por Carlos Monteiro |
| Fotografias de Carlos Monteiro |
Nelsons e Joaquins
Tudo
indica que há no firmamento, um anjo carimbador, que determina quem na Terra
vai ser genial. Tudo muito bem planejado, pesquisado e sacramentado.
Esses
querubins fazem uma espécie de separação, na linha de montagem, quando do
acabamento para despacho por meio das cegonhas. Fica lá timbrando a bundinha
dos bebês, cujo cabedal intelectual tem primazia e vai dar mostra à que veio no
planeta azul. Mas, como os identificam quando por cá são entregues pelas aves
da ordem dos ciconiformes? Pelos nomes. Já há um ‘combinemos’ que Joaquim e
Nelson são a designação para genialidade.
São
jornalistas, intelectuais, líderes, revolucionários... muitas das vezes, tudo
isso e mais um pouco junto e misturado, numa fórmula químico-físico-matemática
que dá incrivelmente certo, aquela geleia geral que todos já estão crentes em
saber
Basta dar
uma olhada na história, que não precisa ser tão profunda, para
identificá-los. Na turma dos Joaquins temos:
Joaquim
Pedro de Andrade, o genial cineasta de “Macunaíma”, baseado na obra homônima de
Mário de Andrade, considerado pela ABRACINE um dos melhores 100 filmes
brasileiros e “Garrincha, Alegria do Povo”.
Joaquim
Manuel de Macedo médico e romancista, não necessariamente nesta ordem, autor de
“A Moreninha”. Era também jornalista, orador, professor de geografia e história
do Brasil no Colégio Pedro II, fundador do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, e da revista “Guanabara”.
Já na
turma dos Nelsons se destacam:
Nelson
Falcão Rodrigues. Escritor, jornalista, romancista, dramaturgo, teatrólogo,
contista, frasista e cronista. Suas tiradas e frases geniais estão marcadas
para sempre. “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas
pela quantidade. Eles são muitos!” sentenciou.
Nelson
Rolihlahla Mandela. De preso político, por 27 anos julgado injustamente por
traição, a presidente da África do Sul e Nobel da Paz. Defendeu a democracia,
as liberdades individuais, a justiça para todos os direitos humanos e a não
segregação racial.
Nelson
Pereira dos Santos. Fundador do Cinema Novo, adaptou obras de Jorge Amado e
Graciliano Ramos para o cinema. “Vidas Secas” é o filme brasileiro mais
premiado em todos os tempos. Sua filmografia é impecável onde se destacam:
“Rio, 40 Graus”, “Rio, Zona Norte”, “Boca de Ouro”, “Como Era Gostoso o Meu
Francês”, “O amuleto de Ogum” e “Tenda dos Milagres”.
Fiquei
pensando, qualquer dia um anjo aprumado é capaz de dizer: “Vai, Joaquielson!
Ser droite na vida”.
Carlos Monteiro é fotógrafo, cronista e publicitário desde 1975, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos nacionais. Atualmente escreve ‘Fotocrônicas’, misto de ensaio fotográfico e crônicas do cotidiano e vem realizando resenhas fotográficas do efêmero das cidades. Atua como freelancer para diversos veículos nacionais. Tem três fotolivros retratando a Cidade Maravilhosa.
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