Trechos do livro Manual do Cretino, de André Luiz Leite da Silva

 por André Luiz Leite da Silva__





ART. 25º - COLEGUINHAZ


- Em todo lugar existem os nichos, também conhecidos como "métier", ofício, local de trabalho. Então, os grupos se reconhecem ou o fazem pela força do trabalho. Ganha para fazer ISSO. Só isso é o que fazem. NÃO faz um dedinho a mais, mas faz braços a menos. Então, chega um e, em pouco tempo está enturmado. Mas não faz parte do bando, está no bando e, um escorregão e, já o colocam no cabo do esfregão. 


- E, temos os coleguinhaz risonhos, os bisonhos. Temos os que chegam cedo, os que chegam tarde e os que quase nunca chegam. Tem os que vão embora cedo, outros tardes e, outros que vez ou outra se vê em algum lugar.


- Os coleguinhaz se reconhecem, ajudam o "stritus sensu", nunca, jamais o "lato sensu" e, ainda sempre, mas sempre dentro do seu horário. Quando sai, normalmente desliga o telefone celular ou então, olha quem ligou e… Ignora. E, amanhã? O que que tem? Precisa chegar mais cedo, afinal é seu plantão. Ah, essa não…


- Difícil encontrar um coleguinha disposto a arregaçar a manga da camisa, normalmente a mantêm estendida e, de preferência com abotoadura e tudo. 


- Mas se precisar dele, e, se oferecer "um qualquer", então, o sorriso aparece e, se for mais que "um qualquer", então a coisa fica melhor ainda. Mas temos coleguinhaz orgulhosos e, que "não precisam de ninguém", embora, vez ou outra tenha que se curvar. 


- Mas os coleguinhas que se encontram por todo lado, são solitários, ordinários, salafrários, menos gregários e, ao menor sinal de perigo: "Foi ele!"”


- Estes coleguinhaz, ontem tem aqueles que "acham" que mandam mais do que acham que mandam, bem, eles se juntam em nichos, e se acham melhores que os demais…


A estes acho que a melhor definição é o adjetivo, perturbação patológica que impede o desenvolvimento físico e moral. 



ART. 62º - NÃO FUI EU!


- Se tem uma expressão que o cretino adora repetir é: "Não fui eu!". E, ainda que seja ele. E, ainda que todos saibam que É ele. E, ainda que não tenha outra alternativa, que não envergonhar a todos, repete e repete:


"Não fui eu!".


- Mas por que não assume algo tão "humano"?. Medo de ser desmascarado? Medo de ser envergonhado? Medo de ser desrespeitado? Medo de ser desacreditado? Mas já não é?


- Mas todos aqueles que caminham em borda de precipícios, vez ou outra tem algumas quedas e, então, aparece com joelhos e braços esfolados. Como isso aconteceu? Não sei, acho que cai! 


- Por que será que o cretino faz e depois diz que "não fez"? Não está na cara, minha cara? Não está nos autos? Não está nos anais, ou seria apenas teatrais mesmo?


Neste artigo o informal é com certeza o ideal: 


"Aquele que age como imbecil, idiota ou inconveniente".


Ciente?


Post Scriptum: "Mas, não fui eu!"


A gente sabe quem foi…



ART. 102º - SURPREENDA!


- E o devoto, de joelhos, mãozinha no peito, cabeça baixa, ora, reza e, claro, em silêncio. SILÊNCIO! Alguém disse. Ao lado, outro cretino fazendo o mesmo. Mas, para os dois, ou três ou muitos que ali estavam, restou mesmo foi o maldito SILÊNCIO. E, não era pra ser? Claro que sim, é o que resta a marginais que falam com o rosto entre as grades, segurando nas barras de ambos os lados, igual ao "Iluminado". Carcereiro ouve ou dá atenção. Quando muito vem é um palavrão. O carcereiro, o guarda, conhece cada um de seus detentos. Será que com os anjos seria diferente?


- Mas, nosso lobinho não se dá por vencido e, sempre está lá, religiosamente, pedindo sua ovelhinha de pelo macio e branco, de preferência "baby".


- Um dia, o cretino ainda de joelhos, sentiu uma "fisgada" no peito. Um desconforto e, era um AVC. Pensou consigo mesmo. "É, eu pedi para ser surpreendido, e estou muito surpreso. Obrigado, Senhor!"


- O cretino que pede, e tem muitos, fazem pouco. O cretino quer o prêmio, mas não quer deixar de ser boêmio. 


Há muitos tipos de surpresa em todo lugar e, talvez, a maior surpresa seja mesmo fazer o que tem que fazer. Certa vez eu li em algum lugar uma frase que o cretino lê, mas finge que não entendeu: 


"Faça a coisa certa!"


Neste artigo, com certeza o cretino raiz.


"Que sofre de cretinismo".






Escritor e filósofo paulista André Luiz Leite da Silva (@cronicasmaviosas) nascido em Itararé, no interior de São Paulo. Escrivão de Polícia Civil há mais de 20 anos, André Luiz trabalhou em importantes delegacias da capital paulista, ouvindo mais de 30 mil pessoas neste período, o que “afinou” seus sentidos para escrever a partir de 2014 – publicando em redes sociais sob incentivo de sua esposa, Joana Marcela. Desde então, ele não parou mais e mantém o ritmo: escreve uma média entre 5 e 6 livros todos os anos. Sua obra mais recente é o “Manual do Cretino” (Editora Grupo Atlântico, 228 pág.), sua 24ª publicação, entre 43 livros escritos. A partir de sua experiência profissional, o autor deságua numa investigação acerca das “idiotices” que foram naturalizadas pelas pessoas, o que resultou no primeiro volume.