborado com iniciativas dedicadas à sua obra. Segundo ela, a atual etapa de catalogação também poderá contribuir para outros projetos voltados à memória do percussionista.

“Essa etapa de catalogação é a segunda fase e ajudará na pesquisa do filme Naná – um Griô pelo mundo, bem como no futuro Memorial, Museu e Centro de Referência Naná Vasconcelos”, afirma.

Do Recife para o mundo

Reconhecido pela contribuição à percussão, Naná Vasconcelos desenvolveu uma linguagem musical focada na experimentação e no encontro entre diferentes tradições. O berimbau ocupou lugar fundamental nessa trajetória, ao lado do maracatu, dos ritmos afro-brasileiros e de sonoridades ligadas ao Nordeste. Sua carreira também foi permeada por parcerias com artistas de diferentes países e pela circulação nos principais palcos internacionais. Nos últimos anos de vida, Naná reforçou sua ligação com Pernambuco através da abertura do Carnaval do Recife. Iniciada em 2001 sob sua direção artística, a reunião das nações de maracatu tornou-se uma das imagens associadas à festa e permaneceu na programação mesmo após sua morte.

Esse capítulo de sua atuação também é objeto de estudos da Cátedra Naná Vasconcelos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). A investigação analisa os impactos culturais, econômicos e simbólicos da política pública que colocou os maracatus em posição de destaque na abertura do Carnaval do Recife. Para o professor Moisés de Melo Santana, coordenador da pesquisa, a continuidade da cerimônia evidencia a permanência dessa contribuição. “Essa foi uma política que surgiu pela gestão municipal do Recife anos atrás, e que se consolidou e até hoje é mantida, mesmo após dez anos da partida de Naná Vasconcelos. Podemos considerar que temos 15 anos de abertura do carnaval com os maracatus, e isso é extremamente importante”, afirma.

Naná nas telas

Com roteiro e direção de Patrícia Palumbo e Alessandra Dorgan, produção da MUK e produção associada de Patrícia Vasconcelos, Naná – um Griô pelo mundo pretende reunir imagens inéditas, registros raros e depoimentos de músicos e pesquisadores. A ideia é recuperar diferentes momentos da vida e da produção do percussionista, apresentando Naná a partir da figura do griô — aquele que preserva e transmite conhecimentos, histórias e memórias. O filme abordará de que maneira música, ancestralidade e espiritualidade se encontraram em sua obra e contribuíram para estabelecer diálogos entre diferentes culturas. Ao identificar, organizar e sistematizar materiais dispersos sobre o artista, a iniciativa cria condições para que parte importante de sua trajetória permaneça disponível para novas pesquisas e projetos dedicados à sua obra. A iniciativa é fruto de emenda parlamentar e tem gerenciamento da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe). O lançamento conta com apoio da Fundaj.

Para a secretária-executiva da Fadurpe, Ellen Viegas, a organização desse patrimônio também permite aproximar novas gerações da produção de Naná. “Contribuir para preservar sua trajetória é investir na nossa memória, na valorização da identidade cultural e na produção de conhecimento. A Fadurpe tem orgulho de apoiar iniciativas que unem pesquisa, cultura e preservação do patrimônio, fortalecendo legados que inspiram as futuras gerações”, afirma.

Ao anteceder a realização de Naná – um Griô pelo mundo, o levantamento documental estabelece uma base para revisitar uma trajetória que partiu de Pernambuco, alcançou diferentes países e deixou marcas tanto na música quanto na cultura popular. O futuro documentário nasce, assim, de um trabalho anterior às câmeras: reunir, organizar e compreender os vestígios de uma obra que permanece em circulação.


SERVIÇO

Lançamento da pesquisa e desenvolvimento do documentário Naná – um Griô pelo mundo
Data: 11 de agosto
Horário: 15h
Local: Sala Aloísio Magalhães – Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Derby, Recife
Entrada: gratuita
Evento aberto ao público