por Carlos Monteiro |
| Fotografias: Carlos Montero |
Simplesmente Maneco
Com a
passagem do querido Manoel Carlos Maneco relatei, em um grupo de jornalistas,
uma passagem que tive com o autor, que se mirou nos exemplos das inocentes do
Leblon, dentre suas pequenas, porém gigantes, "Helenas".
Incentivado
por uma coleguinha que me enviou uma mensagem no privado resolvi escrever esta
homenagem, não ao grande dramaturgo, mas ao ser humano absolutamente sem igual
que foi Maneco.
“Vai lá,
escreva sobre a sua história no velório de um dos filhos do Maneco. Abre seu
coração e nos conte tudo. Bom que todos saibam os detalhes de um homem raro,
que mesmo diante de uma dor infinita, soube olhar para vocês com amor”, escreveu
ela.
Meu
relato pessoal em relação ao Maneco, quando da morte de um de seus filhos no
ano de 2014, em relação a sua generosidade, humildade e tamanha grandeza.
O velório
foi ‘coordenado’ pela TV Globo e, como sempre, sem acesso à imprensa. Passei o
plantão todo no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo no bairro do Caju, Zona Portuária
do Rio de Janeiro, em uma área barricada, destinada a todos os veículos de
imprensa que não fossem ‘da casa’, de frente para a área principal do
Crematório o que nos obrigava a utilizar teleobjetivas pesadas para captar a
chegada daqueles que ali foram levar o último adeus ao rapaz e condolências ao
autor, o mais carioca dos paulistanos que conheci.
Não eram
poucos os coleguinhas, afinal era o terceiro filho que ele perdia de forma
trágica. Eu estava lá, cobrindo, fotograficamente, para uma agência e notícias
paulistana. A primeira gentileza dele foi pedir que enviassem água para as
equipes jornalísticas, a segunda alimentos, pois as exéquias durariam o dia
todo e nós lá num sol de 40°C no espaço a nós destinado, aquele que nos cabia.
Ao final,
para espanto geral — ele estava enterrando um terceiro filho — foi até nós,
cumprimentou um a um e agradeceu nossa presença. Não teve um que não tenha
marejado. Todas as câmeras baixaram, todas as luzes e flashs se contiveram,
pois ali estava mais que um brilho, ali estava um ser humano incomum ali estava
a sensibilidade em pessoa.
Na época eu
tinha uns cinquenta e poucos anos e muitos de carreira, entrei no carro e
chorei copiosamente. Foram muito poucas vezes, na minha vida, que me tinha me
deparado com alma tão generosa. Ainda hoje me emociono ao lembrar a cena. Que
Nanã o tenha recebido com muito carinho no Orum.
As fotos
que iluminam esta crônica são do Leblon, bairro que amou e contou em verso
tantas vezes.
Carlos Monteiro é fotógrafo, cronista e publicitário desde 1975, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos nacionais. Atualmente escreve ‘Fotocrônicas’, misto de ensaio fotográfico e crônicas do cotidiano e vem realizando resenhas fotográficas do efêmero das cidades. Atua como freelancer para diversos veículos nacionais. Tem três fotolivros retratando a Cidade Maravilhosa.



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