Cultura em Curso leva formação em projetos culturais de Pernambuco a participantes de todo o país


Plataforma criada pelo Comitê de Cultura em Pernambuco recebeu mais de 4,5 mil inscrições e alcançou participantes de 24 estados e do Distrito Federal

Criada em Pernambuco para facilitar o acesso à formação de quem atua no setor cultural, a plataforma Cultura em Curso ultrapassou as fronteiras do Estado e alcançou participantes de quase todo o país. A experiência foi apresentada pela coordenadora do Comitê de Cultura em Pernambuco, Joana D’Arc Ribeiro, durante o Seminário Regional Nordeste do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), realizado em Salvador.

A iniciativa oferece formação voltada à elaboração, gestão e prestação de contas de projetos culturais, reunindo conteúdos que acompanham diferentes etapas enfrentadas por artistas, produtores, grupos, coletivos e demais trabalhadores da cultura na busca por recursos e no acesso às políticas públicas. Desenvolvido pelo Comitê de Cultura em Pernambuco, formado pela Associação dos Filhos e Amigos de Vicência (AFAV), Cores do Amanhã e Associação Estação da Cultura, o projeto foi realizado com incentivo do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil. A formação contou ainda com parceria do Núcleo de Ensino a Distância da Universidade Católica de Pernambuco, responsável pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA).

O Cultura em Curso surgiu da identificação de uma demanda recorrente entre trabalhadores do setor: compreender os procedimentos necessários para transformar uma ideia em projeto, concorrer a editais, administrar os recursos recebidos e posteriormente realizar a prestação de contas.

O Funcultura, mecanismo estadual de fomento à produção cultural pernambucana, serviu como ponto de partida para as aulas, mas a formação também apresentou conhecimentos aplicáveis a editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e a outras políticas públicas de cultura.

Dividido em quatro edições, o programa organizou os conteúdos em três eixos — elaboração, gestão e prestação de contas. Todas as aulas contaram com intérprete de Libras. Além do ambiente virtual, os participantes tiveram acesso a fóruns on-line, comunicação pelas redes sociais, atendimento por WhatsApp e acompanhamento da equipe do projeto, inclusive para dificuldades relacionadas ao uso das ferramentas digitais.

Os números alcançados superaram a previsão inicial. Pensada inicialmente para atender cerca de 300 pessoas, a formação recebeu 4.581 inscrições, chegou a 24 estados e ao Distrito Federal e emitiu certificados para 1.453 participantes.

A gente percebeu que a tecnologia podia encurtar distâncias e fazer esse conhecimento chegar a muita gente. Formação é uma necessidade antiga de quem vive e faz cultura em Pernambuco, seja quem está começando agora ou quem já tem estrada e precisa se atualizar”, afirma Joana D’Arc Ribeiro.

Para a coordenadora, a diversidade dos participantes também mostrou o potencial do formato virtual para reunir pessoas com diferentes experiências em torno de dificuldades comuns. “Foi bonito ver pessoas com experiências e realidades tão diferentes entrando na mesma sala virtual para aprender, trocar e sair mais preparadas para transformar uma ideia em projeto e buscar recursos para fazer a cultura acontecer no seu território”, acrescenta.

Conteúdo permanece disponível

A experiência também resultou na criação de um acervo de formação destinado a permanecer acessível após as edições do curso. Os módulos e as aulas foram disponibilizados no canal do Comitê de Cultura em Pernambuco no YouTube e, após o período eleitoral, poderão ser acessados gratuitamente por interessados em aprender ou atualizar seus conhecimentos sobre projetos culturais.

O alcance obtido pelo projeto revela, sobretudo, uma demanda que não se restringe ao estado: a necessidade de preparar trabalhadores da cultura para compreender os mecanismos de financiamento e participar das políticas públicas destinadas ao setor.